sábado, 23 de maio de 2015

[2080.] Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono...


"Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava"

Extrato do poema de W.B.Yeats, "When You Are Old", publicado originalmente em 1893 no "The Rose", aqui, na tradução de José Agostinho Baptista, em W.B.Yeats - Uma Antologia - da Assírio & Alvim.

Um lindo poema de amor. 
AQUI
nas duas versões

sábado, 16 de maio de 2015

[2079.] Sonhos...


Há projectos que temos, que já nem lembramos quando nasceram. Acompanham-nos há tanto, que não somos capazes de dizer que nasceram por isto ou por aquilo. Projectos, teses, ideias que defendemos com unhas e dentes e delas fazemos bandeiras que erguemos e fazemos esvoaçar. Porque acreditamos nessas bandeiras, porque nos parecem necessárias, porque nos parecem boas e porque nos parece fundamental a sua implementação.

E enquanto não as podemos implementar, são isso: Ideias nossas para um problema de todos!

Mas chega então o dia em que as podemos implementar. Está nas nossas mãos criar o que foi defendido, burilado, sonhado e nascido. E o nosso entusiasmo é patente.

Mas percebemos então que eram ideias NOSSAS, que mais ninguém (ou quase ninguém) as quer ou valoriza. Que os destinatários "não estão nem aí!".

E aí dói!

terça-feira, 12 de maio de 2015

[2078.] 730 dias depois


Faz hoje dois anos, setecentos e trinta dias, que a Região de Coimbra do CNE, por larguíssima maioria decidiu escolher o projecto "Ser Região" e confiar a esta equipa a gestão do destino comum por três anos. Já passaram dois, falta um ano.

Não têm sido dois anos fáceis. O foco tem de estar a ser constantemente alinhado e nem sempre é fácil manter o rumo com toda a ventania, todas as ondas e truques do mar, todas as criaturas que volte e meia vêm à tona de água para desestabilizar e unicamente darem sinal de vida... Mas com teimosia e perseverança mostramos que é possível e que conseguimos.

Mas muita coisa foi construída, muitos objectivos conquistados, metas largamente ultrapassadas e diagnósticos amplamente comprovados. É um orgulho muito grande ser parte desta equipa, que não se resume apenas aos cromos desta fotografia, mas que vai muito além dela e conta com quase cem pessoas que connosco colaboram devotadamente.

Um abraço especial à Junta Regional de Coimbra neste dia de aniversário, e um abraço muitíssimo especial à Equipa Regional do Programa Educativo e aos departamentos e Equipas projecto que com ela trabalham.

Vocês são os maiores!   

[2077.] (Uma das) Minha música de caloiro... Se Eu Fosse Um Dia O teu Olhar...



Esta é uma das músicas que fazem parte da banda sonora do meu ano de caloiro... 
e mais não digo!

segunda-feira, 11 de maio de 2015

[2075.] 12 de maio de 1998





Praça da República, 12 de maio de 1998.
O meu primeiro cortejo da Queimas das Fitas.
Como sempre, esperavam-me em frente à Casa da Madeira, na Praça da República. Dá para ver a cara de felicidades deles. Não dá?



sábado, 9 de maio de 2015

[2074.] «Com meios acrescidos, a Europa poderá prosseguir a realização de uma das suas funções essenciais: o desenvolvimento do continente africano.»


« A paz mundial não poderá ser salvaguardada sem esforços criativos à altura dos perigos que a ameaçam.
O contributo que uma Europa viva e organizada pode dar à civilização é indispensável para a manutenção de relações pacíficas. Ao assumir-se há mais de 20 anos como defensora de uma Europa unida, a França teve sempre por objectivo essencial servir a paz. A Europa não foi construída, tivemos que enfrentar a guerra.
A Europa não se fará de uma só vez, nem numa construção de conjunto: far-se-á por meio de realizações concretas que criem primeiro uma solidariedade de facto. A união das nações europeias exige que seja eliminada a secular oposição entre a França e a Alemanha: a acção deve envolver principalmente estes dois países.
(...)Esta produção [de carvão e aço subordinada a regras e supervisão comum entre a França e a Alemanha] será oferecida a todos os países do mundo sem distinção nem exclusão, a fim de participar na melhoria do nível de vida e no desenvolvimento das obras de paz. Com meios acrescidos, a Europa poderá prosseguir a realização de uma das suas funções essenciais: o desenvolvimento do continente africano.(...)»
Declaração Schuman, em 9 de Maio de 1950, considerada como o gesto fundador da União Europeia

Sessenta e cinco anos depois, lendo estas palavras, vale a pena dizer mais alguma coisa?


[2073.] Toda a prece é ouvida, toda a graça se alcança


sexta-feira, 8 de maio de 2015

[2072.] Vita mea


Não fosse o negócio familiar e o boom dos peregrinos de Fátima no 6 a 9 de maio de cada ano, eu tinha-me casado com esta rapariga no dia 8 de maio de 2010. Um dia depois do casamento dos pais dela, num dia 8, que a numerologia considera como o número do infinito, no mês de Maio, de Maria, das Marias, das Maias, da fertilidade, do coração.
Casámo-nos um mês e quatro dias depois, a 12 de junho, como os noivos de Santo António.
É a mulher da minha vida.

[2071.] Há um povo que peregrina


Ponte de Viadores, 8 de maio de 2015, 15h05m


[2070.] Diz que se chama «voltar à "normalidade"»


Sernadelo, 8 de maio de 2015, 8h03m

domingo, 3 de maio de 2015

[2068.] Em memória do Flávio e do Diogo, ou do Mendes e do Fairy


Ed Sheeran
I See Fire
[Clipe Oficial]

A minha memória a eles os dois e um abraço apertado - tão apertado como está o meu coração - a todos os que neste momento estão em sofrimento.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

[2067.] O poder da mulher e a mulher no poder


É conhecida a minha admiração pessoal pela senhora que ontem esteve na EPVL a conversar com os nossos alunos sobre "A Política no feminino: A mulher no poder e o poder da mulher", a Dr.ª Odete Isabel. Poderia ter-lhe chamado uma conferência, a terceira e última através da qual a EPVL assinalou o 40.º aniversário do regime democrático em Portugal - que durou de 24 de abril de 2014 até ontem, 29 de abril de 2015. Mas não, vou chamar-lhe conversa, porque efectivamente a Dr.ª Odete Isabel conseguiu interagir com os alunos, um auditório cheio, conseguiu que eles a ouvissem atentamente e inspirá-los, dando-lhes um empoderamento que ensaiado não correria tão bem. Foi uma hora que passou a correr, que orgulhou o diretor da escola, que orgulhou o mealhadense - porque a intervenção foi efectivamente inteligente, honesta e emotiva, com muita sabedoria, muita força e muita beleza -, acabando por ser uma lição de vida.
Primeira mulher a presidir à Câmara da Mealhada numa eleição democrática, Odete Isabel foi fiel a si mesma e mostrou que a força das suas ideias e, acima de tudo, a forma como as transmite ainda pode ser contagiante.
  

[2066.] Dilemas do 1.º de Maio

α
O DILEMA DO PROLETARIADO
- Confesso que nunca tinha ouvido um sindicalista dizer que uma determinada greve é injustificada. Ouvi hoje, o líder da UGT a dizer que a greve dos pilotos da TAP é uma reivindicação egoísta, desajustada e contrária ao proletariado.
Mas, então ouvi o Arménio Carlos, da CGTP, na SIC Noticias a fazer um mortal encorpado à retaguarda com beijo no seu próprio fundo das costas quando a jornalista lhe perguntou qual era a opinião da central sindical. Não foi capaz de dizer que esta é uma greve estúpida de trabalhadores egoístas que estão a usar o que para ele é um meio sagrado para assegurar que passam a ser patrões.Falou, falou, falou... e não respondeu à pergunta.
Sindicalista sofre, ó camarada Arménio!

Ω
O DILEMA DO PATRONATO
- De manhã, dos 151 votos previstos a partir do Aeroporto de Lisboa, 118 levantaram voo.
Se dizem que é mau, que a greve dos senhores pilotos teve efeitos graves e nefastos à empresa, têm de demonstrar que 78,15% de voos realizados não é suficiente para a empresa ter um funcionamento normal e lucrativo.
Se dizem que é bom, que a greve dos senhores pilotos que exigem ter um quinhão e ser accionistas da empresa que estão a tentar levar à falência final e sem retorno não teve efeitos graves, então vão ter de assumir que não são eles a razão pela qual a TAP está completamente lixada e que dificilmente a vão conseguir privatizar.

terça-feira, 28 de abril de 2015

[2065.] Como é, como foi, como eu gostaria que fosse ou tivesse sido


Come as you are
NIRVANA
Nevermind, 1991

Em 1995/96 havia um CD (ou seria uma cassete?) dos Nirvana na sala da Associação de Estudantes da Escola Secundária da Mealhada - a ASSESSEC - que passava dias inteiros a tocar. Sempre que chegava ao fim, lá se ouvia outra coisa qualquer, mas regressavam sempre os Nirvana. Quem, como eu, passava ali dias e dias, ouvia esta musica (e outras, mas esta em particular) dezenas de vezes por dia e por mês. Nesta altura já o Kurt Cobain tinha morrido há um ano e tal, pelo menos, e ouvir isto era como que se estivessemos a ver as estrelas no céu que já sabemos não estarem lá.

Ouvir isto hoje é regressar ao passado. 
Ao que é, ao que foi, ao que gostaria que fosse e ao que gostaria que tivesse sido.

sábado, 25 de abril de 2015

[2063.] Dia vencido – 25ABR2015

α
VOAR MAIS ALTO
– Em 25ABR'75 os portugueses, nas primeiras eleições democráticas - onde puderam votar todos os maiores de 18 anos, independentemente do género ou do estrato social ou económico - referendaram a revolução, por um lado, mas pronunciaram-se, claramente, no sentido de preferirem a via constitucional e democrática de estilo ocidental e excluírem uma ditadura do proletariado. O resultado das eleições constituintes de 1975 foram um marco para a história de Portugal, mas não só. Os países africanos do império ultramarino puderam autodeterminar-se e declarar a sua independência e muito democratas de outros países em ditadura, como os espanhóis, viram no exemplo português que não era inevitável a ditadura suceder à ditadura. Este caso português foi estudado, analisado e motivo para o reacender da esperança de muitos que viram neste pequeno país, uma vez mais, um farol de esperança.

β
"RUMAR AO SOCIALISMO"
– Na TVI 24 realizou-se hoje um debate (deve ser isso que lhe chamaram) onde estiveram Jerónimo de Sousa, Manuel Alegre, Marcelo Rebelo de Sousa, Jorge Miranda, Ângelo Correia, Freitas do Amaral e Basílio Horta. Todos deputados constituintes... eleitos (na altura) por partidos diferentes. Foi engraçado - refira-se como nota de rodapé, apenas - a truculência de Jorge Miranda (que eu não conhecia), que para além de ter deixado claro que tinha sido eleito pelo PPD e não pelo PSD, acicatou e atacou o PCP de uma maneira completamente irascível. Mas adorei perceber que o Manuel Alegre foi constituinte mas para além de escrever o famoso prefácio não fez mais nadinha. E deliciei-me ao ouvir o Presidente da Câmara de Sintra, eleito pelo PS, vestindo o papel de dirigente histórico do CDS e justificando o voto contra à constituição, declarar que "não éramos socialistas!". Freitas do Amaral, antigo ministro de Estado de Sócrates, também tentou este discurso, mas não foi tão enfático.
De qualquer modo, ficou clara a justificação de todos de que o socialismo de que fala a constituição é apenas uma das poucas palavras comuns a todos os partidos da constituintes (com excepção do CDS), mas que todos tinham uma ideia muito diferente do que a palavra queria dizer na prática... Reserva Mental, conclui Jerónimo. Rumavam cada um para seu lado, digo eu.
γ
"RUMAR AO SOCIALISMO" 2 – Com a comemoração dos 40 anos das eleições de 1975 - e que paupérrimos foram os discursos na Assembleia Nacional... - começaríamos a comemorar os 40 anos da Constituição, aprovada em 2 de Abril de 1976. Uma data que "daqui a lá" terá uma eleição legislativa decisiva, que vai dar muito que falar e vai dar água pelas barbas ao Chefe de Estado, que saindo a 8 de março de 2016, verá o seu sucessor ser escolhido em finais de janeiro. Se calhar até vai ser giro ver um novo presidente a ter de determinar a quem é que vai dar posse como primeiro-ministro...
Mas estava eu a dizer que não vai haver nem tempo nem oportunidade para conversarmos todos sobre a Constituição. Todos os partidos na oposição dizem querer mudar a Constituição, mas depois, nicles... A verdade é que Portugal precisa de uma nova constituição, porque precisa de um sistema político mais leve, mais autónomo, menos central e gorduroso. 
Aconselho, a este propósito, este texto de Álvaro Barreto publicado no Observador há poucos dias. A não perder.   

Ω
E AGORA O FUTURO
– Pedro Passos Coelho e Paulo Sacadura Portas decidiram anunciar hoje a coligação do PPD/PSD e do CDS/PP às eleições legislativas de 2015. A única surpresa foi, efectivamente, a escolha da data e o cravo vermelho na lapela do ainda Primeiro-ministro. Era mais do que óbvio que os dois partidos da coligação actualmente no Governo tinham de se coligar. Não fazia sentido Portas andar a dizer mal do legado do Governo, ou atacarem-se num qualquer debate político quando são ambos - o pai e a mãe - responsáveis pelo que de bom e mau aconteceu nos últimos quatro anos. Poderá ter sido - a escolha da data do anúncio - um piscar de olhos à esquerda... não sei... mas acredito que não tenha sido para uma escolha inocente.

[2058.] O esposo que pede ao amigo que consuma o seu próprio casamento?

Muito se tem dito e escrito sobre o programa "Uma Década para Portugal", o documento que António Costa encomendou a um conjunto de especialistas, e que, ao que tudo indica, será a base do programa que o Partido Socialista vai apresentar nas Legislativas de Outubro deste ano.
E aconteceu imediatamente o que acontece quando um líder político pede a alguém para lhe arranjar ideias para si próprio. Há, naturalmente, medidas que não serão tão populares como o líder gostaria e ele, naturalmente, vê-se obrigado a criar um caminho de fuga: "Isto não é uma Bíblia"... Compreende-se.

Tive uma militância partidária muito activa durante pouco mais de seis anos. Seis anos loucos de muita dedicação, de verdadeira militância, séria e completa. Tornei-me uma daquelas pessoas a quem eram dadas responsabilidades em Gabinetes de Estudos - participei em estruturas destas em todos os níveis, local, distrital e nacional - e nesse sentido foram-me pedidos contributos e redacção de programas políticos autárquicos e legislativos, de discursos para várias pessoas diferentes (candidatos a diferentes responsabilidades, claro está) e até alguns diplomas legais (projectos de lei).

Esses programas políticos - e de maneira muito notória os autárquicos - serviram apenas para que os candidatos dissessem ao eleitorado que tinham ideias. Acredito que a maior parte deles nem nunca os leram, nunca os defenderam em debates ou entrevistas. E seguramente, uma vez eleitos, nunca se esforçaram por aplicá-los.

Mas compreende-se: Não eram as suas ideias (alguns não as têm nem nunca tiveram), eram as ideias de alguém a quem eles tinham pedido que redigissem algo que funcionasse como pressuposto de coerência política. O que se constituía, imediatamente, como uma enorme incoerência. Mal comparado é como o esposo que pede a outro que consuma o seu próprio casamento...

A partir de determinada altura deixei-me de fazer esses trabalhos. Lá ajudei mais um ou outro depois disso, mas passei a adoptar a máxima de que sempre que vejo um político a apresentar programas políticos escritos por outras pessoas digo para mim que lá estão escrevedores a fazer o papel que não é deles. E lá estão políticos a querer fazer bonito, mas a enganar as pessoas. 

Meditava o Duque de Gandia, no poema de Sophia, que "nunca mais servirei senhor que possa morrer". Medito eu, de algum tempo para cá, que nunca mais votarei em político que peça a outros o seu próprio programa. 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

[2062.] Reza a lenda que foi uma mulher.


Reza a lenda que foi uma mulher, vendedora de cravos, que colocou um cravo no cano da espingarda de um dos militares que fizeram a Revolução de Abril. Como dali saíram apenas alguns tiros, não se deu nenhum banho de sangue, ficou o nome, Revolução dos Cravos. 
Reza a lenda que foi uma mulher.