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sábado, 20 de junho de 2015

sábado, 23 de maio de 2015

[2080.] Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono...


"Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava"

Extrato do poema de W.B.Yeats, "When You Are Old", publicado originalmente em 1893 no "The Rose", aqui, na tradução de José Agostinho Baptista, em W.B.Yeats - Uma Antologia - da Assírio & Alvim.

Um lindo poema de amor. 
AQUI, 
nas duas versões

sábado, 21 de março de 2015

sábado, 14 de fevereiro de 2015

[1983.] Receita para o dia dos namorados?


Morrer de amor
ao pé da tua boca
Desfalecer
à pele
do sorriso
Sufocar
de prazer
com o teu corpo
Trocar tudo por ti
se for preciso

Maria Teresa Horta, in Destino

sábado, 7 de fevereiro de 2015

[1970.] A questão


Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e flechas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocaçoes
E em luta pôr-lhes fim?


Hamlet, Principe da Dinamarca, William Shakespeare – Ato III Cena I




sábado, 31 de janeiro de 2015

[1956.] Já não basta o Sonho.


Para além do Sonho, a Obra e a Vontade. 
De Deus, dos Homens, do Querer Ser. Do responder ao Sinal.
De Unir e não Separar, Do Sagrar e Saber Desvendar.
Do Clarear, Correr, Ver, Surgir.
Criar... e Cumprir.

E depois voltar a Sonhar. Sempre.


sábado, 27 de setembro de 2014

[1912.]



Let the sound of those he wrought for,
And the feet of those he fought for,
Echo round his bones for evermore.

Ode on the death of Duke Wellington
Alfred Tennyson
1852

Homenagem a Arthur Wellesley, 1.º Duque Wellington
Heroi do Bussaco, no 204.º aniversário da Batalha

sábado, 15 de março de 2014

[1854.] Espero por ti... e tu por mim?

 
POR TI
 
Por ti espero naquela roça grande
no perfume do izaquente
no sopro do vento irrequieto
no riso da montanha misteriosa.
 
Por ti espero junto ao secador
que meu avô ajudou a construir
e o cheiro do cacau
invade o corpo
que acalenta a esperança
de rever-te.
 
Espero sentada
no caminho que vai até à Grota
e serpenteio
a estrada de Belém onde as fruteiras
espreitam o sol
e o vianteiro.
 
Por ti espero
na calma do poente
entre a ânsia
e o amor que me consome.
 
A tarde vai caindo e nostalgicamente
arrastando o meu dilúvio de ternura.
 
Por ti espero ainda
no breu da noite imensa
na raiva que a paixão derrama e sangra
e é o tam-tam da madrugada que me obriga
a apagar da memória
a tua imagem
 
OLINDA BEJA
1946
São Tomé e Príncipe

sábado, 1 de fevereiro de 2014

[1818.] Os sinos dobram pelo rei finado…

 
Em 1890, no ano do Ultimato Inglês, Abílio Guerra Junqueiro, o grande escritor republicano e trasmontano, escrevia um poema, "O CAÇADOR  SIMÃO", que se tornou numa das mais agressivas peças da propaganda republicana. Esse poema vaticinava a morte do caçador - um dos mais conhecidos hobbies do Rei Dom Carlos - monarca que tinha Simão como um dos seus últimos nomes próprios -. Dezoito anos depois, a 1 de fevereiro de 1908, Carlos de Bragança seria assassinado pela Carbonária no Terreiro do Paço.
Profecia, desejo, premonição, sorte ou um inevitabilidade, o poema de Guerra Junqueiro tornou-se uma peça de curiosidade mítica na história de Portugal e da República. 
 
Nota curiosa, também, o facto de este poema ter sido dedicado ao médico Fialho de Almeida, que trabalhou na vila da Pampilhosa durante algum tempo, e de ter sido publicado na imprensa da época como no Globo, na Província e nos Pontos nos ii, entre outros.
 
"Logo na primeira quadra, Guerra Junqueiro, hostiliza o rei, acusando-o de indiferença, perante a agonia do seu moribundo pai, o rei D. Luís I e da dor da sua mãe, a rainha D. Maria Pia. Nas restantes quadras pode observar-se o ódio e o sentimento patriótico provocados pelo Ultimato Britânico, o qual vexou uma pátria inteira.

O ódio expresso por Guerra Junqueiro leva-o a escrever a última quadra, que se viria a revelar profética, não faltando quem a interprete como um incentivo ao regicídio (Papagaio real, diz-me, quem passa? - É alguém, é alguém que foi à caça do caçador Simão!...) [Em Simão leia-se o Rei D. Carlos]. 

O regicídio viria a ocorrer no dia  1 de Fevereiro de 1908, quando as armas de  Manuel Buiça e de  Alfredo Costa matam o Rei D. Carlos I, vindo de Vila Viçosa onde praticara a caça, e o Príncipe Real D. Luís Filipe, em pleno Terreiro do Paço." Blogue Alfobre de letras [aqui].
 
O poema na íntegra:

O CAÇADOR  SIMÃO

Jaz el-rei entrevado e moribundo
Na fortaleza lôbrega e silente…
Corta a mudez sinistra o mar profundo …
Chora a rainha desgrenhadamente …

Papagaio real, diz-me quem passa?
— É o príncipe Simão que vai à caça.

Os sinos dobram pelo rei finado …
Morte tremenda, pavoroso horror!...
Sai das almas atónitas um brado,
Um brado imenso d’amargura e dor …

Papagaio real, diz-me, quem passa?
— É el-rei D. Simão que vai à caça.

Cospe o estrangeiro afrontas assassinas
Sobre o rosto da pátria a agonizar …
Rugem nos corações fúrias leoninas,
Erguem-se as mãos crispadas para o ar!...

Papagaio real, diz-me quem passa?
— É el-rei D. Simão que vai à caça.

A Pátria é morta! A Liberdade é morta!
Noite negra sem astros, sem faróis!
Ri o estrangeiro odioso à nossa porta,
Guarda a Infâmia os sepulcros dos Heróis!

Papagaio real, diz-me, quem passa?
— É el-rei D. Simão que vai à caça.

Tiros ao longe numa luta acesa!
Rola indolentemente a multidão …
Tocam clarins de guerra a Marselheza …
Desaba um trono em súbita explosão!...

Papagaio real, diz-me, quem passa?
— É alguém, é alguém que foi à caça
Do caçador Simão!...