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sexta-feira, 20 de maio de 2011

[1395.] Veneris dies... no Dia da Independência de Timor

20 de maio de 2002

DIA DA INDEPENDÊNCIA DE TIMOR LORO-SAE


Gostava de voltar a Timor. Nunca estive em Timor, mas gostava de lá voltar. Como português - com 13 anos em 1992, na altura do Massacre de Santa Cruz, com 20 anos em 1999 e promotor de uma vigilia de solidariedade, em frente à Câmara da Mealhada - sinto Timor com a mesma saudade de quem lá esteve, gostou e quer voltar.

A malta da minha geração - e especialmente a malta que gosta de Política - aprendeu a conhecer Timor com alguma profundidade. Os nomes de Xanana - ainda como comandante da FRETILIN, no mato, depois preso e torturado e julgado -, de Ximenes Belo - que já tive o grande orgulho de entrevistar -, de Ramos Horta, de Manuel Carrascalão, de Sérgio Vieira de Melo, não são estranhos, apesar de estarem nos antípodas... Lugares como Ermera, Liquiçá, Manatuto, Baucau, Dili são familiares, apesar de não os saber distinguir à vista! Aprendemos a traulitar os versos da música dos Trovante - na voz de Luís Represa, na letra de João Gil e João Monge - como se fossem um hino!

«Lavam-se os olhos, nega-se o beijo/Do labirinto escolhe-se o mar/No cais deserto fica o desejo/Da terra quente por conquistar. Nobre soldado que vens senhor/Por sobre as asas do teu dragão/Beijas os corpos no chão queimado/Nunca terás o nosso perdão».


Mas hoje é Veneris dies e as mulheres são quem mais ordenam aqui por casa!


E o que sofreram as mulheres timorenses, essas mulheres mauberes!

«Salgas de ventres que não tiveste/Ceifando os filhos que não são teus/Nobre soldado nunca sonhaste/Ver uma espada na mão de Deus»

Mulheres que apoiaram os filhos, os maridos e juntaram-se à luta. À luta nas montanhas, à luta nas comunidades - aparentemente subordinadas -, à luta no apoio aos presos e aos torturados, à luta na oração como último reduto de uma esperança negada!

«Da cruz se faz uma lança em chamas/Que sangra o céu no sol do meio dia/Do meio dos corpos a mesma lama/Leito final onde o amor nascia»


"LEITO FINAL ONDE O AMOR NASCIA"

As mulheres, essas heroínas, fazedoras de pátrias. Ou como dizia essa grande poetisa Natália Correia: Qual Pátria? Mátria! Mátria é que é verdadeiramente esta massa que somos!


Para o ano já fazem 20 anos o massacre de Santa Cruz. E 10 anos de Independência! Como o tempo passa!

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domingo, 12 de novembro de 2006

Quem diria...

22. Eu nunca estive sequer perto de um embaixador. Já estive perto de ministros, primeiros-ministros, presidente da República, mas nunca de um embaixador...
Fui à Pampilhosa, à Casa Quinhentista, fazer a cobertura do Magusto tradicional que lá fizeram e quando chego lá tive duas surpresas. A primeira foi o escultor Alves André, que fez o monumento ao bombeiro na Mealhada. è uma pessoa cujo trabalho aprecio muito. A outra surpresa foi a presença de um senhor timorense cuja cara não me era estranha, provavelmente da televisão. Tratava-se de Lopes da Cruz, o embaixador da Indonesia em Portugal...
Dirigi-me a tão proeminente figura e fiz-lhe as perguntas que se impunham. Disse-me no meio das respostas que "Portugal e Indonesia não têm nenhum conflito"... não têm mas já tiveram, pensei eu. Parece que está tudo sanado e 6 mil portugueses visitam a ilha de Bali (no arquipelago indonesio) todos os anos.

Sempre fui um descarado anti-Indonesia por causa da questão timorense, mas não só. Tenho pessima ideia de Sukarno e Suharto e Habibi e mesmo da Megawati Sukarno-Putri...
E depois, claro está, por causa das milicias indonesias em Timor depois de 1999...
Quando estava mais perto apercebi-me que este Lopes da Cruz era um dos pró-integração do referendo, ele e um Abílio qualquer... Parece que foi coerente... Tão corente que encomendou a Alves André uma estátua de João Paulo II para colocar ... EM DILI!

Quando cheguei aqui ao Jornal, olhei para a minha agenda e pensei... tenho que fazer um post no blogue... reparei então na inscrição de efemérides que lá tinha:

12 de Novembro - 1992 - Massacre de Santa Cruz - Timor-Loro sae

E há quem diga que não há coincidências! O tanas...
Quem diria que o primeiro embaixador a quem eu faria uma entrevista seria o da Indonesia.
E ainda por cima seria um timorense.
E ainda por cima no dia do Massacre de Santa Cruz, dia em que para mim (eu tinha 13 anos) descobri que havia um povo do antigo império português que estava a ser crucificado.