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quinta-feira, 9 de julho de 2015

[2132.] Discurso de Guy Verhofstadt no Parlamento Europeu, em 8 de julho de 2015

Na política portuguesa a definição de 'liberal' é pejorativa. Diz-se que uma pessoa é liberal para atacar alguém, querendo dizer que essa pessoa defende o capitalismo sem alma ou não tem preocupações sociais. Eu, no entanto, acredito que sou Liberal, mais liberal do que Conservador, mais Liberal do que Social-democrata.

O discurso de Guy Verhofstadt, belga, do lado dos flamengos, antigo primeiro-ministro, e hoje líder da Aliança dos Liberais e Democratas Europeus no Parlamento Europeu, em frente a Alexis Tsipras, sobre a Grécia, no dia 8 de julho, é esclarecedora da falta que os políticos liberais fazem num debate de partido único (do pragmatismo) ou bipartidarismo (os da Situação e os da Oposição).

De modo assertivo, Guy Verhofstadt disse o que ainda nenhum líder europeu tinha conseguido dizer, com verdade, e sem arrogância nem paternalismo, ao primeiro-ministro helénico e, acima de tudo, aos gregos. 

sexta-feira, 3 de julho de 2015

[2128.] A loba vestida de cordeiro


Christine Lagarde é a diretora-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional) e será uma das principais responsáveis, na minha opinião, pelo beco sem saída que se criou na Grécia e que vai cair num buraco sem fundo que vai ser o referendo do próximo domingo. Digo que ela é uma das responsáveis porque não é a única e porque o Governo grego é de tal modo irresponsável que não me parece que possa sequer responsabilizado por tanta asneira. O Governo Tsipras e Varoufakis é, oura e simplesmente inimputável.

Mas quando o Banco Central Europeu e o Eurogrupo queriam encontrar uma solução politicamente viável para a Grécia (soluções económicas não me parece haver) foi Lagarde que insistiu em meter mais lenha na fogueira. E foi a primeira a ficar ofendida com a postura anti-institucional de Tsipras e Varoufakis, a ponto de lhes chamar 'garotos'. E foi ela quem procurou sempre impor um plano ideológico para os gregos, quase que como se obrigasse a dar um beijo no próprio rabo. 
Por vontade dos europeus da UE o problema já está resolvido. Mas Lagarde não perdoa e não vai facilitar... Lagarde quer tanto um acordo como Tsipras...

terça-feira, 30 de junho de 2015

[2123.] Um outro Alexis, também ele grego, também ele dançarino...



Sirtaki (συρτάκι) 
é uma dança popular de origem grega, criada em 1964 no filme Zorba, o grego. 
Não é uma dança tradicional grega, mas uma mistura de ritmos lentos e rápidos da dança foclórica grega hasapiko. A dança e a música (por Míkis Theodorakis) é também chamada de "Zorba's dance". O nome sirtáki vem da palavra grega syrtos, um nome comum de um grupo cretense.

No filme Zorba, o grego, o protagonista interpretado por Anthony Quinn, também se chama Alexis, como o primeiro-ministro grego e líder da coligação Syriza.

E parece-me que as semelhanças não ficam por aqui...

"Basil é um escritor greco-britânico que cresceu na Inglaterra e agora passa por uma crise de criatividade e quer ir para Creta, a terra natal de seu pai. Enquanto espera para embarcar no navio que o levará à ilha, cuja saída está atrasada por causa do mau tempo, ele conhece o Zorba, um grego simples e entusiasmado, com vários apelidos, segundo ele próprio conta (um deles é "Epidemia", pois espalharia o caos aonde passa). Zorba simpatiza com Basil e pede que ele o leve na viagem, como seu intérprete e talvez cozinheiro. Basil explica que pretende reabrir a mina de linhito de seu pai e quando Zorba conta que tinha experiência com mineração, Basil concorda com a sua companhia.
Ao chegarem ao vilarejo rural onde fica a mina, os dois instalam-se na pensão pomposamente chamada "Hotel Ritz", de Madame Hortense, uma ex-cortesã francesa e agora uma solitária mulher. Enquanto Zorba e Hortense se tornam amantes, Basil fica conhecendo "a viúva da janela", disputada por todos os homens do vilarejo que, contudo, os rejeita violentamente. Ao ver Basil ela se interessa por ele e Zorba percebe isso, mas o homem prefere ignorá-la e a toda e qualquer mulher e continuar com seu projeto de mineração.
Quando começam a trabalhar na mina, Zorba e Basil descobrem que as madeiras estão podres e tudo está prestes a desabar. Zorba percebe que precisam de madeira nova e avista o bosque no alto da montanha, que pertence a monges que vivem isolados. Zorba arranja forma de convencer os monges a autorizarem o derrube de árvores e tem a ideia de construir uma espécie de teleférico, que permitirá transportar os toros montanha abaixo, em alta velocidade. Basil concorda com o plano, que, se falhar, o deixará sem todas as suas economias e inviabilizará o seu futuro como empresário mineiro."
in wikipédia...

domingo, 28 de junho de 2015

[2121.] Solidariedade é uma estrada com dois sentidos.

Todas as palavras sobre a Grécia já foram escritas. Neste momento só falta resolver o problema. Cada dia que passa há dados novos - mesmo quando nada acontece é relevante - e o assunto parece que vai assolar a Europa (e talvez até o mundo) o verão inteiro...
Ontem à noite, o anuncio de Tsipras de marcar um referendo para saber se o povo quer aceitar a proposta dos credores apanhou toda a gente de surpresa. Provavelmente, se tivesse dito que se demitia provavelmente não teria provocado tanta consternação. Mas parece-me que nem em relação a isso Tsipras foi honesto... Ele não quer saber o que diz o povo, ele quer, apenas, duas coisas: Quer libertar-se do ónus das consequências de uma decisão (fosse ela qual fosse teria problemas); e Queria mais um mês de adiantamento e financiamento - foi isso que pediu imediatamente e foi isso que hoje o Eurogrupo lhe negou...

Quando foi eleito apresentou-se como se tivesse descoberto o segredo de Midas. O seu entusiasmo garantia que ele sabia como sair da crise sem austeridade e sem sair do euro. O próprio António Costa, em Portugal, mostrou-se entusiasmado com a formula de "sol na eira e chuva no nabal". Ora acontece que o segredo de Tsipras era muito mais simples do que poderia parecer: Bastava chegar à Europa e dizer que queria continuar a receber dinheiro, mas sem austeridade. Porquê? Porque se não a Grécia sairia do Euro e da União. Os ministros do outro partido da coligação que suporta Tsipras chegou mesmo a dizer que a Grécia estava disposta a escancarar as fronteiras para deixar entrar os imigrantes e os terroristas do Estado Islâmico direitinhos para a Alemanha.

Parece-me que os últimos meses foram passados, com grande paciência por parte dos parceiros europeus, a explicar aos governantes gregos que o dinheiro não se multiplica por osmose e que a solidariedade não é uma estrada de via única. Schauble chegou mesmo a dizer que não há promessas sérias se feitas a contar com o dinheiros dos outros.

O FMI perdeu a paciência muito mais cedo, e manteve uma postura que me parece completamente errada, a de impor um plano ideologico aos países que apoia. Mas do Eurogrupo e do Banco Central Europeu Tsipras não tem qualquer razão de queixa. Tudo lhe tem sido perdoado e tudo lhe tem sido concedido... mas há limites.
E o limite parece-me que pode ter sido atingido com este numerozinho do referendo.

A Grécia e os gregos podem e devem falar de solidariedade. Os europeus têm um dever de solidariedade para com todos os países da União. Mas há limites. O povo grego pode não ter culpa dos políticos que teve e tem tido. Mas não foram os alemães que votaram em Papandreau, e depois em Samaras e agora em Tsipras. O povo grego pode olhar para o que lhe foi cortado e dizer que é muito, que é demais. Mas tem de olhar para o salário médio de um português, e para o facto de ninguém na Europa ter ou ter tido 15 salários por ano, e para o facto de ser dificil de compreender para qualquer pessoa que o Estado não cobre impostos, não cobre eletricidade ou não cobre rendas. Os gregos têm de perceber que se estão dispostos a receber o dinheiro dos Europeus têm de viver pelo menos com o que têm os europeus em igualdade de circunstâncias.

A Europa pode estar à beira da falência política, e a entrar em águas desconhecidas. Mas os estados e os povos têm de perceber que a solidariedade é uma estrada com dois sentidos e não apenas com o que vem ao encontro dos nossos interesses.

No domingo, dia 5 de julho, perceberemos se o povo grego compreende isso. 




sexta-feira, 19 de junho de 2015

[2101.] A Valsa do Sai Não Sai


Mais um dia de "Valsa do Sai Não Sai". 
Mais um dia em que ninguém quer que a Grécia saia do euro, mas em que nada acontece para que saia ou não saia. 
Mais um dia em que a arrogância da esquerda grega (e europeia) fala da solidariedade do perdão cego. 
Mais um dia em que à direita falta coragem para assumir decisões. 
Mais um dia em que se faz a apologia do "que se lixem as regras!".
Mais um dia em que a Europa demonstra que não tem sustentabilidade política para resolver problemas.

Mais um dia de miséria.

sexta-feira, 7 de março de 2014

[1844.] Bono says

"A Europa é um pensamento
que se tem que transformar num sentimento"
 
Bono Vox, no Congresso do Partido Popular Europeu, em Dublin

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

[1831.] Agir. Reagir. Decidir.


 
Estamos a três meses das Eleições para o Parlamento Europeu. O único momento próximo de uma democracia que 57 anos de união europeia concederam. Em 25 de maio (os ingleses votam à quinta...) os europeus escolherão um parlamento e depois disso, as maiorias ditarão um novo presidente da comissão e depois um presidente para o conselho europeu.
 
Precisamente três meses antes vemos os partidos políticos portugueses, conservadores como não podiam ser mais, apresentar os cabeças de lista do costume. Sem novidades, sem nada de motivador. João Ferreira outra vez pela CDU, Marisa Matias outra vez pelo Bloco de Esquerda, Paulo Rangel e Nuno Melo outra vez pelo PSD/CDS, Francisco Assis (mais uma vez) pelo PS. E mais uma vez as esquerdas não se entenderam e Carvalho da Silva não pode aparecer como o congregador da Esquerda Portuguesa (talvez fique para as Presidenciais). O Partido Livre ainda não tem cabeça-de-lista, mas quase que aposto que será Rui Tavares...
 
Mesmo assim, um ano após o ANO EUROPEU DO CIDADÃO, a União Europeia sugere como mote para as próximas europeias o lema «Agir/Reagir/Decidir». Parece ser ridículo, depois de uma crise onde os nossos líderes nos deram a entender que os alemães eram mesmo mauzões, que Merkel é nome de vilã, que os franceses são chauvinistas, que os gregos são preguiçosos, que os irlandeses é que são os meninos bonitos e que os ingleses já não querem saber de nós.
 
Vai ser difícil votar em 25 de maio. A melhor ação poderá ser a reação natural de não querer participar no que já está há muito decidido! 

segunda-feira, 6 de junho de 2011

[1403.] Apontamento ideológico

Lista das correntes ideológicas (e famílias políticas europeias) dos chefes de Governo dos 27 membros da União Europeia, depois da indigitação como primeiro-ministro, hoje, de Pedro Passos Coelho.

ESQUERDA
Partido Socialista Europeu
AUSTRIA
GRÉCIA
ESLOVÉNIA
ESPANHA

Partido Comunista
CHIPRE

DIREITA
Partido Popular Europeu
BÉLGICA
BULGÁRIA
FRANÇA
ALEMANHA
HUNGRIA
IRLANDA
ITÁLIA
LETÓNIA
LITUANIA
LUXEMBURGO
MALTA
POLÓNIA
PORTUGAL
ROMÉNIA
ESLOVÁQUIA
SUÉCIA

Partido Europeu dos Liberais Democratas e Reformistas
ESTÓNIA
FINLANDIA
PAISES BAIXOS
DINAMARCA

Grupo Europeu dos Conservadores e Reformistas
REINO UNIDO
REPÚBLICA CHECA
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segunda-feira, 4 de abril de 2011

[1324.] Da politica

No sábado, 2 de abril, José Luiz Rodrigues Zapatero (ZP), presidente do Governo espanhol, anunciou numa reunião do Comité Federal do seu partido - o PSOE (Partido Socialista Obrero Espanhol) - anunciou a sua decisão de não ser candidato a chefe do Governo nas eleições de Março de 2012.



A sucessão de ZP numa altura de crise das Espanhas - quase tão má como a nossa - demonstra que aquela ideia de que os mercados não gostam de mudança nas lideranças é falsa. Vamos lá ver se é desta vez que Rajoy - o galego líder do PP - vence os socialistas, muito provavelmente frente a Rubalcaba, o todo-o-poderoso ministro do Interior e vice-primeiro-ministro.
Rajoy já exigiu hoje eleições antecipadas - o que não me parece grande ideia -, mas não deixa de ser esquisito que ZP não tenha consciência de que está a meter fogo ao paiol numa altura muito critica da história da Espanha, quando daqui a pouco mais de um mês, a 22 de maio, tem eleições municipais e autonómicas. Por outro lado, do seu discurso resulta claro um forte sentido de responsabilidade que importa salientar. Uma decisão pessoal - a da não recandidatura e a do seu anuncio - que certamente fará história e case study.

Com a eventual saída de Sócrates e do PS do Governo português, e de Zapatero e do PSOE do governo espanhol, fica a Europa ainda mais liberal e ainda mais à direita. Se há poucos anos, as lideranças europeias eram maioritariamente de esquerda, hoje - ou daqui a uns meses - com Cameron, Merkel, Sarkozy, Barroso, Rompuy, Juncker e Berlusconi, por exemplo, e Coelho e Rajoy, entretanto - a coisa muda de figura. Não sei se melhora, mas muda! Pode ser que seja a Direita a resolver uma crise que a Esquerda acusa de ter sido provocada pelo neo-liberalismo!

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Se Zapatero, a um ano, pode ser acusado de ter anunciado a sua não recandidatura demasiado cedo, então a recandidatura de Obama - anunciada hoje, mesmo que de forma informal é de dificil qualificação.
É lógico que já se antevia que Obama se recandiataria. Mas fazer este anuncio - com o inicio da angariação de fundos - que acontecerão em Novembro de 2012, daqui a 19 meses, é capaz de ser um bocado inusitado... não sei.
O presidente lá saberá as linhas com que se cose... Mas também aqui, a forma encontrada para fazer este anuncio, com este "anuncio publicitário", não deixa de ser um caso a estudar. A campanha de Obama foi muito estudada e valorizada pelos homens do marketing político... valerá a pena acompanhar as novidades da temporada 2012!



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