Há uma antiga praxe de Coimbra que leva os caloiros junto do Monumento a Camões, junto do exemplar do Panthera Leo que lá está a rugir, na base, e lhes é pedido que digam, comprovando cientificamente se o exemplar é um macho ou uma fêmea. O caloiro é incentivado a aproximar-se do animal e procurar o órgão reprodutor masculino. Não o encontrará e dirá que se trata de uma fêmea. Naturalmente, e porque tem juba, o doutor dir-lhe-á que se trata de um macho e que a cena de ridicula apalpação seria despropositada.
O César é teimoso. Certo dia, em conversa solta, comentei que o Monumento a Camões já teve mais sitios na cidade do que importância para os coimbrinhas... Hoje (diga-se em abono da verdade) ocupa lugar proeminente na Avenida Sá da Bandeira, quase em frente ao Centro Comercial Avenida, mas também já esteve escondido na Rua do Arco da Traição, ao lado do Instituto Universitário Justiça e Paz, sem que ninguém desse por ele. Dizia eu ao César que o lugar originário do monumento foi no chamado largo das Mamonas, onde hoje se situa a Faculdade de Letras. No estilo que lhe é peculiar, o César chamou-me de burro, que tal coisa nunca teria acontecido e que eu estava a "espetar a tanga".
Passaram-se alguns meses quando, na Feira do Livro de Coimbra encontrei um livro chamado "Coimbra Antiga", telefonei ao César com ar de quem precisa de ser socorrido e ele, solicito, veio à Praça da República. Chamei-o junto do livro, mostrei-lhe quem era o burro, e fomos beber uma cerveja ao Cartola. A foto é esta.
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segunda-feira, 22 de julho de 2013
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
[1466.] Dia Vencido e Regressado

Hoje regressei à Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Cerca de cinco anos depois do último exame... regressei. Novamente como estudante, desta vez no Mestrado. Desta vez em Administração Pública.
Não notei grandes diferenças... Encontrei velhos amigos - refiro-me a pessoas - encontrei o mesmo ambiente, velhas curiosidades, velhos personagens, os mesmos cheiros, as mesma pronuncias - de norte e de fora -, os mesmo movimentos. Lembrei-me das minhas velhas angustias... E do sofrimento... e dos medos... e das expectativas... das tristezas... e das alegrias à saída de uma oral que correu bem ou de uma boa nota... ou até só da passagem com 10!
E se não devemos voltar ao sitio onde fomos felizes, à contrario sensu faz sentido regressar aos Gerais, ao olhar do Sá pinto, aos velhos ramos de flores azuis dos azulejos, à história inenarrável dos azulejos do andar de baixo dos gerais...
Fez sentido voltar.
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terça-feira, 11 de outubro de 2011
[1465.] Virgilio dixit
Há um número muito significativo de leitores deste blogue que são católicos. Textos meus sobre a Igreja são dos mais lidos de O fio dos Dias, curiosamente.Assim, e sem fazer análises sobre o assunto - pelo menos para já - sinto-me na obrigação de partilhar aqui o primeiro texto doutrinário do Bispo de Coimbra, D.Virgilio Antunes, intitulado “Possíveis caminhos para uma Nova Pastoral”, que proferiu nas "Jornadas do Clero", em Mira, para 90 padres da diocese de Coimbra, em 29 de setembro.
Trata-se de um texto profundo, de alguém que já conhece a diocese, que procurou conhecê-la profundamente e que aponta, já, caminhos de mudança e de transformação. Há aspectos que me suscitam grande reflexão e para os quais não sou capaz de ter opinião formada, mas parece-me ser de leitura obrigatória para todos os leigos, mas também para os que pensam que a Igreja Portuguesa, hoje, é de acéfalos sem espírito critico.
Sugiro a leitura AQUI ou AQUI (que foi onde li, depois do alerta do Padre Carlos Godinho)
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quinta-feira, 28 de abril de 2011
[1375.] Coimbra tem novo Bispo, o mais jovem da Conferência Episcopal

Annuntio vobis gaudium magnum;
Habemus Conimbrigae Episcopus:
Eminentissimum ac reverendissimum Dominum,
Dominum Vírgilio Antunes.
Acabou o tabu! Foi hoje anunciada a nomeação do Padre Virgilio Nascimento Antunes como o 65.º Bispo de Coimbra. Um ano depois de Dom Albino Cleto ter anunciado o seu pedido de resignação, e de muitos meses de grande especulação sobre quem lhe sucederia, a Nunciatura Apostólica em Portugal anunciou hoje [AQUI]a nomeação do até agora Reitor do Santuário de Fátima como Bispo de Coimbra, um homem do Saber e da Cultura, com 49 anos. Será o mais jovem Bispo da Conferência Episcopal.
Na mensagem que hoje mesmo dirigiu à Diocese de que, a partir de 3 de julho, será pastor, a primeira palavra de D.Virgilio Antunes é lançada aos jovens: «Dirijo-vos uma palavra especial, a vós, jovens, rapazes e raparigas, cheios de sonhos de uma vida grande e bela, que hoje encontrais tantos obstáculos à vossa realização. Convido-vos a procurar em Cristo, o vosso companheiro de todas as horas, a alegria e a esperança que buscais. Espero encontrar-vos frequentemente e dedicar-vos parte significativa da minha acção pastoral.» O que não deixa de ser um sinal muito positivo e fortíssimo que importa hoje, dia de grande alegria para toda a diocese, sublinhar. [A Mensagem de D.Virgilio Antunes à Diocese de Coimbra]
«Quando penso no convite que a Igreja acaba de me fazer e na aceitação que manifestei, volto sempre às convicções, já remotas, que me fizeram avançar no caminho da vida cristã e da vocação sacerdotal. Recordo que nos anos da juventude me deixei seduzir por Cristo, considerei que Ele era o “tudo” da minha vida e teria em mim o primeiro lugar. Desejei, desde então, estar disponível para servir onde a Igreja precisasse de mim. Procurando ser fiel ao Deus que me amou e que agora me chamou a um novo serviço, consciente das limitações e dificuldades, canto agradecido os seus louvores», refere o novo Bispo, na sua mensagem inaugural à Diocese.E acrescenta: «À Igreja de Coimbra une-me uma já longa ligação, desde o tempo em que aí fiz a minha formação teológica, até aos anos mais recentes de docência no Instituto Superior de Estudos Teológicos. Ao olhar para a Igreja que sou chamado a servir, gostaria de vos dizer que, a partir da fé na presença operante do Espírito Santo, vislumbro nela uma imensidão de potencialidades. Temos a graça de viver num tempo de grandes desafios à fé cristã e ao testemunho vivo de todos os membros da Igreja. Vejo diante de nós os desafios da nova evangelização, que nos pedem um novo entusiasmo e um novo fascínio pela pessoa de Jesus Cristo, o Evangelho que acolhemos e anunciamos. Confio no vigor da vossa fé, no vosso amor a Cristo e à sua Igreja; em comunhão uns com os outros e com Deus, podemos dar ao mundo novas sementes de esperança.
Pedi a Deus por mim, para que a minha presença no meio de vós constitua um serviço à fortaleza da vossa fé, um incentivo aos laços de comunhão eclesial».
Dom Virgílio do Nascimento Antunes tem 49 anos - e é o mais jovem dos Bispos Portugueses. É natural de São Mamede (no concelho da Batalha) e foi padre da diocese de Leiria-Fátima, desde 1985. Desde Setembro de 2008 que exerce as funções de Reitor do santuário de Fátima, um dos maiores santuários marianos do Mundo - o Altar do Mundo.
Especialista em ciências bíblicas, no Instituto Bíblico de Roma e na Escola Bíblica de Jerusalém, entre 1992 a 1996, Virgílio Antunes trabalhou também em várias paróquias, foi professor do ensino secundário, integrou a equipa de formação do Seminário Diocesano de Leiria (chegando a ser reitor, entre 1996 e 2005), assumindo ainda tarefas de formação de seminaristas em várias dioceses, nomeadamente no Seminário Maior de Coimbra.
Como biblista, lecciona grego e hebraico, e traduziu o texto da Carta aos Hebreus na Nova Bíblia dos Capuchinhos, além de ter publicado vários artigos em revistas da especialidade.
No santuário de Fátima, onde o seu mandato estava a ser exercido de forma discreta, tinha acabado de preparar o programa do centenário das aparições, que se assinala em 2017, e que na próxima semana irá ser debatido pela Conferência Episcopal, onde agora o novo bispo já terá assento e direito a voto, noticia o jornal Público.
Dom Albino Cleto, que está em Roma - para participar nas cerimónias de beatificação do Papa João Paulo II -, à Agência Ecclesia, declarou-se "cheio de alegria" e deu Graças pela nomeação de uma "pessoa que compreende perfeitamente e se sente preparada, mesmo que o não diga, para ser um grande bispo na diocese”. O Bispo cessante sublinha a necessidade de uma aposta na Pastoral Juvenil e na Pastoral das Vocações, como herança ao seu sucessor.
A data de ordenação episcopal de D.Virgilio Antunes está marcada para julho, havendo informações díspares a este respeito. A Agência Ecclesia garante que a ordenação acontecerá a 3 de julho - véspera da Solenidade da Rainha Santa Isabel -. Já outras fontes garantem que a ordenação decorrerá a 10 de julho.
Acaba, então, a especulação que durante um ano foi dando como certa a nomeação do actual Bispo Auxiliar de Braga, D.António Couto - numa primeira fase -, depois de D.Carlos Azevedo, Bispo Auxiliar de Lisboa, e, mais recentemente, há 15 dias, do Vigário Regional da Opus Dei em Portugal, Monsenhor José Espírito Santo. Estas especulações em nada beneficiaram a Diocese, que, reconheça-se com caridade, ansiava por conhecer o novo prelado. Durante um ano, mesmo que D.Albino não tenha adiado nenhma decisão (não sei), já cheirava a sucessão.
No dia 13 de abril postei aqui [1341.] n'o fio dos dias a noticia do Diário de Coimbra que garantia a nomeação do Vigário Regional da Opus Dei e no dia 23 de abril tive um número recorde de visitas a um mesmo poste num só dia - cerca de 720 -, com 10 comentários, o que demonstra bem a ânsia desta nomeação e de um desenlace.
Pessoalmente, não conheço o novo Bispo de Coimbra de modo suficientemente forte para fazer um juízo a propósito da sua nomeação. Como crente e leigo desta diocese manifesto o meu entusiasmo com a nomeação.
Entusiasmo esse que é galvanizado pelo facto de:
- Ter dirigido as primeiras palavras aos jovens da Diocese - que assim têm a obrigação de ser os primeiros a responder "presente" e a ajudarem o seu novo pastor na sua missão;
- Ser um jovem entre um grupo de bispos muito mais velhos e envelhecidos - que lhe dá uma missão de ser testemunho de juventude, dinamismo e vitalidade, e também nisso há-de receber a nossa ajuda;
- Ser um pedagogo, um intelectual e um homem do saber, com Mundo e com Vida de serviço à Educação e à Cultura, reunindo, assim, todas as condições para ser um grande bispo de Coimbra, diocese do Saber e do Conhecimento, da Cultura e do Pensamento.
Entusiasmado, deixo votos de sucesso e rezo ao Espírito Santo que ilumine o nosso novo Bispo!
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quarta-feira, 13 de abril de 2011
[1341.] Novo bispo de Coimbra (é da Opus Dei) e será conhecido no fim-de-semana

Monsenhor José Espírito Santo poderá ser o novo Bispo de Coimbra
O Diário de Coimbra anuncia hoje o nome do Monsenhor José Rafael Espírito Santo - atual Vigário Regional da Opus Dei em Portugal - como o 65.º Bispo de Coimbra, sucessor de Dom Albino Cleto, prelado desde 24 de março de 2001. O jornal de Coimbra reconhece que têm sido vários os nomes apontados como sucessores de Dom Albino - como o de Dom Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa -, mas anuncia que o Vaticano divulgará o nome do novo prelado no próximo fim-de-semana - Domingo de Ramos.
Noticia do DIÁRIO DE COIMBRA, de hoje 13 de abril de 2011.
«O próximo bispo de Coimbra vai ser o padre engenheiro José Rafael Espírito Santo, vigário regional em Portugal da Prelatura pessoal do Opus Dei. A notícia da nomeação vai ser feita oficialmente na Rádio Vaticano no próximo fim-de-semana, garantiu-nos fonte próxima da Santa Sé. 

O padre José Rafael Espírito Santo [na verdade é monsenhor] nasceu, em Lisboa, em 1959 (tem 52 anos) e obteve licenciatura em Engenharia Civil pela Universidade de Coimbra em 1982. Ordenado sacerdote em 1987, depois de completados os estudos teológicos em Roma, desenvolveu o seu ministério sobretudo no meio universitário como assistente espiritual do Opus Dei.
Recorde-se que D. Albino Cleto pediu, em Março de 2010, a sua resignação, por limite de idade, imposta pelo Código de Direito Canónico, aguardando-se há mais de um ano a nomeação do seu sucessor.
Durante todo este período foram adiantados vários nomes como prováveis sucessores de D. Albino Cleto, como foi o caso de D. Carlos Azevedo, bispo auxiliar de Lisboa. A certa altura, porém, admitiu-se que seria escolhido um sacerdote que ainda não seria bispo, tendo sido falado o nome do padre Virgílio Antunes, reitor do Santuário de Fátima. A escolha de José Rafael Espírito Santo acaba assim por ser uma surpresa e se associarmos a sua nomeação à de D. Pio Alves, recentemente, como bispo auxiliar do Porto, também ele da prelatura do Opus Dei, podemos estar perante um reforço de influência deste movimento na Igreja Católica em Portugal. Não deixa, ainda, de ser simbólica esta nomeação tendo em conta que foi em 1946 que começaram a chegar precisamente a Coimbra os primeiros membros do Opus Dei em Portugal.»
Aguardamos confirmação.
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terça-feira, 17 de agosto de 2010
[1135.] Marti dies
«Amor a Coimbra»
Estudantina da Universidade de Coimbra
[EM CONSTRUÇÃO]
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quinta-feira, 8 de julho de 2010
[1087.] Hoje... a Rainha desceu à cidade
Há tradições bonitas. Tradições que têm, na minha opinião, até muito pouco de religioso, para além da espiritualidade um pouco mercantilista do "é pagando que se recebe". Mas é bonita a tradição (até pagã) da santa que desce à cidade nos anos pares, onde permanece a dar Graças as Crentes até regressar a casa onde repousará vigilante por mais vinte e quatro meses.
Na minha espiritualidade pessoal, não me entram na cabeça as 'imagens venerandas', mas aprecio o que está para além do óbvio e a cidade que faz ressuscitar uma figura histórica da sua cultura e ver naquele pedaço de argila ou madeira (não sei bem) feito santa veneranda mostra muito de místico, muito de espiritual. Não pelo que a imagem é - que não é nada - mas por tudo aquilo que os homens, capazes de ver o abstracto, vêem nela. E pela necessidade que têm de estar frente-a-frente e de tocarem no transcendente.
Fui hoje à procissão nocturna da Rainha Santa Isabel. Ouvi, atentamente, a saudação feita por um padre à imagem da santa em nome dos conimbricenses. Gosto de sublinhar gestos feitos tradições porque repetidos ano após ano, mesmo que me sejam dificeis de entender. Gosto de ver que os homens se ligam, se religam, à espera do transcendente.
Isabel de Aragão foi esposa de um grande rei, "um poeta plantador de caravelas", que, ao que parece só para ela era bruto. Foi mãe de um outro bruto rei, que com o pai nunca se deu, assassino da nora, mas talvez por isso estadista e patriota. Foi avó de um rei ainda mais bruto, enraivecido de amor e chamado de justo. Do seu utero nasceu o que teria sido uma geração gloriosa de reis medievais portugueses, brutos, não tivesse sido ofuscada pela do bisneto João de Avis e sua inclita geração. Não sei se foi esposa dedicada, mãe exemplar ou avó extremosa. Não sei se fosse essa mulher que ontem ouvi descrever. Não sei, nem acho que isso seja importante. Está nos altares dos santos por ter fama de caridosa, de humilde, de "política" preocupada com os mais desfavorecidos.
Era a santa preferida do meu avô Hilário que deu o seu nome à unica e tardia filha. É padroeira de Coimbra, e é dela para sempre.
Que se sinta bem na cidade enquanto lá estiver. E regresse em paz.
domingo, 4 de julho de 2010
[1083.] Hoje
Dia da Rainha Santa Isabel
Padroeira de Coimbra
A cidade está em festa, é ano par, a Santa atravessa a ponte
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