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quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

[1778.] Choque e consternação


Ouvi, mas não processei... Agora, a noticia no site do Jornal da Mealhada [Aqui], e uma SMS para fonte segura, confirmam que não sonhei... (seria mais um pesadelo)...

A pintura de Josefa de Óbidos, a Virgem do Leite, que eu há uns meses - com a preocupação de não a localizar - apelidei de imagem santa, terá ardido no último dia 24 de dezembro. A peça, valiosíssima, eu diria que talvez a peça mais valiosa do património material da Mata - confesso que sou mais sensível à História e à Arte do que à Botânica...- ardeu na sequência de um curto-circuito que se deu no Convento de Santa Cruz do Bussaco. Lembro, agora posso dizê-lo, a pintura estava numa capela adjacente à nave central.

Interessa pouco, agora, chorar pelo leite derramado (sem fazer graçolas com ao título mariano em concreto), e fazer juízos sobre que razões poderão ter levado a que a FMB não tenha retirado o quadro, há vários meses, quando se percebeu que estava a chover dentro do convento.

Interessa, agora, que a nova administração da FMB divulgue publicamente o estado do quadro, se tem salvação ou recuperação possível. E acima de tudo, interessa que se arranje o telhado do convento - SE FOR PRECISO FAZER UMA SUBSCRIÇÃO PÚBLICA EU AJUDO!

A noticia foi divulgada pelo Presidente da Câmara, Dr. Rui Marqueiro, na cerimónia de posse do novo presidente da Fundação Mata do Bussaco - Dr. Fernando Correia.

Um dia triste, muito triste!

[em atualização - 03.01.2014]
 
A noticia está a ganhar o eco que seria de esperar. O Jornal de Notícias publicou o acontecimento [aqui] e dá-me a sensação que a coisa está a verificar a consternação generalizada. A própria FMB publicou comunicado à imprensa [aqui], apesar de ontem haver quem se procurasse 'matar o mensageiro' de tão triste noticia. As duas fotografias abaixo foram, precisamente, enviadas pela FMB a ilustrar a noticia. 
 
 
São, de facto, duas fotografias bem exemplificativas do esplendor da obra, que, descobri hoje, tem como denominação oficial 'Sagrada Família', apesar de o Povo a ter denominado, por devoção e culto de 'Virgem do Leite' ou 'Senhora do Leite', especialmente em auxilio das mães.
Descobri, também, que esta pintura de 1664 - não chegará a fazer os 350 anos -, no inventário do património adstrito à FMB, estava avaliada em cerca de 300 mil euros. Isso mesmo. Pelo que se impõe a pergunta que eu não quis fazer ontem... Como é que a uma peça deste valor estava numa condição de tão precária segurança? E não falo apenas da eventualidade de poder acontecer o que aconteceu - do curto-circuito no convento -, falo do facto de durante imenso tempo haver velas à beira desta imagem, e de não haver qualquer dispositivo de segurança contra roubos.
Agora já é tarde de mais, e não há culpados, o leite está derramado. Irremediavelmente.
 

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

[1154.] Mercurii dies

O Bussaco e as Sete Maravilhas

Os seiscentos e cinquenta mil votos que contribuíram para a eleição das “7 Maravilhas Naturais de Portugal” não elegeram a Mata Nacional do Bussaco. A noticia, não sendo uma surpresa – essa possibilidade esteve sempre em cima da mesa, desde o inicio – não deixa de proporcionar um certo paladar de frustração em todos os que se empenharam na promoção do Bussaco, votaram e foram acompanhando, com entusiasmo, o evoluir da candidatura e a superação das sucessivas etapas.
Na noite em que foram conhecidos os resultados, e já depois da consagração das “7 Maravilhas Naturais de Portugal”, no Facebook – uma das redes sociais que serviu como plataforma para grande parte da campanha feita em prol do Bussaco – alguém (que não identificamos por não termos pedido autorização) declarava: “Não vencemos mas ganhámos! Ganhámos em proximidade, em preocupação, em maior atenção ao rico património natural que é o nosso! E este é o desafio que não pode terminar aqui! Ser finalista criou um espírito que agora não pode retroceder! Parabéns a todos os que se empenharam em eleger a mata do Buçaco. Parabéns a todos os que foram eleitos!”.
Este comentário reflecte bem e vai ao encontro do que procurámos salientar no Editorial que publicámos a 1 de Setembro: “A importância deste concurso está muito mais na campanha, no burburinho e na divulgação das candidaturas que permitiu, do que no valor intrínseco da distinção no futuro. Também neste caso – e esta é apenas a nossa opinião – o caminho é mais importante do que o acto de chegar ou de ser o primeiro”.
Uns acreditam que se trata de sorte, outros falarão em coincidências, alguns dirão que é a Providência. O que é um facto é que este concurso das “7 Maravilhas Naturais de Portugal” apareceu na altura ideal, surgiu como a grande oportunidade, o óptimo argumento para – depois de criada a Fundação Bussaco – se restabelecerem e fortalecerem os laços entre aquele património e a população. E a oportunidade foi aproveitada com grande sucesso, e isso sim, é digno de registo.
“Do caminho feito ficam três garantias. A primeira é a de que o Bussaco é um património natural riquíssimo (mesmo que tenha sido plantado pelo homem, não deixa de ser uma grande obra da natureza) que não tem paralelo em Portugal. A segunda garantia é a de que o facto de não ser, ainda, Património da Humanidade é, apenas, circunstancial e de natureza meramente política. A terceira garantia é a de que a comunidade da região e do concelho da Mealhada, especialmente, recebeu a ‘devolução’ do Bussaco de braços abertos e está ansiosa por se envolver na sua requalificação e em causas comuns de mobilização colectiva”, dissemo-lo há quinze dias e sublinhamo-lo hoje, especialmente.

Tivemos oportunidade de, na pessoa do presidente da Fundação Mata do Bussaco, antes mesmo de se saberem os resultados divulgados a 11 de Setembro, retribuir o agradecimento que dirigiu ao Jornal da Mealhada por “toda a amizade e carinho que tem demonstrado pela Mata Nacional do Buçaco, pela promoção e divulgação da nossa Região, do nosso Património e da nossa Mata!”. Nessa altura, fizemos questão de salientar que o Jornal da Mealhada procurará estar, sempre, – com a parcialidade de quem tem como mote ser um jornal “regionalista”, com vinte e cinco anos, criado “na defesa intransigente dos interesses da região onde se insere” – na linha da frente de todas as causas que promovam o património, os valores e as pessoas do concelho da Mealhada e da região. Continuaremos sempre prontos para Servir.

Editorial do Jornal da Mealhada de 15 de Setembro de 2010
O trecho a itálico não foi publicado na edição impressa do Jornal da Mealhada

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

[1136.]

Abraçar o Bussaco!

O desafio é simples: fazer um cordão humano, à volta da cerca do Bussaco, envolvendo todo o perímetro da Mata Nacional do Bussaco. São 5 quilómetros, logo serão necessárias cinco mil pessoas para realizar este feito épico.

Vamos fazer isto na manhã do dia
5 de Setembro de 2010
A partir das 9 horas da manhã!


«No próximo dia 5 de Setembro, um domingo, quando faltarem dois dias para terminar a votação popular para a escolha das 7 Maravilhas Naturais de Portugal, cinco mil pessoas darão as mãos, fazendo um cordão humano, num abraço literal à Mata Nacional do Bussaco. Este é, pelo menos, o objectivo da Fundação Mata do Bussaco, que, assim, realiza uma última iniciativa de envolvimento da comunidade na eleição das Maravilhas Naturais de Portugal.“Abrace o Bussaco”, literalmente, é o apelo que a Fundação Mata do Buçaco está a lançar à população do concelho da Mealhada e dos concelhos limítrofes, bem como a toda a região. Segundo a contabilidade dos promotores, serão necessárias cerca de cinco mil pessoas para que seja possível cercar a Mata do Buçaco através de um cordão humano.A Mata Nacional do Buçaco está entre as 21 finalistas na eleição das “7 Maravilhas Naturais de Portugal”, sendo que um dos objectivos da Fundação ao organizar este acontecimento é apelar e promover, mais uma vez, o voto, para que a Mata possa ser uma das sete maravilhas naturais de Portugal. Numa contagem parcial dos votos, a 7 de Agosto, a Mata do Bussaco já figurava na lista das eleitas, mas a um mês da escolha final não há, ainda, garantias que possam ser dadas nesse sentido.

A Fundação Mata do Bussaco está a convidar toda a população e a procurar o envolvimento de várias associações da região [entre as quais os agrupamentos de escuteiros da zona] com o objectivo de envolver o máximo de pessoas possível.

Os organizadores solicitam às pessoas interessadas em participar que se inscrevam através do telefone
número 231 937 000 ou
do email abraceobussaco@fmb.pt.

A concentração dos participantes está marcada para as 9 horas em local ainda a designar.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

[1082.] Veneris dies

Amélia de Orleães
(1865 - 1951)
Ultima rainha de Portugal

Uma grande mulher. Provavelmente a principal figura da última corte portuguesa. Sublinhamos, hoje, a coragem de uma mãe que sobreviveu aos filhos. Ao filho nascido para ser rei, Luís Filipe, e ao filho que não nascendo para isso foi o último rei de Portugal.
Manuel de Bragança morreu faz hoje 78 anos. E como deve ter sido dificil para esta mulher aguentar essa finalissima perda.

A Rainha Dona Amélia é uma espécie de mãe do Bussaco, na terceira idade deste espaço. Ela sim devia ser homenageada no Bussaco - a 28 de Setembro, dia em que nasceu, ou a 25 de Outubro, data da sua morte -, mesmo em aniversário da República. Porque também se elogia a República quando se compreende e homenageia os que a antecederam, porque ser republicano é ser justo, fraterno, solidário e igualitarista.
O Bussaco foi um dos locais que exigiu visitar na última visita que fez a Portugal, em 1945. Pediu algumas das pessoas que viviam em Luso, e das quais se recordava, que a fossem visitar ao Palace, onde as homenageou com a sua simpatia.
ADENDA A 03.07.10
Uma das homenagens interessantes que podia ser prestada a Dona Amélia de Orleães era dar o seu nome ao prémio de poesia que a Fundação Mata do Bussaco e a Câmara Municipal da Mealhada criaram recentemente. A Rainha era uma mulher de cultura e certamente enobreceria o prémio com a sua evocação.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

[1046.] Boa noticia: Miguel Sousa Tavares apadrinha Mata do Bussaco para Sete Maravilhas Naturais

O escritor e jornalista Miguel Sousa Tavares é o padrinho da candidatura da Mata Nacional do Bussaco às Sete Maravilhas Naturais de Portugal. A lista do padrinhos e madrinhas dos vinte e um finalistas foi anunciada ao inicio da noite de hoje, quinta-feira, 26 de Maio, em Lisboa.

Lista dos padrinhos das 21 canddatas às Sete Maravilhas Naturais de Portugal:

Mata Nacional do Bussaco - Miguel Sousa Tavares (escritor e jornalista); Paisagem Vulcânica da Ilha do Pico - António Cabral; Portinho da Arrábida - Luis Buchinho (estilista); Praia do Porto Santo - Fátima Lopes (estilista); Pontal da Carrapateira - Dr. Francisco Pinto Balsemão (empresário e antigo primeiro-ministro); Ria Formosa - Prof. Francisco Nunes Correia; Portas de Ródão - Mestre Manuel Cargaleiro (pintor); Vale do Douro - Dr. Rui Moreira (empresário); Paisagem Cultural de Sintra - Joaquim de Almeida (actor); Algar do Carvão - Lúcia Moniz (cantora e atriz); Floresta Laurissilva - Joe Berardo (empresário); Vale Glaciar do Zêzere - Elisabete Jacinto (desportista); Parque Natural da Arrábida - Ana Sobrinho; Grutas de Mira de Aire - Eng. Vitor Barros; Lagoa das Sete Cidades - Medeiros Ferreira (deputado); Furna do Enxofre - Maestro Vitorino de Almeida (músico); Ponta de Sagres - Luis Represas (cantor e compositor); Arquípélago das Berlengas - Rui Veloso (cantor); Reserva Natural da Lagoa de Fogo - Prof. Galopim Carvalho (investigador); Parque Nacional da Peneda Gerês - Rosa Mota (antiga maratonista); Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina - Tim (cantor e compositor).

Analisando a lista, parece-me que a escolha de António Jorge Franco foi acertada e muito inteligente.

*

* ******** *

Haverá, certamente, vários textos em que Miguel Sousa Tavares demonstra o seu gosto e apreciação pelo Bussaco. Eu não consigo citar muitos... Não deixo, no entanto, de achar simpático e sintomático desse Amor, que Luis Bernardo Valença, o protagonista do best-seller de Sousa Tavares, 'Equador', tenha escolhido o Bussaco para se despedir de Portugal continental e a ele tenha dedicado palavras tão ternas como estas:

«O último fim-de-semana em Portugal fez questão de o ir passar ao Palace, no Bussaco, um dos seus locais preferidos. "Quero levar o Bussaco nos olhos e na alma!" - declarou, em tom tão trágico, que o João Forjaz, o Filipe Martins e o Mateus Resende, os seus amigos mais próximos, se apressaram a dizer que iam também. Tinham planeado uma escapadela a Coimbra, para "uma farra das antigas", mas ninguém o arrancou da varanda do Palace, onde passou duas manhãs e uma tarde a olhar obsessivamente para a mata, perdido em considerações filosóficas do género "junte-se-lhe uma mulher e um bom livro e tudo o que um homem precisa para ser feliz está aqui!”. Em contrapartida e confirmando a sua tese, atirou-se ao menu do Palace com o apetite de um condenado, devorando tudo o que constava da lista e insistindo em terminar sempre com o leitão assado. Para grande deleite dos amigos, invocou a sua nova condição de rico sem destino que dar ao dinheiro e ofereceu as bebidas durante todo o fim-de-semana, indiferente aos preços que os melhores vinhos da célebre cave do Palace ostentavam. Comeu, bebeu e fumou como se disso dependesse a salvação da sua alma e acabou arrastado para o comboio em condições impróprias para um governador de nomeação régia.»

Inexplicavelmente a série da TVI adaptando o livro à televisão, não tem esta cena.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

[1032.] Hoje, Ano I da Fundação Mata do Bussaco


Foto JM by MSL
Assinala-se hoje o primeiro aniversário da Fundação Mata do Bussaco (FMB). O decreto-lei que criou a Fundação é de 19 de Maio, apesar de ser esperado desde Fevereiro desse mesmo ano. A Fundação liderada por António Jorge Franco fez bem em lembrar a efeméride, em consagrá-la formalmente como o dia da fundação da Fundação.


A FMB acabou por ser a solução institucional que se conseguiu arranjar para resolução de um problema sério, grande e urgente que o país tinha em mãos. Merece, por isso, todo o empenho que nós, os que amamos a Mata, estivermos dispostos a dar, não pela FMB, mas pela Mata em si, pelo que ela representa e pelo património que congrega.

Estou convencido que a FMB marca o dealbar da 'quarta idade do Bussaco' - como epitetou o professor Carvalhão Santos. Deve procurar ser uma instituição da Mata, para a Mata e por causa da Mata. Deve procurar financiar-se sem depender daqueles que foram - até há bem pouco tempo - os seus principais agressores. Deve contar com o apoio dos amigos e valorizá-los.

Fui convidado para participar na sessão solene do aniversário e fiz questão de estar presente. Valorizo a história da Mata do Bussaco - acho que isso é notório - e não me darei ao luxo de deixar de poder testemunhar o que estiver ao meu alcance viver.

Não serei certamente censurado se disser que nos discursos que ouvi - diria que três discursos e meio* - senti a falta de duas referências fundamentais e às quais a História da Mata do Bussaco não pode ser alheia:
- Não é justo assinalar este aniversário sem enaltecer o trabalho de Carlos Alberto da Costa Cabral pela resolução do problema que assolava a Mata Nacional do Bussaco. Trata-se de um homem que na cirscunstância é o presidente da Câmara Municipal da Mealhada, sem a intervenção do qual este problema nunca seria resolvido. Foi Cabral que conseguiu mover esforços, nomeadamente junto do primeiro-ministro, para que o problema tivesse a atenção que merecia. Foi a sua insistência e o seu estatuto dentro do partido e da Adminsitração Central que fez com que o assunto voltasse a ser debatido depois da 'falência' do modelo da Reggie Cooperativa e chegasse a bom-porto. Teve, na circunstância preciosa ajuda de outras pessoas, que, conscientemente ou não, ajudaram a estratégia do presidente da Câmara. Cito autarcas, deputados e dirigentes do PSD e do Partido Socialista da Mealhada que, ocupando lugares de Estado e cargos partidários, mantiveram o assunto na ordem do dia ao longo de bastante tempo.

Por outro lado, há uma segunda referência cuja ausência me chamou a atenção. Não compreendo que não se tenha feito um elogio público à pessoa de Ascenso Luís Seixas Simões, à época, secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural. Foi este homem que decidiu resolver o problema da gestão da Mata do Bussaco. Foi ele que obrigou à negociação entre cinco ministérios para se encontrar uma solução juridica viável. Foi ele que obrigou a que o assunto ficasse completo antes da nomeação de um novo Governo. Foi ele que garantiu que esta não seria mais uma oportunidade falhada para a Mata Nacional do Bussaco.

Parabéns à Mata Nacional do Bussaco, à FMB e o meu muito obrigado aos obreiros de uma solução cujos defeitos certamente se conhecerão, mas cujas imensas virtudes são já notórias e notáveis.

* Uma vez que não percebi porque razão foi dada a palavra a uma chefe de gabinete de um secretário de Estado, estando presente o Governador Civil...