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quinta-feira, 9 de julho de 2015

[2124.] Legado e Serviço

Perpassam hoje três anos sobre o dia em que, em família, os Castela - Canilho, reabrimos o Restaurante Hilário, fundado pelo meu avô materno e em funcionamento desde o dia 1 de janeiro de 1973.
A decisão foi amplamente maturada e tomada em consciência, num momento decisivo das nossas vidas colectivas e pessoais. Ao longo destes três anos muita coisa tem acontecido, com avanços e recuos, com conquistas e perdas, mas sempre em unidade, sempre com um sentido de família muito forte, de conjunto, de legado e de serviço.

Parabéns à mãe Isabelinha, ao pai Zé Augusto e ao irmão Diogo.



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

[1980.] Dia vencido – 12.II.2015

α 

O avô Hilário faria hoje 110 anos. O Ti' Hilarito era um figurão. Durante metade da vida não teve nada e foi feliz, na outra metade teve tudo - incluindo duas taludas na lotaria - e viveu a mais completa das infelicidades. Um grande homem de palmo e meio.

β
Numa coisa Tsipras e os gregos têm razão: Há regras democráticas que têm de ser respeitadas e os acordos financeiros e de apoio financeiro não podem ser uma ingerências nos países apoiados. Veja-se o caso do apoio do FMI à Ucrânia...
Tudo bem que o FMI empreste 17,5 mil milhões de dolares e daí queira algumas garantias... mas parece demasiado exigirem por exemplo, a privatização do sector energético da Ucrania. Isso já entra no domínio do ideológico. O FMI não pode - em troca do apoio a uma país em guerra - exigir que o país ofereça os aneis e assume uma agenda ideológica diferente daquela que os cidadãos escolheram para o seu futuro. Há limites!

γ
O vulcão da ilha da Reunião, onde estive há dois meses, o Piton de la Fournaise, está em erupção desde o dia 4 de fevereiro. Não posso deixar de dar uma palavra de solidariedade a todos os amigos reuneses que nos receberam tão bem.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

[1779.] 'Mariazinhas' resilientes

Soube do falecimento da Dona Maria 'do Rei', na quinta-feira. Confesso que estava convencido que a senhora já havia falecido há muito tempo. Lembro-me de a ver na casa da minha avó Maria, há muitos anos, de as ver conversarem e de achar que eram amigas. Foi uma senhora que me habituei a ver pelas imediações. Foi ela que mandou construir a torre que neste momento sustenta o sino da capela de Sernadelo, e dessa benemerência ficará registo histórico.
Soube hoje que se chamava Maria Olímpia Alves Ferreira e que tinha 88 anos. Os meus sentimentos à família.

O que gostava de sublinhar nesta evocação é a força que estas mulheres, as que apoiaram os maridos, que deram a cara, o corpo e muitas delas a saúde pelo projeto coletivo de que hoje nos orgulhamos tanto que são os restaurantes da Mealhada. Não sei se algum dia alguém se dedicará a fazer a história dos restaurantes de leitão de Sernadelo e da Mealhada, da sua fundação e do crescimento que tiveram ao longo de décadas, e das famílias que sob eles se desenvolveram e prosperaram. Espero que se algum dia isso for feito, não se esqueçam das 'Mariazinhas' que os construíram - como a minha avó, a Dona Maria Olímpia, ou a Dona Soledade, por exemplo.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

[1743.] É Hilário, fadista, em 1932, no Choupal


É Hilário, fadista. Não é o Augusto do Fado. É o ti'Hilarito de Sernadelo. 
É o meu avô, em 1932, no Choupal, de Coimbra, do Hilário, Augusto.

Não era grande guitarrista (nem tão bom músico como o irmão Alexandre), mas dava uns toques... era um curioso, um galã, que de dia era caixeiro no Arnado e à noite acompanhava uns doutores na gandaia. Gostava do copito, era uma jovem. Nesta altura tinha 27 anos. Faltariam dez para regressar a casa, a Sernadelo, para ajudar o cunhado a construir um império!

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

[1518.] A tradição na Arte de Bem Servir...


HILÁRIO RODRIGUES CASTELA nasceu em Sernadelo, em 12 de fevereiro de 1905, filho, o segundo de cinco, de um carpinteiro do Palace Hotel do Bussaco.
Muito jovem, seguiu para Coimbra, para fazer estudo na Escola Comercial da cidade. Empregou-se como caixeiro e ali viveu até à decada de 1940, altura em que regressou a Sernadelo para ajudar o cunhado - Álvaro Pedro - a abrir um novo estabelecimento - o que viria a transformar-se no "Pedro dos Leitões".
Em 1956 casa-se com MARIA DA SILVA GUARDA, ganha a lotaria por duas vezes, é pai, e investe o que ganhou numa vivenda na terra natal.
 
 
A primeira equipa do Restaurante Hilário, em 1973.

Em 1 de janeiro de 1973, Hilário Rodrigues Castela, com a esposa e a filha, estabelece-se por conta própria. Abre o "Restaurante HILÁRIO", e na retaguarda um conjunto de quatro quartos que aluga como residencial. Durante aproximadamente dez anos fará a exploração dos dois estabelecimentos. 
No inicio da década de 1980 cede a exploração do restaurante, e é Mariazinha, a esposa, que fica a gerir a residencial, que expande de maneira muito significativa, primeiro juntando mais seis aos quartos que tinham, e mais tarde, em 1987, mais quinze.

A Residencial Hilário tornou-se, então, num espaço de paragem obrigatória de viajantes e especialmente de peregrinos a caminho de Fátima, que ali encontravam todo o conforto - em ambiente acolhedor e familiar - a um preço extraordinariamente económico.
 
No inicio do ano de 2005, Mariazinha, já com 80 anos, começa a transferir a gestão do espaço e do património que foi construindo aos netos, e em finais de 2008 começa uma nova fase do complexo Restaurante e Residencial Hilário. Filha, genro e netos encetam um processo de ampla reconversão do espaço, com a renovação completa da residencial, com a conversão de alguns espaços em apartamentos T0 e T1 e com a construção de um Albergue de Peregrinos - de inspiração jacobeia com lotação para mais dezasseis pessoas. Numa terceira fase, procedem, ainda, a uma requalificação profunda do espaço do restaurante - incluindo a sala de jantar, a cozinha, espaços de apoio e um lounge.
Em 9 de julho de 2012, filha, genro e netos de Hilário Rodrigues Castela e Mariazinha reabrem o "HILÁRIO", procurando recuperar a tradição e o estilo da Arte de Bem Servir.

A experiência como comercial em Coimbra e o trabalho no restaurante do cunhado tornaram Hilário Rodrigues Castela num especialista na Arte de Bem Receber e Servir. Simpatia, delicadeza e atenção marcam um estilo que fez escola na região e deixou como seguidores todos os que com ele trabalharam ao longo de décadas de serviço à Mealhada, à Bairrada e à sua gastronomia.

Hilário Rodrigues Castela faleceu em 1991, três dias antes de completar 86 anos. Maria da Silva Guarda Castela faleceu em 21 de junho de 2009.

Hoje, com o genro a filha e os netos, a tradição continua viva.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

[1508.] Lunae dies em dia de regressar ao legado


O meu amigo NJ costumava dizer (terei conjugado bem o verbo?) que eu sou irritantemente optimista. E é verdade que o sou... mais com os outros do que comigo... mas é verdade que sou muito optimista. Quem me conhece bem sabe porquê... e sabe o que seria se assim não fosse... mas adiante!

Nem sempre fazemos o que nos apetece... e nem sempre o que nos sabe bem pode ser feito... depois de oito meses de espera e grande angústia... a vida começa a encarreirar. O jornal voltou às bancas e sinto que já posso levantar a cabeça, porque consegui cumprir a minha palavra. E novas oportunidades se abrem, agora, com a conjugação possível entre o que "quero fazer" com o que "devo fazer" e com o que "tem de ser feito".

Do mesmo modo que eu, no meu intimo, sabia que um dia trabalharia num jornal - porque a minha mãe tinha uma quota no JM, porque eu gostava do jornalismo e porque o queria fazer - também sabia que um dia trabalharia num restaurante - porque os meus avós eram proprietários de um restaurante, porque eu gostava do negócio e porque o queria fazer. Confesso que, tanto num caso como no outro, não imaginava que o fizesse tão cedo (aos 25 anos no primeiro caso e aos 33 no segundo). Mas a verdade é que eu sabia que isto ia acontecer.

Desafiei a minha família a lançar-se nesta aventura, aceitaram e na segunda-feira, 9 de julho, começou uma nova etapa da minha vida: A de dar seguimento à obra dos que me antecederam, no caso concreto do meu avô Hilário e da minha avó Maria, que em 1 de janeiro de 1973 abriram um restaurante com serviço de residencial.

 ESPERO ESTAR À ALTURA DO LEGADO!
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