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terça-feira, 7 de abril de 2015

[2046.] A vitória de Francisco

Com a Páscoa, aliado ao segundo aniversário do inicio do Pontificado (que recordámos AQUI), os jornais de todo o mundo debruçaram-se sobre a Revolução Branca e tranquila que Bergoglio está a operar na Santa Sé.
Não li todos, naturalmente, mas li o texto de Rosa Pedroso Lima, na Revista E, do Expresso, de sábado passado, "O Papa entre o Povo e a Cúria". Li, ainda, o texto de Francis X.Rocca, no Wall Street Journal (AQUI), "Pope Francis and the New Rome".
A questão central em ambos os textos é, no fundo, a mesma. O texto de Pedroso Lima mostra que o Papa Franscisco tem na Cúria romana os seus mais directos opositores. A ala mais conservadora - e a que é apenas conservadora também - considera Bergoglio uma fraude e consideram até que se fosse hoje não votavam nele. "Saiu-lhe melhor que a encomenda", poderá pensar-se... Há um cardeal (que não se identifica, naturalmente) que afirma que "nada mudou", nestes dois anos de pontificado.
Os cardeais andam preocupados, porque já perceberam que isto não vai acabar bem... para eles... Rocca, no Wall Street Journal, considera que, na prática, Bergoglio é o primeiro Papa tornado clérigo depois do Vaticano II, ou seja, na prática, sem nunca ter conhecido o pré-concilio, ele é a aplicação prática - o primeiro a fazê-lo - do que foi decidido, daquilo que se quis que fosse a Igreja do Vaticano II.
O Papa está, efectivamente, a reconciliar a Igreja com o Povo de Deus. É o único líder mundial a lembrar as vítimas do Estado Islâmico. Manifesta-se, com acção, contra a opulência da Igreja e a favor dos desvalidos, dos Cristos do mundo. O Povo está com Francisco e contra a padralhada doente - do Alzheimer espiritual à má-lingua - contra a Igreja que esqueceu os Homens.
Não tenho dúvida nenhuma que o pontificado de Francisco vai ser curto. Mas quanto mais curto for, maior será! Se a Cúria Romana entender fazer-lhe o mesmo que poderá ter feito a João Paulo I torna-o Santo imediatamente, e não mais haverá descanso em Roma até a Igreja se reconstruir à sua imagem. Se a Cúria Romana o vencer pelo cansaço, como fez com Bento XVI, demonstra que não é nem de Deus nem dos Homens, e vai separar-se definitivamente do coração de ambos. Ou seja, a Cúria só tem um caminho... aguentar. "Aguentar-se à bronca" e esperar que o Espírito Santo opere.
No sínodo de Outubro Francisco foi vencido, não conseguiu cumprir o seu lema "Miserando atque eligendo", olhar o mundo com Misericórdia e operar. O Papa quis acolher, finalmente, os recasados e os homosexuais na Misericórdia da Igreja. Os bispos não deixaram. Está marcado novo sínodo para Outubro de 2015. E nessa altura a Igreja de Francisco assinalará a festa maior, a do Jubileu. Que Francisco decidiu que será o Jubileu da Misericórdia de Deus. 

Dom Manuel Clemente, na homilia de Domingo da Ressureição, fez a ligação perfeita ao lembrar (AQUI) que o Jubileu de Francisco será o do acolhimento que a Igreja, daqui a seis meses, será obrigada a operar. Porque o Povo de Deus quer, e porque com os novos cardeais de fevereiro passado, com um ano de pressão, será finalmente possível fazer. E em Outubro, um ano depois, Francisco vai finalmente vencer. E a Igreja vai ser, finalmente, um espaço aberto aos recasados, sem preconceitos aos divorciados, aos maçons, com acolhimento aos homosexuais. A Igreja dos Lázaros, das Madalenas e dos Cristos deste planeta.

sexta-feira, 13 de março de 2015

[2019.] Bergoglio rules!



No dia em que passam dois anos sobre a eleição de Jorge Bergoglio como o 266.º Sumo Pontífice e Bispo de Roma, o Papa Francisco defendeu, na celebração penitencial do dia, que “ninguém pode ser excluído da misericórdia de Deus” e que a Igreja “é a casa que acolhe todos e não recusa ninguém”.

O único homem infalível do planeta voltou a confessar-se, como fazem os falíveis e meros católicos e anunciou hoje que decidiu proclamar um “jubileu extraordinário”, com início a 8 de dezembro deste ano, centrado na “misericórdia de Deus”.

Será um Ano Santo da Misericórdia. Queremos vivê-lo à luz da palavra do Senhor: ‘Sede misericordiosos como o Pai’ e isto especialmente para os confessores”, disse, na homilia da celebração penitencial a que presidiu na Basílica de São Pedro, na abertura da iniciativa ’24 horas para o Senhor’.Francisco explicou que a iniciativa nasceu da sua intenção de tornar “mais evidente” a missão da Igreja de ser “testemunha da misericórdia”.“As suas portas estão escancaradas para que todos os que são tocados pela graça possam encontrar a certeza do perdão. Quanto maior é o pecado, maior deve ser o amor que a Igreja manifesta aos que se convertem”, realçou.
À imagem do que fez em 2014, durante o ‘rito pela reconciliação dos mais penitentes’, com absolvição individual, o Papa começou por se confessar, antes de dirigir-se a outro confessionário para ouvir algumas pessoas.
O 29.º jubileu na história da Igreja Católica, um Ano Santo extraordinário, vai começar na solenidade da Imaculada Conceição e terminar a 20 de novembro de 2016, domingo de Jesus Cristo Rei do Universo, “rosto vivo da misericórdia do Pai”, explicou o Papa.
“É um caminho que começa com uma conversão espiritual e temos de seguir por este caminho”, prosseguiu.
A organização dos vários momentos do jubileu vai estar a cargo do Conselho Pontifício para a Nova Evangelização e quer ser, segundo Francisco, uma “nova etapa do caminho da Igreja na sua missão de levar a cada pessoa o Evangelho da misericórdia”.
Este é o primeiro jubileu desde o que foi convocado pelo João Paulo II no ano 2000, para assinalar o início do terceiro milénio.
“Ser tocados com ternura pela sua mão e plasmados pela sua graça permite que nos aproximemos do sacerdote sem medo por causa das nossas culpas, mas com a certeza de ser acolhidos por ele em nome de Deus”, assinalou.
O Papa sublinhou que o julgamento de Deus é o da “misericórdia”, numa atitude de amor que “vai para lá da justiça”, e desafiou os fiéis a não ficar pela “superfície das coisas”, sobretudo quando está em causa uma pessoa.
“Somos chamados a ver mais além, a concentrar-se no coração para ver de quanta generosidade é capaz cada um”, apelou.
No dia em que decorre o 2.º aniversário da sua eleição pontifícia, Francisco deixou votos de que o próximo jubileu ajude a Igreja a “redescobrir e tornar fecunda a misericórdia de Deus” junto dos homens e mulheres dos dias de hoje.
Agência Lusa e Ecclesia, 13 de março de 2015, 16h29m 

domingo, 25 de janeiro de 2015

[1950.] Quando o Papa fala...

Quando aparece uma vedeta aparentemente impoluta logo há uma carrada de ratazanas à procura de um deslize para a crucificar... É isso que se está a passar com o Papa Francisco. O homem tem tantos fãs que tudo serve para procurar descredibilizar a sua aura.

É por isso que o texto de Bárbara Reis, a diretora do jornal Público, "Liberdade: Oito razões contra o Papa", é especialmente infeliz.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

[1745.] Lido


Li, nos últimos dias, a primeira encíclica do Papa Francisco (e simultaneamente a última de Bento XVI), Lumen Fidei - Luz da Fé. Apesar de o tema, a Fé, ser muito mais complexo do que os temas das três anteriores encíclicas (Deus Caritat Est - Deus é Amor, sobre o "Amor Cristão". Spe Salvi - Salvos na Esperança, sobre a "Esperança Cristã", Caritat in veritate - A Caridade na Verdade, sobre "o Desenvolvimento Integral na Caridade e na Verdade"), achei este texto muito mais simples, muito mais acessível, muito mais próximo. Não terá sido indiferente o estilo do escrevedor. 

As quatro encíclicas papais parecem completar uma triologia alargada e enunciada na Epístola de São Paulo aos Coríntios: «Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.» 1 Coríntios 13:13



«Assim, o dinamismo de fé, esperança e caridade (cf. 1 Ts 1, 3; 1 Cor 13, 13) faz-nos abraçar as preocupações de todos os homens, no nosso caminho rumo àquela cidade, "cujo arquitecto e construtor é o próprio Deus" (Heb 11, 10), porque "a esperança não engana" (Rm 5, 5).
Unida à fé e à caridade, a esperança projecta-nos para um futuro certo, que se coloca numa perspectiva diferente relativamente às propostas ilusórias dos ídolos do mundo, mas que dá novo impulso e nova força à vida de todos os dias. Não deixemos que nos roubem a esperança, nem permitamos que esta seja anulada por soluções e propostas imediatas que nos bloqueiam no caminho, que "fragmentam" o tempo transformando-o em espaço. O tempo é sempre superior ao espaço: o espaço cristaliza os processos, ao passo que o tempo projecta para o futuro e impele a caminhar na esperança.»


AQUI... ainda

domingo, 28 de julho de 2013

[1713.] Ide, sem medo, para Servir!

IDE, SEM MEDO, PARA SERVIR

Disse-nos o Papa Francisco, hoje de manhã, na Missa do Envio, na Jornada Mundial da Juventude.


Homilia do Papa Francisco
Santa Missa pela XXVIII Jornada Mundial da Juventude
Rio de Janeiro
Domingo, 28 de julho de 2013

Venerados e amados Irmãos no episcopado e no sacerdócio,

Queridos jovens!

«Ide e fazei discípulos entre todas as nações». Com estas palavras, Jesus se dirige a cada um de vocês, dizendo: «Foi bom participar nesta Jornada Mundial da Juventude, vivenciar a fé junto com jovens vindos dos quatro cantos da terra, mas agora você deve ir e transmitir esta experiência aos demais». Jesus lhe chama a ser um discípulo em missão! Hoje, à luz da Palavra de Deus que acabamos de ouvir, o que nos diz o Senhor? Três palavras: Ide, sem medo, para servir.

1. Ide. Durante estes dias, aqui no Rio, vocês puderam fazer a bela experiência de encontrar Jesus e de encontrá-lo juntos, sentindo a alegria da fé. Mas a experiência deste encontro não pode ficar trancafiada na vida de vocês ou no pequeno grupo da paróquia, do movimento, da comunidade de vocês. Seria como cortar o oxigênio a uma chama que arde. A fé é uma chama que se faz tanto mais viva quanto mais é partilhada, transmitida, para que todos possam conhecer, amar e professar que Jesus Cristo é o Senhor da vida e da história (cf. Rm 10,9).

Mas, atenção! Jesus não disse: se vocês quiserem, se tiverem tempo, mas: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações». Partilhar a experiência da fé, testemunhar a fé, anunciar o Evangelho é o mandato que o Senhor confia a toda a Igreja, também a você. É uma ordem sim; mas não nasce da vontade de domínio ou de poder, nasce da força do amor, do fato que Jesus foi quem veio primeiro para junto de nós e nos deu não somente um pouco de Si, mas se deu por inteiro, deu a sua vida para nos salvar e mostrar o amor e a misericórdia de Deus. Jesus não nos trata como escravos, mas como homens livres, amigos, como irmãos; e não somente nos envia, mas nos acompanha, está sempre junto de nós nesta missão de amor.
Para onde Jesus nos manda? Não há fronteiras, não há limites: envia-nos para todas as pessoas. O Evangelho é para todos, e não apenas para alguns. Não é apenas para aqueles que parecem a nós mais próximos, mais abertos, mais acolhedores. É para todas as pessoas. Não tenham medo de ir e levar Cristo para todos os ambientes, até as periferias existenciais, incluindo quem parece mais distante, mais indiferente. O Senhor procura a todos, quer que todos sintam o calor da sua misericórdia e do seu amor.

De forma especial, queria que este mandato de Cristo -”Ide” – ressoasse em vocês, jovens da Igreja na América Latina, comprometidos com a Missão Continental promovida pelos Bispos. O Brasil, a América Latina, o mundo precisa de Cristo! Paulo exclama: «Ai de mim se eu não pregar o evangelho!» (1Co 9,16). Este Continente recebeu o anúncio do Evangelho, que marcou o seu caminho e produziu muito fruto. Agora este anúncio é confiado também a vocês, para que ressoe com uma força renovada. A Igreja precisa de vocês, do entusiasmo, da criatividade e da alegria que lhes caracterizam! Um grande apóstolo do Brasil, o Bem-aventurado José de Anchieta, partiu em missão quando tinha apenas dezenove anos! Sabem qual é o melhor instrumento para evangelizar os jovens? Outro jovem! Este é o caminho a ser percorrido!

2. Sem medo. Alguém poderia pensar: «Eu não tenho nenhuma preparação especial, como é que posso ir e anunciar o Evangelho»? Querido amigo, esse seu temor não é muito diferente do sentimento que teve Jeremias, um jovem como vocês, quando foi chamado por Deus para ser profeta. Acabamos de escutar as suas palavras: «Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, sou muito novo». Deus responde a vocês com as mesmas palavras dirigidas a Jeremias: «Não tenhas medo… pois estou contigo para defender-te» (Jr 1,8). Deus está conosco!
«Não tenham medo!» Quando vamos anunciar Cristo, Ele mesmo vai à nossa frente e nos guia. Ao enviar os seus discípulos em missão, Jesus prometeu: «Eu estou com vocês todos os dias» (Mt 28,20). E isto é verdade também para nós! Jesus não nos deixa sozinhos, nunca lhes deixa sozinhos! Sempre acompanha a vocês!

Além disso, Jesus não disse: «Vai», mas «Ide»: somos enviados em grupo. Queridos jovens, sintam a companhia de toda a Igreja e também a comunhão dos Santos nesta missão. Quando enfrentamos juntos os desafios, então somos fortes, descobrimos recursos que não sabíamos que tínhamos. Jesus não chamou os Apóstolos para viver isolados, chamou-lhes para que formassem um grupo, uma comunidade. Queria dar uma palavra também a vocês, queridos sacerdotes, que concelebram comigo esta Eucaristia: vocês vieram acompanhando os seus jovens, e é uma coisa bela partilhar esta experiência de fé! Mas esta é uma etapa do caminho. Continuem acompanhando os jovens com generosidade e alegria, ajudem-lhes a se comprometer ativamente na Igreja; que eles nunca se sintam sozinhos!

3. A última palavra: para servir. No início do salmo proclamado, escutamos estas palavras: «Cantai ao Senhor Deus um canto novo» (Sl 95, 1). Qual é este canto novo? Não são palavras, nem uma melodia, mas é o canto da nossa vida, é deixar que a nossa vida se identifique com a vida de Jesus, é ter os seus sentimentos, os seus pensamentos, as suas ações. E a vida de Jesus é uma vida para os demais. É uma vida de serviço.

São Paulo, na leitura que ouvimos há pouco, dizia: «Eu me tornei escravo de todos, a fim de ganhar o maior número possível» (1 Cor 9, 19). Para anunciar Jesus, Paulo fez-se «escravo de todos». Evangelizar significa testemunhar pessoalmente o amor de Deus, significa superar os nossos egoísmos, significa servir, inclinando-nos para lavar os pés dos nossos irmãos, tal como fez Jesus.

Ide, sem medo, para servir. Seguindo estas três palavras, vocês experimentarão que quem evangeliza é evangelizado, quem transmite a alegria da fé, recebe alegria. Queridos jovens, regressando às suas casas, não tenham medo de ser generosos com Cristo, de testemunhar o seu Evangelho. Na primeira leitura, quando Deus envia o profeta Jeremias, lhe dá o poder de «extirpar e destruir, devastar e derrubar, construir e plantar» (Jr 1,10). E assim é também para vocês. Levar o Evangelho é levar a força de Deus, para extirpar e destruir o mal e a violência; para devastar e derrubar as barreiras do egoísmo, da intolerância e do ódio; para construir um mundo novo. Jesus Cristo conta com vocês! A Igreja conta com vocês! O Papa conta com vocês! Que Maria, Mãe de Jesus e nossa Mãe, lhes acompanhe sempre com a sua ternura: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações». Amém.

quarta-feira, 20 de março de 2013

[1593.] O Verdadeiro Poder... é o Serviço!

«Não esqueçamos jamais que o verdadeiro poder é o serviço»

Na sua homilia na Missa de inicio do seu Ministério Petrino, na terça-feira, 19 de março, o Papa Francisco, apresentou, uma vez mais, palavras de grande simplicidade, mas de uma profundidade atordoante. Aconselho a todos a leitura ponderada e demorada das palavras do 266.º Pontifice Romano - AQUI, por exemplo, ou através deste video.



Sublinhava, no entanto, três notas essenciais:

1. Sejamos Guardiões.
"Guardemos Cristo na nossa vida, para guardar os outros, para  guardar a criação!" - é o desafio lançado pelo Papa é o de sermos guardiões da Criação: "uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana e diz respeito a todos: é a de guardar a criação inteira, a beleza da criação, como se diz no livro de Génesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos. É guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração. É cuidar uns dos outros na família: os esposos guardam-se reciprocamente, depois, como pais, cuidam dos filhos, e, com o passar do tempo, os próprios filhos tornam-se guardiões dos pais. É viver com sinceridade as amizades, que são um mútuo guardar-se na intimidade, no respeito e no bem. Fundamentalmente tudo está confiado à guarda do homem, e é uma responsabilidade que nos diz respeito a todos. Sede guardiões dos dons de Deus!" (a partir do minuto 5:50 deste vídeo)

O Papa pede ao Homem que se ame a si próprio (amando os outros) e à sua condição de criatura de um ecossistema que precisa de ser preservado.

2.  O Verdadeiro Poder é o Serviço.
O Papa centra o Poder na visão cristã do lava-pés da Ultima Ceia, em que para se ser maior tem de se ser servo dos outros. «Hoje, juntamente com a festa de São José, celebramos o início do ministério do novo Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, que inclui também um poder. É certo que Jesus Cristo deu um poder a Pedro, mas de que poder se trata? À tríplice pergunta de Jesus a Pedro sobre o amor, segue-se o tríplice convite: apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas. Não esqueçamos jamais que o verdadeiro poder é o serviço, e que o próprio Papa, para exercer o poder, deve entrar sempre mais naquele serviço que tem o seu vértice luminoso na Cruz; deve olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé, de São José e, como ele, abrir os braços para guardar todo o Povo de Deus e acolher, com afecto e ternura, a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais fracos, os mais pequeninos, aqueles que Mateus descreve no Juízo final sobre a caridade: quem tem fome, sede, é estrangeiro, está nu, doente, na prisão (cf. Mt 25, 31-46). Apenas aqueles que servem com amor são capazes de proteger.» (a partir do minuto 10:50 deste vídeo)

3. Com uma esperança, para além do que se podia esperar!
O Papa fala de Esperança. E explica: «Também hoje, perante tantos pedaços de céu cinzento, há necessidade de ver a luz da esperança e de darmos nós mesmos esperança. Guardar a criação, cada homem e cada mulher, com um olhar de ternura e amor, é abrir o horizonte da esperança, é abrir um rasgo de luz no meio de tantas nuvens, é levar o calor da esperança! E, para o crente, para nós cristãos, como Abraão, como São José, a esperança que levamos tem o horizonte de Deus que nos foi aberto em Cristo, está fundada sobre a rocha que é Deus.» (a partir do minuto 12:52 deste vídeo)



E a síntese da intervenção do Papa surge, em climax, na identificando a missão do seu pontificado: «Guardar Jesus com Maria, guardar a criação inteira, guardar toda a pessoa, especialmente a mais pobre, guardarmo-nos a nós mesmos: eis um serviço que o Bispo de Roma está chamado a cumprir, mas para o qual todos nós estamos chamados, fazendo resplandecer a estrela da esperança: Guardemos com amor aquilo que Deus nos deu!» (a partir do minuto 13:43 deste vídeo)

O Papa apresentou o programa do seu pontificado e só me passa pela ideia lembrar o lema inscrito no brasão de Francisco: “miserando atque eligendo” - “olhou-o com misericórdia e escolheu-o”.  Não há dúvidas que o Espírito Santo olhou para nós, com misericórdia, e escolheu Francisco para nos ajudar.

domingo, 17 de março de 2013

[1588.] “A hora impossível do Papa Francisco”_II

O papa Bergoglio entendeu adoptar o nome de Francisco. Já elucidou que se trata de uma evocação a São Francisco de Assis, padroeiro de Itália, patrono dos pobres, príncipe da Paz, o do louvor à Criação como obra divina.
Já aqui [1584.] nos debruçámos sobre a opinião de que o legado do 'pobrezinho de Assis' parece ser completamente contraditório ao ambiente que envolve o papado. Será, então, possível a um Papa cumprir o legado de Francisco?
Só o tempo o dirá, naturalmente. Mas a tarefa não será fácil.

Segundo a história, Jesus terá pedido a Francisco de Assis: "Reconstroi a minha Igreja!". Toda a missão de Francisco de Assis assentou no cumprimento dessa missão. Na prática, pede-se ao Papa Francisco que reconstrua a Igreja, também ele, mas no sentido daquilo que João Paulo II dizia ser a Igreja do Terceiro Milénio.

Do lado de fora do conclave e das congregações anteriores à reunião, do lado de cá do extra omnes, colocávamos a tónica da mudança na esperança de um pontifice que resolvesse o problema da Pedofilia no seio da Igreja, que colocasse em discussão a ordenação de mulheres, que repensasse a inclusão de todos no seio da Igreja Mãe: homossexuais, recasados, doentes, não como os pecadores - para quem Deus mandou o filho - mas como filhos.

O conclave não considerou assim. Foi buscar um papa ao "outro lado do mundo", mas ao centro do (Novo) mundo católico - que hoje está na América Latina - à Teologia da Libertação, à Argentina (que viveu uma crise económica horrível há pouco mais de uma década) e trouxe-o para se sentar na cadeira de Pedro. Ele trouxe o Amor aos pobres, o combate à ostentação, a clareza das palavras de Verdade, sem a Teologia da Gregoriana, no improviso das homilias, na simplicidade do testemunho. Simplesmente Francisco, parece querer ser o papa que tem o aspecto de avô carinhoso de João XXIII e o sorriso simpático de João Paulo I e de João Paulo II. Será que a pobreza é o combate que precede os temas que ansiávamos?
 
A Igreja dos homens estava à espera de um Papa mais jovem. O nome do junior Tagle, por exemplo, com 55 anos, parecia ser preferido. Não se estava à espera que o conclave escolhesse um homem ainda mais velho do que Ratzinger era quando se tornou Papa. Há quem diga que Bergoglio chega com oito anos de atraso... Não se espera que Bergoglio faça um pontificado longo, mas João XXIII teve menos de cinco anos na cadeira de Pedro e escreveu oito encíclicas - duas delas fundamentais - e convocou um concílio. Ou seja, não será o tempo de pontificado que vai determinar se este será ou não, apenas, um papa de transição. Os primeiros sinais dizem exactamente o contrário.
 
Francisco poderá, mesmo, reconstruir a Igreja. Está nas mãos dele, e ele sabe que tem o apoio do povo de Deus, que já se apaixonou pela sua simpatia. Dando como certas as suspeições do alegado relatório que terá obrigado Bento XVI a resignar, os inimigos da Verdade e da vontade do Papa poderão mesmo estar na Curia, na cidade do Vaticano, e isso só fará pensar que a tarefa de Francisco poderá ser hercúlea ou mesmo impossível. Terá ele a capacidade de conseguir reconhecer os bons e os maus? Terá ele a capacidade de destronar os lobbis, de destruir os vícios, de desmantelar as redes que poderão estar a encobrir os males, e a implodir a Igreja Universal?

Terá o Papa Francisco a capacidade de devolver a Igreja aos pobres, de ser "a Igreja pobre dos pobres"? De deixar de ter a ostentação e luxo que levou Franscisco de Assis a ir para a pocilga pregar aos porcos? A Igreja dos que sofrem, a igreja dos que têm fome e não têm dinheiro para ofertórios, peditórios, contributos e côngruas, dos injustiçados, das vítimas, dos que falharam nos seus projectos de vida, dos que vivem a frustração, dos que vivem a depressão, dos que estão abandonados, dos que não têm esperança... essa Igreja precisa de uma casa, precisa de um rosto, que poderá ser um líder demagógico - de um Hitler - ou poderá ser um Papa inteligente e simples. 

Esperemos que Francisco não seja uma impossibilidade. 
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sexta-feira, 15 de março de 2013

[1587.] "A velhice é, por assim dizer, a sé da sabedoria da vida..."

O Papa Francisco, na missa que fechou o conclave, exortou os cardeais:
“Irmãos, força! A metade de nós está na velhice: a velhice é, por assim dizer, a sé da sabedoria da vida. Os velhos têm a sabedoria de ter caminhado na vida, como o velho Simão e a velha Ana no Templo. E justamente esta sabedoria fez com que reconhecessem Jesus. Doemos esta sabedoria aos jovens: como o bom vinho que com os anos se torna melhor, doemos aos jovens a sabedoria da vida”. 


quarta-feira, 13 de março de 2013

[1585.] Os sinais de um Papa

O brasão do Cardeal Arcebispo Bergoglio é este. Com o sol que impera na bandeira argentina cheio e no centro, mas com a inscrição do nome de Cristo IHS (o símbolo da Companhia de Jesus)! Jesus, como o sol. E um lema perturbador: "miserando atque eligendo". Não consigo traduzir do latim, mas encontro duas palavras que não sei (ainda) como se ligam: Escolha e Misericórdia. [Com o apoio de um comentário no Facebook, fica a consulta do sitio da Arquiodiocese de Buenos Aires e a informação de que esta frase latina, se refere ao momento da conversão de São Mateus]

Mas este é, APENAS, brasão do Arcebispo Bergoglio. É natural que o Papa possa fazer algumas alterações, para além da introdução da heráldica papal. Mas também não deve mudar muito, pois repara-se que nestas palavras e simbolos se vê muito do que se diz que pode ser "simplesmente Francisco".

Os serviços do Vaticano anunciaram que o Papa deve ser tratado simplesmente por Francisco, sem qualquer numeraçãoo que é natural quando se é o primeiro). Dito de outra forma, Bergoglio quer ser "simplesmente Francisco". Lindo!

[1584.] “A hora impossível do Papa Francisco”?



Há uma semana, o jornal italiano 'Il Fatto Quotidiano' publicou um artigo - profético? - com o título “A hora impossível do Papa Francisco I”, do jornalista Maurizio Chierici. O jornalista do Público João Pedro Ferreira cita este texto - publicado antes de se saber que o conclave elegeria o primeiro dos Franciscos - e lembra: “Francisco é um nome impossível para a carga de poder com que durante séculos foi construída a infalibilidade do papado, a soberania, o controle formal de cada serviço, a autoridade sobre milhões de fiéis”.

Quando foi eleito cardeal e alguns argentinos queriam viajar para Roma para celebrar, Bergoglio convenceu-os a dar aos pobres o dinheiro que gastariam na viagem. [
Voltou a fazer o mesmo, agora, através de uma carta para a Nunciatura na Argentina - actualizado em 16.03.13] O episódio é narrado pelo jornal inglês The Guardian, que descreve o novo Papa como tendo uma “abordagem prática” à questão da pobreza [A cruz que usa ao peito é de aluminio, saiu de autocarro do Vaticano depois da eleição, no dia seguinte foi ele próprio pagar a hospedagem antes do conclave, os sapatos que usa são os que trouxe de casa - actualizado em 16.03.13]. Bergoglio escolheu o nome Francisco, partilhado por dois conhecidos santos da Igreja Católica – um dos quais conhecido pela devoção aos pobres, o outro, pelo papel de evangelização no Oriente [A 16 de março confirmou que o homenageado é Francisco de Assis - actualizado em 16.03.13].


O artigo do 'Il Fatto Quotidiano' elaborava sobre o facto de a vida de Francisco de Assis não se ajustar à vida actual do líder da Igreja Católica. “O primeiro sinal de mudança na Igreja poderia ser o nome do sucessor de Ratzinger. Da varanda, nunca ninguém anunciou ‘aqui Francisco’”, escreveu o veterano jornalista Maurizio Chierici. “Ele morreu há quase oito séculos, mas ninguém se sentiu na disposição de abraçar a espiritualidade e dedicação absoluta para a vida dos outros”. O artigo citava o parlamentar italiano Raniero La Valle, um dos representantes da esquerda cristã: “Francisco é um nome impossível para a carga de poder com que durante séculos foi construída a infalibilidade do papado, a soberania, o controle formal de cada serviço, a autoridade sobre milhões de fiéis”.


* * *

[Actualizado a 16 de março]
 
O pobrezinho de Assis
 
Francisco Bernardonne era o filho de uma abastada família de comerciantes de tecidos, de oriegm francesa, instalada em Assis, no centro da península itálica. Em determinada altura da sua vida, ainda jovem, na Igreja de São Damião, em ruínas, perto de Assis, Francesco terá ouvido do crucifixo o apelo: "Reconstrói a minha Igreja". Inicialmente, a ordem foi entendida como uma reconstrução física, real, material daquela igreja em concreto. Com o tempo, Francesco percebeu que a ordem era muito mais do que isso, e que a voz do crucifixo poderia ser o próprio Cristo a pedir que ele refundasse a Igreja de Pedro.Francesco renunciou a tudo, tornou-se um mendigo e fundou a Ordem Mendicante dos Franciscanos. Francesco dirigiu-se a Roma, ao papa Inocêncio III no sentido de este lhe aprovar a Regra Primitiva e ratificar a fundação da ordem. A corte papal ridicularizou os frades com aspecto andrajoso e pobre, pediu que não o aborrecesse e mandou-os ir pregar para os porcos! O papa teve um sonho, com a basílica de São João de Latrão a desabar, e mandou chamar Francesco, depois de se lavar.
O grupo de frades ficou chocado com o luxo e ostentação da corte papal e assim que regressou a Assis construiu uma cabana para se albergar.
Francesco faleceu em 1228 e foi canonizado pouco depois. Pela sua vida e pelo testemunho de humildade e de louvor às criaturas criadas por Deus, ficou associado como o padroeiro da Natureza e da Ecologia.

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Na sua comunicação aos jornalistas acreditados no Vaticano, três dias depois da eleição, o Papa Francisco explicou, exactamente como e porque escolheu o nome de Francisco como seu nome papal.

Aqui está o video: 



[1583.] Anuntio gaudim magnum: Papa Fransciscum



Uma grande alegria, de facto. Não fazia parte das minhas expectativas... pela idade, pelo facto de ter sido um nome que tinha estado na berlinda, há oito anos e havia perdido para Ratzinger.
MAS A ESCOLHA DO NOME CONQUISTOU. PARA UM FRANCISCANISTA COMO EU SOU, ESTOU COMPLETAMENTE RENDIDO!

Não me parece que pudesse vir de outro lado, que não da superioridade intelectual de um Jesuíta, a escolha do nome Francisco. Francisco que imediatamente nos remete para o 'poverello' de Assis, mas que pode ser também, do evangelizador Francisco Xavier!

Nos primeiro momentos nem damos conta... ouvindo à exaustão a primeira alocução de Francisco I, reparamos que o Papa PEDE QUE REZEMOS UNS PELOS OUTROS. Não nos diz que PEÇAMOS a Deus isto ou aquilo. PEDE-NOS QUE REZEMOS UNS PELOS OUTROS. Muito interessante!


As primeiras palavras de Francisco I.

«Irmãos e irmãs, boa noite. Vocês sabem que o dever de um conclave é dar um bispo a Roma. Parece que os meus irmãos cardeais foram buscar-me quase até ao fim do mundo. Mas aqui estamos. Agradeço a vossa hospitalidade. A comunidade diocesana de Roma já tem o seu bispo. Obrigado.
Em primeiro lugar, peço uma oração pelo nosso Papa emérito, Bento XVI. Oremos por ele, para que o Senhor o abençoe e a Virgem o proteja. [Em seguida, o Papa reza um Pai Nosso e uma Avé Maria com os fiéis reunidos na Praça de S. Pedro]
E agora, vamos começar esta jornada: o bispo e o povo. É o caminho da Igreja de Roma, que preside à caridade em todas as igrejas. Um caminho de fraternidade, amor e confiança entre nós.
Vamos rezar por nós, de um para o outro. Oremos para o mundo, porque há uma grande irmandade. Espero que este caminho da Igreja – que hoje começa e em que serei ajudado pelo cardeal vigário, aqui ao meu lado – seja frutífero para a evangelização desta cidade tão bonita.
E agora gostaria de dar a bênção, mas primeiro quero pedir-vos um favor. Antes de o bispo benzer o povo, peço que rezem ao Senhor para que me abençoe: a oração do povo, pedindo a bênção do seu bispo. Façamos esta oração em silêncio.
[Depois de alguns segundos de silêncio, o Papa concluiu].
Agora, vou abençoar-vos e a todo o mundo, a todos os homens e mulheres de boa vontade. Agora deixo-vos. Obrigado por tamanha hospitalidade. Ver-nos-emos em breve. Amanhã vou rezar à Nossa Senhora para que proteja Roma. Boa noite e bom descanso.»

terça-feira, 12 de março de 2013

[1581.] Dia vencido _ 12 de março

A CEIA DOS CARDEAIS, peça de Júlio Dantas, representada em 1902, a mais representada das peças portuguesas. Para ler. Hoje.


 AQUI

segunda-feira, 11 de março de 2013

[1580.] Dia vencido_11 de março

O conclave começa amanhã. 
O 266.º Papa começa a ser escolhido dentro de poucas horas. 
Diz-se que quem entra Papa... sai cardeal. 
Gostava muito que o novo sucessor de Pedro fosse Tagle (filipino), Maradiaga (hondurenho) ou Schreder (um brasileiro!). Quanto ao nome, voto em João Paulo III (se a ideia for dar continuidade ao peregrino da Igreja Universal) ou João XXIV (se a aposta for no sentido do progressismo e do renovar o Concilio em 50.º aniversário).
 
Espero ardentemente que não seja Bertone, tenho ideia de ele ser o Dark Side ao mais alto nível. Que o Espírito Santo ilumine o Colégio Cardinalício.

domingo, 1 de maio de 2011

[1378.] Solis dies... non abbiate paura!



Non abbiate paura! Aprite, anzi, spalancate le porte a Cristo! Alla sua salvatrice potestà aprite i confini degli stati, i sistemi economici come quelli politici, i vasti campi di cultura, di civiltà, di sviluppo. Non abbiate paura! Cristo sa cosa è dentro l'uomo. Solo lui lo sa!

Não tenhais medo! Abri, antes, escancarai as portas a Cristo!

Beato João Paulo II, na homilia da inauguração do seu pontificado, em 22 de outubro de 1978.

quarta-feira, 20 de abril de 2011

[1360.] Leituras

Comprei hoje o segundo volume de «Jesus de Nazaré» de Joseph Ratzinger - Bento XVI sobre a vida de Jesus, desde a Entrada em Jerusalém até à Ressureição.

Optei por este livro - ainda não li o primeiro - como forma de acompanhar o momento pascal segundo os olhos de Ratzinger. Não do Papa, mas do intelectual.

E da leitura das primeiras páginas há certezas e surpresas. A certeza de que Ratzinger é um intelectual de excepção que, com honestidade, não teme pôr em causa alguns dogmas - que seguidamente justifica e recupera para o domínio da Fé -, que faz as perguntas que todo o intelecto impõe, que a Razão obriga. A sua honestidade intelectual leva-o a questionar a visão "zelota" de Cristo, o seu cunho "revolucionário e alegadamente político", a data da Ultima Ceia, etc. etc., sempre citando outros autores, que ora apoia ou discorda.

A surpresa prende-se com o estilo. É um texto simples, fluente, que qualquer pessoa é capaz de compreender, sem palavras escondidas.

Promete ser um bom auxiliar para viver os tempos que se aproximam com honestidade!

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terça-feira, 29 de junho de 2010

[1073.] Hoje...

Hoje
a Igreja Católica assinalada a solenidade de
São Pedro e São Paulo
dois discipulos de Cristo (Paulo não o terá chegado a conhecer) considerados como as colunas da Igreja, os fundadores da Cristandade. Conheciam-se bem, e consta que não se gramavam. Acabaram por morrer em Roma, os dois, em martírio, com três anos de diferença. Os seus cadáveres foram escondidos juntose são os pais da Igreja.
Simão Pedro, o pescador que se tornou pescador de homens e pedra da Igreja. Saulo de Tarso, o perseguidor de cristão que se converte pela Luz e se torna no mais fervoroso dos discipulos de Cristo.
Duas personagens muito interessantes.
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O Papa Bento XVI, sempre atento a estas solenidades, comunicou ontem, nas vésperas da solenidade, que ia criar um novo 'ministério' na Cúria Romana - o Governo da Santa Sé.
O Conselho Pontifício para a Nova Evangelização, "com a tarefa principal de promover a renovada evangelização nos Países onde já ressoou o primeiro anuncio da fé e estão presentes Igrejas de antiga fundação, mas que estão a viver uma progressiva secularização da sociedade e uma espécie de eclipse do sentido de Deus”.
Dito de outra forma, criou um organismo para olhar e atender às necessidades espirituais (e da Igreja) naqueles países que, sendo maioritariamente católicos, começam a fazer dissipar essa missão. O Papa refere-se, naturalmente, a nações fidelíssimas como Portugal e Espanha, por exemplo, onde já foram aprovadas leis que contrariam o que o Papa já chamou de 'Ecologia do Homem', como o Aborto, o Casamento entre pessoas do mesmo sexo, entre outras.
O objectivo é
«combater um eclipse do sentido de Deus que está a atingir a sociedade,
em particular no mundo ocidental»,
disse o Papa.
Uma vez mais, a Igreja manifesta-se atenta.
Espero que o Papa e este novo Conselho saibam ajudar a Igreja a estar mais presente na vida das pessoas, a fazer esta Nova Evangelização com os leigos e de forma inteligente.