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segunda-feira, 13 de julho de 2015

[2127.] Dez anos depois

Entre estas duas fotografias há dez anos de diferença. A primeira foi tirada em setembro de 2005, na EPVL, quando a Ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, visitou a escola para dar inicio ao novo ano lectivo. E a segunda foi tirada em 4 de julho de 2015, na cerimónia do 24.º aniversário da escola que foi também de homenagem ao Eng.º João Pega.

Na primeira fotografia, João Pega era diretor da EPVL e eu diretor do Jornal da Mealhada. Na segunda, eu sou diretor da EPVL e João Pega o homenageado...

Na primeira foto nota-se, pelos sorrisos, a cumplicidade que desde uns anos antes havia entre nós. Na segunda foto é notória, pela atenção e pelos olhares que essa cumplicidade persiste, dez anos depois.

Quando, em Dezembro de 2004, César Borges Carvalheira - presidente da gerência do Jornal da Mealhada, Lda, numa equipa constituída, ainda, por Abílio Duarte Simões e Hélder Xabregas - me convidou para ser diretor do Jornal da Mealhada, a minha relação com João Pega era afável, embora pouco próxima. Eu conhecia-o, não fosse ele uma figura pública da urbe e filho de um mestre-avô que eu tive quando era muito jovem, o professor Armindo Pega. Tinha sido meu treinador de basquetebol - ou tentado ser, porque sempre fui uma nódoa desportiva - e num momento de maior aflição tinha-me dado umas explicações pontuais de Matemática, na preparação de um ou outro exame ou prova nacional.
À medida que o tempo foi passado, e que fui assumindo a liderança diária do projecto Jornal da Mealhada, fui tendo um maior contacto com o diretor-geral da EPVL e as nossas conversas foram-se tornando mais intensas, mais demoradas, mais frutíferas. Desde o primeiro contacto na pele dessas minhas funções jornalísticas com João Pega, ele me mostrou o seu apoio, me demonstrou o seu carinho e a sua colaboração. Não é mentira que o Eng.º Pega seja um fervoroso fã dos jovens e da juventude.

Alguns meses depois, João Pega tornou-se presidente da gerência da Jornal da Mealhada, Lda e reconduziu-me no cargo de diretor, numa fase particularmente dificil que atravessou a morte do Padre Abílio Duarte Simões. A partir daí as nossas relações aumentaram de proximidade e tornámo-nos, mesmo, muito próximos. E sempre solidários um com o outro nos momentos mais complicados e complexos.

Em Outubro de 2013 quando fui convidado para lhe suceder na direcção-geral da EPVL fui falar com ele antes de aceitar. E conseguimos fazer uma sucessão que, eu pelo menos assim o considero, fez história e seria interessante que fizesse escola na forma como a sucessão de um grande organização pode e deve ser feita.

Continuamos a ser confidentes um do outro, apesar de entre nós haver uma diferença de idade de 41 anos.



segunda-feira, 6 de julho de 2015

[2130.] O futuro, o presente e a memória na EPVL


4 de Julho de 2015
Escola Profissional Vasconcellos Lebre

No dia em que comemorámos 24 anos, fizemos a homenagem prometida ao primeiro director-geral, João Pega. Foi uma festa bonita, como se esperava, com sinais de carinho, com simbolismo e muita emoção. 

Ser diretor da EPVL tem sido tremendo e maravilhoso. Tem sido uma experiência singular que me leva a querer ser melhor a cada dia, mais eficaz, mais presente, mais próximo, mais ambicioso. Os alunos da EPVL são muito bons, os professores e formadores são extraordinários, os funcionários e colaboradores são empenhadíssimos e fora-de-série. Sou um privilegiado ao liderar um grupo assim, ao poder estar ao lado deles neste empreendimento.

Temos de aprender a dizer obrigado olhos nos olhos, quando ainda temos a oportunidade de abraçar quem queremos homenagea
r com um agradecimento. Homenagear a alma mater deste projecto – o eng.º João Pega – é um acto de justiça porque ele é um pilar fundamental da EPVL. Foi o obreiro, foi o ideólogo, foi o estratega e o soldado, o comandante e o peão. Esta escola tem tanto dele que não seria possível quantificar. Até no momento da sucessão mostrou o nível e a dedicação que tem à escola. Tenho ideia que fizemos – modéstia à parte – uma sucessão que pode ser um exemplo para muitas organizações.

Procurámos homenagear o pedagogo, professor e diretor da escola, treinador desportivo, mas também o cidadão – autarca, dirigente associativo – e o homem – pai, irmão, marido, avô. Acho que conseguimos homenagear o Homem na plenitude: “João Pega é um Homem na sua plenitude, capaz da plenitude, coerente com a plenitude, com amores e paixões, ódios e temores, competências e conquistas”, como eu disse no meu discurso.

Dentro do que estiver ao meu alcance, e na minha prática diária como director-geral da EPVL procurarei valorizar o seu legado e a sua obra. Temos, naturalmente, métodos diferentes e pontos de vista diferenciados, não seremos exactamente iguais e pode resultar infrutífera qualquer comparação, mas acredito, é minha firme convicção, de que o legado de João Pega é estrutural e estruturante da EPVL. E eu defenderei sempre esse legado.






quarta-feira, 1 de julho de 2015

[2125.] "A Prova dos Novos" está aberto

Ensaiamos hoje (1 de julho), ou a partir de hoje, mais uma etapa relevante no caminho do ensino profissional na Mealhada. Depois da experiência da Cafetaria do Parque - com aspectos muito positivos e alguns menos satisfatórios - decidimos experimentar abrir o Restaurante Pedagógico "A Prova dos Novos", na Pampilhosa, no horário do almoço, de forma permanente nos próximos 10 dias. Também já tínhamos ensaiado os almoços temáticos, que têm sido um retumbante sucesso, mas ainda não tínhamos experimentado este sistema de abertura permanente.



Este ensaio visa proporcionar aos alunos do Curso Vocacional de Hotelaria e Gestão - de Nível Básico, de equivalência ao 9.º ano - a componente de prática simulada fundamental para a conclusão do curso destes alunos. Uma parte dos alunos está na cozinha e outra parte está a fazer o serviço de mesa.
O restaurante estará aberto de segunda a sexta-feira, ao almoço e durante a tarde (será possível tomar o chá do fim da tarde no espaço), com ementa fixa composta por sopa, prato principal, sobremesa, bebidas e café. Tudo isto pela módica e simbólica quantia de 5 euros. Para já não será preciso fazer marcação, mas é possível que possa vir a ser necessário. 


Para abrir, hoje, começámos com uma sopinha de legumes, um delicioso franguinho assado no forno com batatas assadas e legumes salteados, e um tradicional arroz doce.
Uma delicia.



terça-feira, 23 de junho de 2015

[2111.] "Nós não precisamos de Educação".


Another Brick In The Wall
Pink Floyd
1979

Há dias difíceis para um director de uma escola. 
Há dias em que o desânimo se instala por causa de um ou dois casos perdidos, que estupidamente os casos de sucesso não conseguem superar. Há dias em que os tijolos não são todos iguais e são os mais imperfeitos e frágeis que absorvem a nossa preocupação. Talvez porque tenhamos medo que a parede possa ruir, talvez porque há esta porcaria desta mania da "mãe que ama mais o filho que mais mal lhe faz!"

Esta música tem a minha idade. Aliás, temos ambos a mesma idade. É um hino da escola que não queremos, da escola que evitamos, da escola que condenamos. 
Mas há dias de desânimo... 

quarta-feira, 17 de junho de 2015

[2117.] "Manhãs na RCPfm"


No dia 17 de junho de 2015, como diretor da EPVL, falei no programa "Manhãs da RCP" que a Rádio Clube da Pampilhosa promoveu na edição de hoje.


quarta-feira, 10 de junho de 2015

[2105.] 'Terra Viva' no FESTAME 2015


No dia 10 de junho de 2015, como diretor da EPVL - entidade detentora da PADARIA DA ESCOLA - falei no programa "Terra Viva" que a Rádio Província promoveu na edição de 2015 do FESTAME.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

[2097.] RADIO PROVINCIA 04JUN


https://www.mixcloud.com/Radioprovincia/entrevista-a-nuno-canilho-diretor-da-escola-prof-vasconcellos-lebre-na-mealhada-04062015/

quarta-feira, 27 de maio de 2015

[2082.] O Conhecimento feito matéria!


Terminou hoje a primeira (a normal) época de Defesas Públicas das Provas de Aptidão Profissional dos alunos da EPVL que, prestes a terminar o terceiro ano, se preparam, também, e na maior parte dos casos para terminar o seu curso.

Ao longo de três semanas intensas e intensivas, muitos alunos apresentaram as suas provas nas áreas da Cozinha/Pastelaria, da Eletrónica, Automação e Comando, da Informática de Gestão e das Energias Renováveis. Tivemos uma reprovação, uma repetição e uma mão-cheia de alunos avaliados com 19 valores.

As PAP são, na prática, trabalhos de pesquisa, desenvolvimento e aprofundamento de conhecimentos e competências que os alunos, no final do percurso formativo, devem conseguir sistematizar e apresentar num projecto integrado

E esta é, na minha opinião a primeira grande virtude deste modelo de avaliação da aprendizagem: O aluno que ao longo de três anos teve uma aprendizagem modular em várias disciplinas, num total de 2600 horas, a que acresceram 720 horas em contexto real de trabalho, tem de apresentar a evidência de que aprendeu, que domina o conhecimento e as competências práticas e necessárias. Em suma, a PAP, na interdisciplinariedade tornada material, põe o aluno à prova. 
Este é, aliás, algo muito próximo, senão melhor e mais aprofundado do que há uns meses era apresentado como um modelo de exemplar de formação das crianças e jovens assumido no Sistema Educativo da Finlândia.

A segunda grande virtude da PAP, enquanto instrumento de avaliação, é que ela não é avaliada apenas sobre um ângulo. O aluno é avaliado em vários momentos e sob perspectivas muito diferenciadas. É avaliado numa primeira perspectiva pelo empenho e dinâmica de trabalho - método, motivação, persistência, capacidade de ultrapassar dificuldades -. Numa segunda perspectiva é avaliado pelo projecto em si, pelo que conseguiu, onde inovou, pelo grau de dificuldade e exigência que conseguiu superar. E por fim, na derradeira perspectiva, o aluno é avaliado pela forma como consegue, perante um júri, onde estão técnicos especializados e pessoas que até podem nem conhecer nada do assunto, defender o seu trabalho, justificar as opções que tomou, o caminho que trilhou e o que ali apresenta.
A falta que me fez - e perdoe-se o registo pessoal - esta experiência na primeira vez que tive de ir a uma prova oral na Faculdade de Direito no meu curso superior.


Nestas três semanas apresentaram-se projectos verdadeiramente fantásticos, com um grau de inovação que poderá até considerar-se demasiado elevado para alunos que estão (apenas?) a concluir o nível 4, a escolaridade obrigatória. Soluções que, num país onde se valorizasse efectivamente o empreendedorismo, a inovação e a tecnologia, seria aproveitadas e tornar-se-iam grandes fontes de lucro e de rendibilidade.

Não me ficaria bem estar a identificar, publicamente, qual ou quais os projectos que me parecem verdadeiramente fantásticos. Mas fico à disposição de quem me estiver a ler e entenda aprofundar, para, em privado, identificá-los!  

domingo, 24 de maio de 2015

[2084.] Vocês valem a pena, vocês são bons e sabem-no!


Mensagem aos alunos do 3.º ano da EPVL que vão para estágio

Caríssimos,

Na próxima segunda-feira começa o vosso estágio. Será o vosso último estágio e um passo importante na reta final do vosso percurso formativo na nossa escola. Tenho a certeza de que com todo o capital que foram acumulando ao longo do tempo será um tempo de aprendizagem e de grande crescimento.

Gostava no entanto, para além de vos desejar sorte e um fraternal abraço, de vos deixar algumas notas que nos parecem importantes.

Lembrem-se da história dos “Sete Sapatos Sujos” – de que vos falei no início do ano – e recordem que também nas empresas (e especialmente nas empresas que vos acolhem em estágio) esses sapatos sujos têm de ficar à porta.

Lembrem-se que toda a informação, conselhos, reparos, raspanetes, alertas e incentivos que vos vão ser dados ao longo destas semanas vão ser fundamentais para o vosso futuro e sucesso enquanto pessoas e profissionais. O mundo na escola procura ser próximo da realidade, mas a realidade é muito mais viva e presente quando estão em estágio. Procurem ser humildes perante os elogios e gratos perante os reparos e raspanetes que vos vão ser dados.

Lembrem-se, por fim, que em vocês, nas empresas, está toda a escola – professores, funcionários, directores e os alunos mais novos e os que um dia serão alunos da EPVL. As vossas atitudes, a vossa postura e comportamento serão a imagem de marca de 24 anos de história de uma instituição que procura demonstrar aos outros que “Ser Profissional Vale +”. Tenham consciência que podemos demorar 24 anos a construir uma boa imagem, mas bastam poucos minutos numa má atitude para a destruir.

Vocês valem a pena, vocês são bons e sabem-no!
Boa sorte!

Nuno Castela Canilho

sábado, 18 de abril de 2015

[2059.] Felix felicis ou a magia da dopamina

α
FELICIDADE, o alfa – O 6.º Encontro com a Educação, promovido pelo Município da Mealhada, com coorganização do Agrupamento de Escolas da Mealhada e da Escola Profissional Vasconcellos Lebre, procurou debruçar-se sobre o tema "Ser Feliz na Escola". Um tema arrojado, é certo, e que funciona quase como uma quimera para quem trabalha numa escola - seja como professor, gestor ou funcionário.
Na verdade, todos gostaríamos que pais, professores, alunos e funcionários fossem felizes na escola. Ou seja, que alcançassem na escola a autosatisfação, a recompensa pessoal que os valoriza e lhes dá a sensação de valorização pessoal. Sabemos que não é unanimemente assim, e por isso é que se constitui como uma utopia consciente e mobilizadora.

β
FELICIDADE, o beta – Felicidade não é bom ambiente, ou mera satisfação. A sociedade actual, contemporânea, advoga um distanciamento grande entre a efemeridade do prazer e da mera satisfação e a perenidade da Felicidade. Essa perenidade torna-a aparentemente inatingível. Nunca se é verdadeiramente feliz, dizem os mais pessimistas, que se autoproclamam realistas.

γ
FELICIDADE, o gama – Mas é possível ser-se verdadeiramente feliz. Se formos transparentes, autoconfiantes, se gostarmos de nós próprios e se vivermos a nossa vida com honestidade intelectual, com honestidade material, com fidelidade, coerência, resiliência e amor próprio e ao próximo. E isto vale na escola, em casa, na cidade e no mundo. 

Ω
FELICIDADE, o omega – A professora doutora Manuela Grazina foi a estrela do 6.º Encontro com a Educação. Desvelou o lado filosófico da Felicidade e tratou-o ao nível da ciência - da Bioquimica, especialmente. Na prática, com pragmatismo, com muita energia, explicou que a Felicidade se educa, se aprende, se treina, é uma reacção (ou muitas) química que activa certas partes do nosso cerebro que por sua vez mobilizam zonas que nos revelam amor próprio, sentido de recompensa, e satisfação. Tudo está criado, a felicidade que se dá, que se recebe, que se treina, e, naturalmente, que se alcança.   

sexta-feira, 20 de março de 2015

[2025.] Ser Profissional Vale +



Ser Profissional Vale Mais
A propósito do Dia do Ensino Profissional – 20 de março de 2015 

Assinala-se a 20 de março de 2015 o Dia do Ensino Profissional. Poderia ser mais um dia no calendário das datas a festejar, mas – assim nos parece – pode ser um dia de reflexão sobre o que é o Ensino Profissional, sobre as suas fragilidades e vantagens, sobre o que ainda pode ser feito para colocar este tipo de formação ao serviço das comunidades, ao serviço das empresas e ao serviço dos jovens portugueses.

O ensino profissional permite aos jovens portugueses o melhor de dois mundos: as competências técnicas e científicas para uma entrada imediata no mundo do trabalho e, ao mesmo tempo, todos os conhecimentos para o prosseguimento de estudos no ensino superior ou politécnico. Há dados cientificamente comprovados que atestam que, nas áreas onde a componente técnica é mais forte – como as engenharias, por exemplo – os alunos que fizeram a formação secundária nas escolas profissionais têm mais sucesso do que os que frequentaram o ensino regular. Não é de espantar, porque todo o ensino profissional é feito no pressuposto da aliança perfeita entre a componente teórica e a experimentação, o aprender fazendo que só a prática permite.

No caso concreto da Escola Profissional Vasconcellos Lebre, a estatística dos últimos 17 anos, permite-nos declarar que dos mil alunos que frequentaram a escola e concluíram o seu curso, 21,28% destes prosseguiram estudos. Dos que preferiram entrar imediatamente no mercado de trabalho, 79,05% começaram a trabalhar directamente na sua área de formação. Temos, apenas (mas sempre infelizmente) 22 numa situação de desemprego – nove dos quais na iminência de encontrar o seu primeiro trabalho. Na prática e em resumo, temos 97,57% de casos de sucesso, nos últimos 17 anos.

Por outro lado, o ensino profissional, indirectamente, mas definitivamente porque isso reside na sua génese, desenvolve nos alunos uma autonomia incomparavelmente superior à dos 60% de jovens que frequentam o ensino regular. O ensino profissional desenvolve o sentido de empreendedorismo, de livre iniciativa, que vai resultar em atitudes de auto-estima e independência importantes no futuro de um país. É muito significativo o número de diplomados do ensino profissional que se estabelecem por conta própria criando empresas que vão muito além do auto-emprego.

Os jovens diplomados do ensino profissional compreendem regras, normas e valores organizacionais, porque fazem uma parte muito relevante da sua formação em contexto de trabalho nas empresas, no mundo real, consciencializando-os para a importância da actividade laboral, permitindo-lhes adquirir experiências, aplicar conhecimentos, desenvolver relaçőes interpessoais. Tudo isto com uma grande vantagem: Este contacto na empresa é sempre monitorizado por um professor da escola, que acompanha os estágios, que supervisiona o desenvolvimento do aluno ao longo de três anos, que estabelece métodos e metas sistematizados e personalizados para cada aluno, em cada empresa.

Devido à cultura subjacente à génese das escolas profissionais, mas também por uma questão de “sobrevivência” as escolas profissionais portuguesas, de uma maneira geral, promovem um acompanhamento aos alunos que não termina com a conclusão do curso, ou com a entrega do diploma. No caso concreto da Escola Profissional Vasconcellos Lebre, o Serviço de Psicologia e Apoio à Inserção na Vida Activa, coordenado por um psicólogo vocacional, acompanha os alunos na procura de emprego, na intermediação entre quem procura emprego e quem procura trabalhadores, recolhendo e analisando um vasto conjunto de informação como o tipo de relação contratual, expectativas de permanência, progressão na carreira, disponibilização de formação contínua. Tudo isto se traduz num importante acompanhamento pedagógico e técnico muito relevante.

Todos estes argumentos, facilmente comprováveis, serão relevantes na hora da escolha, perante o tenso momento que é imposto aos jovens portugueses de lhes ser exigido que conheçam uma vocação que provavelmente ainda nada, nem ninguém, sequer desvelou. Que saibam o quer querem ser, quando ainda nem sequer sabem o que são. Que definam o futuro quando ainda só lhes foi ensinado a viver o presente, cada momento, o imediato.

Para os pais, numa fase da vida nacional onde em cada família se tem de optar entre o óptimo e o possível, entre o desejo e a realidade do custo de vida, o ensino profissional apresenta, ainda, um derradeiro argumento. O ensino profissional em Portugal, porque é completamente financiado por fundos comunitários é completamente gratuito. E quando se diz completamente gratuito não se está a exagerar, ou a fazer qualquer espécie de analogia com o que constitucionalmente parece estar consagrado para o ensino público. Não. Estamos perante uma realidade em que o custo para as famílias é zero.

Na EPVL temos cursos de Nível IV – chamados Profissionais – que são completamente financiados pelo POPH. Este financiamento comunitário inclui o pagamento do funcionamento da escola e, também, financiamento aos alunos, nomeadamente o subsidio de alimentação, o subsidio de transporte, uma Bolsa de Profissionalização – entregue pelo estágio – e, no caso dos alunos apoiados pela Acção Social ainda, uma Bolsa de Material Escolar. Dito de outra forma, a escola oferece aos alunos o almoço, o transporte, uma remuneração pelo trabalho em estágio e, se for necessário, o material escolar. Uma das viagens de estudo anual dos alunos é, também, integralmente suportada pela escola.

No caso dos alunos deslocados, a EPVL garante ainda, sem qualquer custo, o alojamento – e despesas de gás, água e energia –, o jantar e o pequeno-almoço. De referir ainda que a EPVL assume todas as despesas com os materiais necessários para as Provas de Aptidão Profissional – ferramentas, material e toda a tecnologia para a construção física e material da prova. Situação que nalguns casos assume valores muito significativos e que se imputados ao aluno resultariam num investimento na casa das várias centenas de euros.

Neste dia do Ensino Profissional, e perante várias tentativas de descredibilizar as grandes conquistas que esta via profissionalizante conquistou para o país e para o desenvolvimento das comunidades, interessa clarificar, apresentar, e demonstrar as virtudes de um caminho que forma jovens para o trabalho e para o prosseguimento de estudos, que garante emprego e a consequente remuneração e desenvolvimento da economia, que acompanha os jovens e lhes dá apoio, conselho e amparo nos momentos chave da sua via, que garante às famílias uma educação de qualidade e gratuita, completamente gratuita, com a consequente poupança de recursos.

Hoje, em Portugal, no final de um período de crise económica, financeira e de valores, todos os indicadores, todos os rankings e avaliações, cotações e estatísticas indicam e demonstram que “Ser Profissional Vale Mais!”.

Nuno Castela Canilho
Diretor-geral da Escola Profissional Vasconcellos Lebre - Mealhada


quarta-feira, 18 de março de 2015

[2022.] Dia vencido – 18MAR2015

α
GREXIT
– Hoje foi dia de almoço temático no "A Prova dos Novos", o restaurante pedagógico da EPVL. O tema foram os sabores mediterrânicos com o souvlaki grego e a baklava israelita... Sem qualquer conotação com a vontade de espetar qualquer Tsipras ou já ter visto Varoufalis empalado pela Paris Match, nem tão pouco pressentir que Nethanyau vai ser muito mais ácido do que o Médio Oriente precisaria e os israelitas mereceriam.
A escolha da ementa não passou pela mão do director, mas foi inteligente e actual. Quase tão boa como a prestação dos alunos do 1.º ano de Restauração - variante Mesa/Bar que hoje estiveram irrepreensíveis.

β
PORTUGALIDADE
– O site Buzzfeed identificou "28 palavras que a língua inglesa deveria roubar a outras línguas". O jornal Observador reproduz a notícia e dá conta de há uma palavra portuguesa no rol: “desenrascanço”.
E não há duvida nenhuma que é uma palavra bem portuguesa e digna de orgulho. Digna de orgulho porque somos bons nisso, “the last minute improvisation of a hasty but perfectly sound solution; pulling a MacGuyver”.
Na lista dos brits estão, ainda, “tsundoku”, do japonês, que quer dizer comprar e acumular livros que nunca lemos, “jayus”, do indonésio, uma piada tão mal contada que não resistimos a rir dela, “utepils”, do norueguês, beber uma cerveja ao ar livre num dia de sol, ou “shemomedjamo”, do georgiano, continuar a comer apesar de estarmos cheios, por estar a saber tão bem.

γ
TRUQUE
– No dia a dia é preciso preparar reuniões, é preciso agendá-las, tratar do que se vai trata, enfim, criar a coisa. Mas não há dúvida nenhuma que há uma altura em que a coisa pode estar já a tornar-se tão redonda que não meio de acabar... Como disse um dia um primeiro-ministro britânico, comparando com um discurso... "é como um love affair; qualquer idiota sabe começar um, mas pôr-lhe fim exige considerável competência”. Alguns truques (AQUI).

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

[2006.] Dia vencido – 24.II.2015

α
ALMOÇO TEMÁTICO EPVL – Hoje foi dia de mais um almoço temático da EPVL. Desta vez "Sabores em Família" com uma temática interessantíssima, desenvolvida pelo Chefe Luís Lavrador e pelos alunos do 2.º ano de Restauração Cozinha/Pastelaria, e muito em voga, na senda dos aproveitamentos. Uma refeição soberba servida no “A Prova dos Novos”, na Pampilhosa, pelos alunos do 1.º ano de Restaurante/Bar.
Para entrada tivemos “O que houver”, um conjunto de vários apontamentos como um vol-au-vent, uma manteiguinha com algo e salsa, salmão fumado com funcho ou uma tosta com patê de atum e azeitonas.
Logo a seguir uma sopa triunfal: “A descomplicação da sopa”, um prato com metade de creme de cenoura e outra metade de creme de feijão, com bacon e enchidos desidratados, um apontamento de batata e couve. Absolutamente soberbo.
Bochecha de porco com camarão salteado, arroz de frutos secos e misto de legumes foi o prato principal “A dismistificação do peixe e da carne”. Uma coisa divinal.
Mas como sempre o melhor estava para o fim. “A alegria dos doces”, gelado, crepe, um crocante soberbo e um gateaux de chocolate de ir às lágrimas.
Há efectivamente profissões difíceis. Ser diretor de uma escola com estes talentos não é uma delas.

β
SERMÕES DE DIRETOR #05
 – Ainda na senda da reflexão de sábado, no Cenáculo de Aveiro, a verdade é que ser escuteiro treina-nos para a auto-avaliação e para o planeamento e para o método do projecto... Mas não é por causa disso que deixa de ser um grandessíssimo quebra cabeças haver destreza mental para conseguir em fevereiro determinar que cursos abrir em setembro de 2015 para colocar no mercado jovens profissionais em julho de 2018. A complexidade da coisa é especialmente insuflada quando se mandam mais de trezentos emails para autarcas, IPSS, e acima de tudo empresários de todos os ramos, de toda a região – auscultando o mercado e procurando recolher opiniões sobre as necessidades do mercado em 2018 – e se recebem 12 respostas... menos de 5%...
Reconheço que não é fácil para um empresário ter uma visão prospectiva a 3 ou 4 anos, especialmente quando ninguém educa os nossos jovens e adultos para isso. Mas ajudava ter mais apoio... Tornava menos arriscada a decisão de quem tem que agir, agora, e escolher. Valeram os 12 contributos, que se revelaram importantíssimos! Só assim se garante empregabilidade, trabalhando para o sucesso e não para as estatísticas!

γ

SERMÕES DE DIRETOR #06 – Li, hoje, no Jornal de Notícias que “Todos os anos, mais de 150 mil alunos ficam retidos no mesmo ano de escolaridade, o que já aconteceu a quase 35% dos jovens com mais de 15 anos”. Considera o Conselho Nacional de Educação, numa recomendação aprovada ontem por unanimidade que a retenção é prática enraizada na sociedade e na cultura escolar, “apesar dos efeitos negativos”. Claro que ninguém acredita que possa haver efeitos positivos – para além do que possa considerar-se o efeito do castigo – na criança ou no jovem que vai voltar atrás num percurso escolar. Segundo o Conselho Nacional de Educação “os alunos chumbados não melhoram os resultados e são mais propensos a nova retenção, à desmotivação, à indisciplina e ao abandono escolar”... É possível.
Mas o Conselho Nacional de Educação não ataca a questão central – que é a evidente falha do sistema na componente vocacional e na determinação vocacional dos jovens, não...para quê gastar mais dinheiro com a reciclagem de docentes para esse fim ou com a contratação de psicólogos vocacionais e escolares? – o melhor é sempre o mais fácil: “Entre outras medidas, o CNE recomenda ao Governo a reavaliação da adequação das provas finais de 4.º e 6.º anos, a revisão das condições de acesso à prova final do 9.º ano e das implicações das provas finais no prosseguimento de estudos, bem como a melhoria da avaliação interna das aprendizagens, contrariando a tendência de contaminação pelos processos de avaliação externa”.
A solução é acabar com os exames e com os chumbos, é pôr os professores a passar os alunos todos sem qualquer espécie de referencial. E assim diminuiu-se o número de retenções. Claro! O que é que interessa que os alunos não tenham conhecimentos, competências ou atitudes? O que interessa é que não chumbem!...

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

[1909.] Enganar e ser enganado

SERMÕES DE DIRETOR #04
 
Não gosto de ser enganado. Acho que ninguém gosta. Mas tenho a certeza de que sou enganado muitas vezes. 
Aceito, no entanto, e até aplaudo a sabedoria e a categoria de quem me sabe enganar, de quem tem a astúcia e ousadia de arriscar enganar.
Mas fico fulo quando me enganam descaradamente, sem pudor, sem qualquer esforço ou artimanha para me fazer acreditar numa ilusão. Sinto-me enganado, e essa é a pior sensação. Odeio quando não se esforçam por me enganar com categoria ou classe.
 
Fazem, simplesmente, de mim parvo.


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

[1904.] Sermões de Diretor#02

SERMÕES DE DIRETOR#02

As minhas declarações deram azo a titulo jornalístico. Há, efetivamente, escolas a tratar alunos como se fosse gado.
Nunca pensei que as escolas portuguesas estivessem na contingência de disputar alunos com tanta ferocidade.
Há escolas – públicas e privadas – a fazer coisas inacreditáveis para conseguirem arranjar alunos. Coisas que tocam a imoralidade e até o crime – como coacção, por exemplo – que são perfeitamente condenáveis quando estamos a falar de escolas, onde a promoção devia ser a dos valores e do bem-comum.
E porquê? Há cada vez menos alunos – crianças e jovens – e as escolas precisam do que é já um bem escasso.

Mas os alunos – portugueses e portuguesas, mas também alunos africanos, por exemplo – não são gado, que possam ser trocados, guardados ou mantidos no redil desta ou daquela instituição de ensino!

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

[1903.] Sermões de Diretor#01

SERMÕES DE DIRETOR#01

Estamos duas pessoas há três dias a telefonar para antigos alunos, que acabaram o curso em julho, com três propostas de trabalho. A maioria
NÃO ATENDE O TELEFONE... alguns dos (poucos) que atendem dão desculpas inacreditáveis para não responder a trabalho concreto e remunerado... É inacreditável!

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

[1902.] Não podemos desistir...

SERMÕES DE DIRETOR #03

Será muito dificil para quem nunca viveu o processo compreender a azáfama que é dar inicio a um ano letivo. Haverá processos igualmente cansativos noutras profissões, naturalmente, mas neste as coisas roçam, acima de tudo, a insanidade... Um alemão, enquanto diretor de uma escola, cortava os pulsos na primeira dificuldade em que se vê que a administração central não consegue acompanhar o ritmo dos dias e a contagem decrescente para os alunos se sentarem e começarem um ano letivo...E "O dificil é sentá-los!", como dizia o outro.

No primeiro dia de aulas ainda há professores por colocar - e se não estão colocados no publico não aceitam compromissos com o privado - e por isso ainda não há horários, nem respostas quanto a autorizações e afins e então candidaturas a financiamentos nem sequer vale a pena falar.
O que deviam ser problemas acessórios, são, na verdade, preocupações que levam à exaustão o mais português dos portugueses. Gastam-se muitas energias nos ‘bastidores’ e o essencial não pode ser tratado da forma mais correta.

Portugal faz 871 anos no próximo dia 5 de outubro. estamos a trinta anos do 9.º centenário. E lamentavelmente, é na escola que radica a última mecha de esperança na nacionalidade e no futuro da Nação. A escola hoje é o unico e por isso o ultimo bastião da portugalidade. Não temos fronteiras, não temos exercito, não temos marinha, não temos moeda, não temos nada. O que temos é a língua, é a resiliência, é a cultura, é a sabedoria, são as idiosincrasias que permitem a um português aguentar o que um austriaco ou um dinamraquês se recusaria a fazer ou a dizer. E isso, até esse exercicio idiota, está hoje confinado à escola portuguesa.

Por isso, os professores portugueses e os funcionários da escola portuguesa - publica ou privada - são os únicos que não podem desistir. Porque se desistirem acaba-se tudo e nunca chegaremos a fazer os 900 anos de existência.