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terça-feira, 28 de setembro de 2010

[1158.] Visto isto

«Nem todos os direitos podem conviver com a crise!»
ANTÓNIO BARRETO, citado no Diário As Beiras



No Diário das Beiras de hoje, 28.09.10
«Segundo o sociólogo António Barreto, a totalidade dos direitos dos cidadãos inscritos na Constituição Portuguesa não são “compatíveis” com o período de crise económica que o país atravessa.
As declarações do sociólogo foram feitas ontem (27) à noite, em Coimbra, no final de uma palestra sobre “Desenvolvimento Regional de Cidadania”, promovida pelo Rotary Club de Coimbra/Olivais.
À Lusa, o antigo ministro disse ser crucial operar uma distinção entre direitos fundamentais e direitos sociais e económicos, numa altura tão difícil.
“Vamos à Constituição e vemos que o cidadão português tem todos os direitos e mais alguns. Tem direito à saúde e educação de graça, à habitação”, lembrou António Barreto, garantindo que estes direitos não são, de momento, “compatíveis” com o estado das finanças públicas.
O sociólogo acrescentou que tem de ser feita a distinção “entre os direitos que devem ser absolutamente invioláveis – direito à privacidade, à integridade humana individual, direito à boa reputação, de voto, de expressão, de circulação – e os outros, que são interessantes, importantes, mas não são do mesmo nível de inviolabilidade como são os outros”.
António Barreto concluiu ainda que é contra a abertura de um processo de revisão constitucional nesta altura. Para o antigo governante, este processo deveria ser feito “daqui a seis meses ou um ano, depois da eleição do presidente da República e devia ser feita com mais calma”.»

Estas afirmações se viessem de um qualquer tipo da Direita eram classificadas como fascistas. Vindas de um intelectual - que muito aprecio - paladino da Esquerda são o quê?

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

[1125.] Visto isto... Hoje começa o Ramadão


رَمَضَان

Mês sagrado do Islão leva milhões ao jejum
Da aurora ao pôr do Sol sem comer nem beber: é um dos cinco pilares da prática dos muçulmanos. O Ramadão começa hoje, quarta-feira, e os crentes devem juntar às cinco orações diárias habituais mais uma, especial, em casa ou na mesquita.
Com uma data móvel, que recua todos os anos no calendário e que é anunciada com precisão à roda do mundo consoante a hora do primeiro avistamento da Lua após a Lua Nova, chega para os crentes do Islão o mês sagrado.
Em todo o mundo, serão actualmente 1, 57 mil milhões (cerca de 23% da humanidade). Portugal tem uma comunidade de cerca de 40 mil pessoas integradas nesta fé, a maior parte vivendo na região da Grande Lisboa.
Por estes dias, até 9 de Setembro, aumenta a afluência à Mesquita de Lisboa: não são apenas as cinco orações diárias que ali levam os praticantes do Islão, é também uma oração especial que àquelas é acrescentada e que consiste na recitação, de cor, de uma das 30 partes do Alcorão.
Antes dessa oração especial, os crentes podem quebrar o jejum com uma tâmara. Só mais tarde, com o ocaso, será tempo de uma refeição. A Mesquita de Lisboa está preparada para servir 800 refeições gratuitas.
O mês sagrado coincidindo com tempo de férias laborais ou escolares permite maior afluência às orações, que podem também ser feitas em casa ou noutro lugar conveniente.
No próximo ano, o Ramadão vai começar recuando cerca de dez dias no calendário e assim será sempre, obedecendo ao ano lunar, que tem a duração de 355 ou 356 dias, menos dez que o calendário gregoriano.
Das cinco horas da manhã até às 20.39, assim será hoje a duração do jejum, a decrescer conforme Setembro venha chegando. Estas cerca de 16 horas de privação voluntária de comida ou bebida são encurtadas quando o mês do Ramadão recai nos meses de Inverno das regiões mais afastadas dos trópicos.
Em cada ano, a Mesquita de Lisboa passou a facultar aos crentes pela Internet os horários de fazer jejum, tendo como ponto de orientação as principais cidades do país. Para o crente tem significado a orientação mesmo ao minuto e o pormenor do nascer e pôr do sol varia não só de dia para dia, como consoante a zona do país.
Na Alemanha, que já conta com quatro milhões de muçulmanos, um canal de televisão anunciou que todos os dias vai anunciar a hora do começo e fim do jejum.
Segundo explicou ao JN o imã, no Ramadão “há uma intensidade maior” nas práticas por parte dos fiéis. Afirma o “sheik” David Munir que “este é o único mês em que é possível praticar quatro dos cinco pilares”. A crença, as cinco orações diárias, a caridade e o jejum. A peregrinação a Meca, ao menos uma vez na vida, deve ser feita no 12º mês do calendário muçulmano.
Diz o imã Munir que, no que toca ao exercício obrigatório da caridade, ele se concentra no mês do Ramadão em 99% das opções tomadas pelos muçulmanos.
Se este mês é assumido como sagrado isso deve-se “ao início da revelação do Alcorão ao Profeta Maomé”. Daí a espiritualidade que deve ser conferida à vivência desse tempo, refere também o mesmo teólogo, há já 25 anos na Mesquita de Lisboa.
A comunidade muçulmana em Portugal tem sobretudo como raízes os crentes vindos de Moçambique, a que se juntaram outros da Guiné-Bissau e de pessoas trazidas por outras origens da corrente migratória.
“A prática do Islão”, assegura o teólogo, “é muito pessoal. Vir à mesquita não é sinónimo de ser muçulmano”.
Jornal de Noticias de 11 de Agosto de 2010, por Eduarda Ferreira

domingo, 8 de agosto de 2010

[1121.] Visto isto

«Chaque jour nous laissons une partie de nous-mêmes en chemin»*

*Em cada dia, deixamos uma parte de nós mesmos no/pelo caminho

Tradução livre

Numa peregrinação ao 'templo', desta vez em domingo abafado e triste, esbarrei com a reedição dos dois primeiros volumes dos 'Diários' de Miguel Torga - I a IV volume e V a VIII volume. Prenda que a Dom Quixote decidiu proporcionar aos aficionados do médico da Portagem com novas capas - um de amarelo e outro de verde - desde Julho de 2010.

Já li 'Bichos', passei olhos pelos 'Contos da Montanha' (não recordo se os Novos se os "velhos") e já me ri com 'O Senhor Ventura'. Nunca li os 'Diário's, confesso.

(Mais uma linha para a lista do contributo dos que não sabem o que me oferecer pelas Festas...)

Mas fiquei sorridente com a frase de Henri-Frederic Amiel (1821-1881) que serve de epígrafe a ambos os volumes dos 'Diário's de Torga. Ao lê-la achei que tinha de a pôr n'o fio dos dias. Saquei do telemóvel, fotografei-a (e que boa trampa ficou).

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

[1119.] Veneris dies

A Modern Romance - Lado A

*
* *

Repescado do Público, de 5 de Agosto de 2008

Crime
MP abre mais de 25 processos de violência doméstica por dia

Memorando da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa adianta que foram registados só no primeiro semestre deste ano 4546 novos inquéritos.
A Procuradoria de Lisboa abriu 10.861 inquéritos no ano passado (Manuel Roberto/PÚBLICO)
Foram abertos em média 25 inquéritos de violência doméstica por dia no distrito judicial de Lisboa no primeiro semestre deste ano. O número retira-se do recém-divulgado memorando de actividades da Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa sobre os primeiros seis meses do ano, que adianta terem sido registados neste período 4546 novos inquéritos. A Procuradoria-Geral Distrital de Lisboa (PGDL) é uma das quatro procuradorias distritais do país e compreende 42 comarcas, abarcando 32 por cento da população recenseada em Portugal. A comarca de Lisboa foi a que registou maior número de inquéritos abertos, com 920 do total, seguida pela nova comarca da Grande Lisboa Noroeste, que inclui os concelhos de Amadora, de Mafra e de Sintra, com 681."Pese embora a necessidade de confirmação dos registos (uma vez que haverá situações como tal registadas que poderão não configurar crime de violência doméstica), aquele número é significativo", lê-se no documento. O relatório divulgado no mesmo período do ano passado não divulgava os inquéritos relativos a violência doméstica, mas o memorando relativo a 2009 dava conta da abertura de 10.861 inquéritos pelo crime de violência doméstica ao longo dos 12 meses. Metade são 5430, o que pode significar que, apesar de esta criminalidade se manter elevada, houve uma diminuição face ao ano anterior. "Em matéria de violência doméstica, têm sido desenvolvidos no distrito modelos de intervenção diferenciada, envolvendo a articulação com estruturas comunitárias e instituições públicas e privadas vocacionadas para a detecção, o estudo, o acompanhamento do fenómeno e para o apoio às vítimas", adianta ainda a procuradora-geral distrital, Francisca Van Dunem, que assina o documento.Este ano já morreram 14 mulheres vítimas de violência doméstica. O Observatório das Mulheres Assassinadas, da UMAR, contabilizou 29 homicídios em 2009, menos 14 por cento do que no ano anterior. Um processo destes tem sido alvo de inúmero interesse nos últimos dias. Trata-se da queixa apresentada pela presidente da Câmara de Rio Maior, Isaura Morais, que decidiu denunciar a violência de anos por parte do seu último companheiro, que, quando esta lhe anunciou o fim da relação, a ameaçou de morte.Também significativa foi a criminalidade juvenil registada no primeiro semestre no distrito judicial de Lisboa. Por terem tido comportamentos qualificados como crimes, mas ainda não terem atingido os 16 anos necessários para responderem penalmente, foram abertos 2474 inquéritos tutelares educativos. A maioria encontra-se nos tribunais de família e menores de Lisboa (591) e Sintra (432). Em 135 casos, o Ministério Público requereu uma medida de internamento e em 289 outras medidas que não implicavam a institucionalização do menor.


Meya Culpa
de José de Almeida & Maria Flores
in http://www.olhares.com/

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

[1116.] Visto isto

«Um amigo que ainda fez o serviço militar obrigatório contou-me um episódio curioso: os recrutas estavam na parada a serem ritualmente insultados por um sargento. O bruto inquiria-os acerca das suas qualificações e profissões para, logo de seguida, os vilipendiar acerca disso. A dado passo, berrou a um magala com ar assustadiço: "O que é que tu fazes?" O rapaz balbuciou um elucidativo pedido de esclarecimento: "Aqui ou na vida real?"»

Carlos Abreu Amorim in 'Aqui ou na vida real?', na rúbrica 'É dificil ser liberal em Portugal', no Diário de Notícias de ontem, 4 de Agosto.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

[1113.] Visto isto

«Depois acrescenta-se que a nossa Constituição ter os donos vivos e os donos não gostam que se lhes mexa na propriedade e querem tudo no sítio onde o colocaram há 35 anos. E há também, numa Constituição que já foi remexida dezenas de vezes, muitas vezes inutilmente por causa da Europa, o facto de ela ser simbólica à esquerda, sacrossanta e até um pouco de fetiche, o que em tempo de vacas magras ideológicas conta.»

José Pacheco Pereira, 'A querela constitucional', na rubrica 'A Lagartixa e o Jacaré', na Revista Sábado de 22 de Julho

sexta-feira, 16 de julho de 2010

[1106.] Visto isto

«O Verão é a única estação e, nos seus movimentos, acaba por ser uma metáfora da vida espiritual".

Rainer Maria Rilke, recordado por Tolentino Mendonça, no Público.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

[1096.] Visto isto 08.07.2010

«Deus permite o mal.
O sofrimento às vezes faz muito bem à alma.
Deus nunca nos dá uma cruz maior do que aquela que podemos suportar e
permite o mal neste mundo porque, quando um ser humano nasce, a linha de saída
não tem nenhum mérito.
Mérito é gerir o bem e o mal até ao fim!»

José Fortea, padre exorcista espanhol, em entrevista ao jornal i