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terça-feira, 31 de março de 2015

[2038.] Dia vencido – 31MAR2015

α
DEVER SER – Hoje reuniu. pela primeira vez, o Conselho Consultivo da EPVL. Um pontapé de saída importante para uma cultura de auto-avaliação, de superação e de enriquecimento pela consolidação de opiniões que uma escola tem de ter se quer sobreviver. Foi o arranque, mas começou com o pé direito. As opiniões apresentadas mostraram a maturidade e a qualidade dos conselheiros. Valeu a pena! Assim, sim!

β

DEVE E HAVER – Tocar vários burros não é fácil, mas quem gosta, gosta. Custa, mas tudo o que é bom custa para valer a pena. Mas o final do mês de março é, efectivamente, um pesadelo. Fazer relatórios de contas, de actividades, descodificar a linguagem encriptada dos números para dar pareceres de conselhos fiscais é muito complicado. Valem as boas equipas e os bons resultados. Os de que nos podemos orgulhar. Daqui a poucos minutos termina o terrível mês de Março e tenho razões para estar contente. O relatório dos Bombeiros (com um saldo positivo de 39.265,72€) e o da escola são motivos de orgulho e tranquilidade. É bom quando fazemos as coisas bem.

γ

DEVE DE HAVER – Trapalhada na Madeira. Ganhou a Maioria Absoluta e há azia generalizada, da CDU, do PS, do CDS... Passam 45 horas e afinal os cinco votos de diferença que os laranjinhas tinham já não existem, porque em Santa Cruz alguém tinha falhado em 116 votos no  PSD e 22 na CDU. A CDU elege o 3.º e Miguel Albuquerque pede a maioria absoluta. Fazem-se contas e é possível que apesar de uma oposição completamente fragmentada o PSD tenha mesmo de arranjar o 24.º voto. Passam duas horas e alguém percebe que se tinham esquecido do Porto Santo. Afinal há maioria absolutissima... Pelo sim pelo não vou esperar pelas primeiras horas de dia 2... até porque daqui a nada é dia das mentiras.

sábado, 28 de fevereiro de 2015

[2014.] Dia vencido – 28FEV2015

α
BOMBEIROS 1 – A manhã e parte da tarde de hoje foram dedicadas aos Bombeiros. Reunião da Mesa de Encontro de Direcções - em simultâneo com a Mesa de Encontro de Comandos - no Quartel dos Bombeiros de Ílhavo. A estreia da nova direcção da Federação dos Bombeiros do Distrito de Aveiro - liderada por Paulo Marco Braga, de Estarreja -, num formato renovado de périplo pelo distrito, com uma adesão fantástica, que há muito não se via neste tipo de fóruns e na Federação, com aprofundamento da unidade e coesão. Uma manhã bem passada a conversar sobre o que nos atormenta, sobre as tormentas que se avizinham, sobre as boas práticas que uns e outros podem aproveitar deste contacto.

β
BOMBEIROS 2 – Os tempos são cinzentos, pouco auspiciosos e o persiste o fantasma de sempre, a pergunta: O que querem os portugueses dos seus bombeiros voluntários? O Estado já se sabe, quer mais e quer melhor. As Câmaras Municipais, na sua generalidade, também se sabe, quer que não chateiem. Enquanto houver bombeiros voluntários a custar 10 mil não há bombeiros municipais a custar 4 milhões...
Mas e os portugueses? Terão de ser eles a responder. E são os portugueses que têm que saber que as coisas não estão fáceis e quem sem dinheiro as suas casas vão mesmo arder, e a sua segurança tem de voltar a ser assegurada pela boa-vontade dos vizinhos, porque os bombeiros são conseguem sair do quartel se tiverem dinheiro, porque ninguém lhes fia o gasóleo, nem paga as contas de oficina ou da luz e do telefone.
Infelizmente os portugueses acham que os bombeiros têm todas as obrigações... desde cortar árvores à borla, até fazer de taxi de bêbados... mas com que dinheiro?

γ
BOMBEIROS 3 – Ser o mais novos dos presidentes de direção de associações de bombeiros do distrito tem as suas vantagens. Almoçar na mesma mesa que dirigentes que já o eram, ou que não sendo já eram bombeiros há muito, no tempo em que eu nem pensado era, é nada mais nada menos do que um privilégio. E quem me conhece sabe que eu adoro ouvir histórias da História, ouvir as peripécias de outros tempos. Um divertido almoço, no Gafanhoto, na Gafanha da Encarnação. 

sábado, 7 de fevereiro de 2015

[1969.] União das Freguesias é Terra Viva

Não sou grande fã do projecto da União das freguesias de Mealhada, Antes e Ventosa do Bairro. Por respeito aos autarcas eleitos, participei, como presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Mealhada, na sexta-feira, dia 6 de fevereiro, na sede, na Mealhada.





sexta-feira, 26 de setembro de 2014

[1911.] BV Mealhada apoia Jaime Soares

A Direção da Associação dos Bombeiros Voluntários da Mealhada decidiu apoiar a recandidatura do Cmdt. Jaime Soares à presidencia da Liga dos Bombeiros Portugueses.

Analisado o papel e o trabalho do atual presidente da LBP nestas funções e analisado o programa eleitoral do candidato - nomeadamente o documento "20 principios abrangentes e orientadores" - entendemos apoiar Jaime Soares à liderança da confederação dos bombeiros.

O apoio ao antigo comandante dos BV de VN Poiares e antigo presidente da Federação dos Bombeiros do Distrito de Coimbra foi expresso junto do próprio no jantar de apoio, em 19 de setembro, em Aveiro, em que participou o presidente da Associação dos Bombeiros da Mealhada e o comandante do corpo de Bombeiros.

No próximo dia 25 de outubro de 2014, no Congresso da LBP em Coimbra, a direção e o comando da Associação dos Bombeiros da Mealhada votará em Jaime Soares.

http://pelosbombeirosporportugal2014.blogspot.pt/

domingo, 27 de julho de 2014

[1890.] 87.º aniversário dos Bombeiros Voluntários da Mealhada - Intervenção



É com muita alegria que nos voltamos a encontrar, neste mesmo espaço, para a comemoração de mais um aniversário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Mealhada, o octogésimo sétimo aniversário. Fazemo-lo hoje com a especial circunstância de procedermos à bênção de duas viaturas – uma nova e uma reconvertida –, de entregarmos Medalhas de Dedicação e Assiduidade a 14 bombeiros do nosso corpo activo e, ainda, de entregarmos a Carta de Missão ao nosso Comandante. Tudo razões para festejar, para nos alegrarmos e para, daqui, e mais uma vez, reconfirmarmos o compromisso, o contrato sagrado que temos com os mais de onze mil cidadãos que constituem a nossa área de intervenção, e as comunidades do concelho da Mealhada.

Muito obrigado pela vossa presença, a todos vós e a cada um em especial. Permitam-me que vos abrace primeiros aos nossos bombeiros – a todos, os do ativo, e de maneira muito calorosa os do Quadro de Honra e do Quadro de reserva – depois aos nosso sócios, aos nossos autarcas, e aos nossos amigos, a todos eles sem excepção, onde incluo, naturalmente os familiares dos nossos bombeiros.

Antes de entrarmos neste pavilhão, e depois de termos benzido duas novas viaturas e de termos homenageado os bombeiros falecido – os nossos e todos os outros – inaugurámos a galeria dos fundadores da nossa associação e a galeria dos presidentes da mesa da assembleia-geral. Lembro-me de um texto assinado pelo nosso saudoso fundador João Saraiva – que apesar de ter dado a esta casa tanto e de maneira tão forte não tinha uma única fotografia nesta casa – dizer que não se tinha feito, ainda justiça ao trabalho diligente e dedicado de outro fundador, o senhor Augusto Ramalheira. Estou convencido que hoje fizemos o pedido de João Saraiva e no lugar mais destacado e bonito do nosso quartel, temos as fotografias dos três fundadores, o trio de amigos que se juntava ao almoço na Rua Costa Simões, três jovens caixeiros, de vinte e poucos anos, que no dia 26 de julho de 1927, com o apoio do presidente da Câmara, o Padre Breda, fundaram esta grande associação, a maior do concelho.

A organização de Augusto Ramalheira, a operacionalidade e os conhecimentos de quem já tinha sido bombeiro, Bernardino Felgueiras, e o espirito dinâmico e congregador de João Saraiva deram o pontapé de saída para tudo isto, que ao longo de 87 anos tanto cresceu e tanto serviu. Nos filhos, o senhor Ramalheira e Dr. Mário Saraiva, aqui presentes, e nos netos, entrego o meu muitíssimo obrigado.

Inaugurámos, tanto, noutro acto de justiça, a galeria dos presidentes da mesa da assembleia-geral. Que no salão nobre passam a pontificar no terreiro sagrado onde se reúnem os sócios e em muito mais ocasiões a comunidade ativa desta terra. A assembleia-geral, presidida por tão grandes figuras, representa o plenários dos quase 3000 sócios desta casa,  e a democraticidade que a sustenta e superintende. Destaco, nessa galeria – não me vão levar a mal, nem me vai levar a mal o Dr. Branquinho de Carvalho aqui presente, o único sobrevivo da galeria – a figura do Dr. Manuel Oliveira Andrade. Um homem que foi presidente da mesa da assembleia-geral desta casa durante pelo menos cinco décadas. Que deixou de o ser três dias antes de falecer, que fez da inauguração deste mesmo quartel, neste mesmo pavilhão, a sua ultima aparição publica, e que, infelizmente não tinha ainda uma memória nesta casa.

Não me leva a mal o senhor presidente da Câmara se lhe pedir que reponha a justiça moral desta nossa Linda Mealhada Linda e que, uma vez que a Rua Manuel Andrade se transformou num carreirito que une a passagem subterrânea ao Hospital da Misericórdia, ajude a encontrar uma outra artéria a quem possa ser dado o nome deste mealhadense que tanto serviu a Mealhada e as suas gentes. Considere este meu pedido como o presente de aniversário que nos podia dar hoje.   

Caríssimos bombeiros, caríssimos amigos.

Entregamos hoje a Carta de Missão ao nosso comandante Nuno Antunes João. Será estranho fazermos sessão solene da entrega de uma carta de missão, quando não fizemos da tomada de posse. É capaz de ser verdade. Mas entendemos que não deveríamos esperar pela tomada de posse e fizemo-la quase imediatamente, em 19 de abril. E consideramos que é muito importante a figura da Carta de Missão, entregue pela direcção ao seu comandante, que ele aceita e à qual se compromete, num contrato solene com a associação e com a população que por ela é servida. Esta figura da Carta de Missão foi introduzida na alteração do quadro legislativo de 2012, e encarna bem a imagem do comandante que se apresenta como um líder, com um plano e uma estratégia, um rumo e uma missão, assumido através de um compromisso.

E a falta que faz aos portugueses a assunção de valores assentes em compromissos. A importância que tem a lealdade a compromissos.

Nuno Antunes João é um homem de compromissos, de valores. É alguém que acredita no valor do trabalho, e na liderança pelo exemplo. Um homem que tem dado mostras diárias de disponibilidade, de simpatia, de proximidade com as pessoas, com carisma, liderança e um fortíssimo espirito de serviço.

Senhor comandante, a missão que lhe é confiada não é fácil – até porque se fosse fácil não seria para si – mas acredito que seja desafiante e que a vai cumprir com brilhantismo e capacidade.

Ao longo dos últimos doze meses – desde o último aniversário – vivemos neste quartel momentos de grande transformação. Nomeámos um novo comandante e atravessámos uma época florestal em que estivemos em todos os mais relevantes teatros de operações. Vimos bombeiros morrer e vimos a população a mostrar a sua solidariedade e apoio incondicional. Alterámos profundamente esquemas de trabalho, horários, esquemas de voluntariado e serviço. Sofremos, em 11 de fevereiro, quando uma viatura nossa ficou destruída e tememos pela sobrevivência de um bombeiro nosso. Foi um ano intenso, muito intenso, mas que serviu para mostrar de que fibra são feitos os nossos bombeiros.

Senti cooperação, senti que os nossos bombeiros sentem esta casa e esta causa, senti que são solidários, que ajudam, que estão prestáveis e prontos a dar tudo de si. Obrigado a todos os bombeiros, especialmente aqueles que se mobilizaram para ajudar em campanhas de angariação de fundos – especialmente na freguesia da Vacariça, da Mealhada e de Ventosa do Bairro e no Carnaval –, aqueles que nos apresentaram sugestões de iniciativas, que vestiram a camisola quando mais precisámos.

Muito obrigado.

Não posso deixar de apresentar uma palavra de elogio e de agradecimento a todos os que gostam dos Bombeiros. Às centenas de pessoas que se dirigiram ao quartel para entregar alimentos quando no verão passado o país ardia e chorava a morte de oito bombeiros. Aos que nos telefonaram a oferecer comida e dinheiro. E, de modo muito especial aos que connosco colaboraram – com trabalho e produtos – na Feira de Artesanato e Gastronomia. À equipa liderada por Joaquim Ricardo, um bombeiro do quadro de honra que mostra ser um homem extraordinário e à sua equipa fantástica – com bombeiros, antigos bombeiros e pessoas que nunca foram bombeiros – e que em cada ano garantem um financiamento fundamental e estruturante a esta associação. A todos eles e a cada um deles, fica o nosso humilde e sincero obrigado.  

Os tempos não são fáceis. Nunca o foram, e o futuro desta casa tem muito de estratégia, gestão e apoio. O nosso mandato vai rigorosamente a meio. A metade que falta pode ser a mais fácil ou a mais difícil. Será a mais fácil se nos limitarmos a gerir os meios, até porque muitas das medidas difíceis estão tomadas e começam a produzir os primeiros frutos. Mas poderá ser a mais difícil se nos dispusermos a fazer o que falta fazer, a fazer o que a associação e a comunidade precisa que seja feito. Como já assumimos, o desafio que nos é apresentado neste momento é o da remodelação estrutural deste quartel. Para isso precisaremos de muito mais do que boas intenções. Precisamos de massa cinzenta, precisamos de sentido critico para perceber para onde queremos caminhar. E depois precisa de operários, de quem esteja disponível para avançar, para trabalhar, para construir. O caminho daqui para a frente tem de ser estudado, pensado, calculado, para ser bem trilhado. Nós estamos disponíveis, mas não o conseguiremos fazer sozinhos.

Hoje, como há um ano, a palavra final da direcção a que presido – uma direcção em que a média de idades é de pouco mais de um terço da idade da associação - que vos quero deixar é de esperança. Somos uma associação que apesar dos quase 90 anos é jovem, com muita vontade de combater os fogos da vida de frente, com uma vontade grande de Servir com abnegação e altruísmo, com uma enorme vontade de estar ao lado das pessoas que precisam de nós e de quem gostamos tanto!

Vivam os Bombeiros da Mealhada,

Viva o concelho da Mealhada.

 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

[1797.] Parabéns e obrigado Xaru

O grande Xaru faz hoje 80 anos, quase 60 dos quais oferecidos ao voluntariado nos Bombeiros Voluntários da Mealhada. Com simplicidade e de surpresa fizemos uma festa no quartel, com a cumplicidade da direção, do comando e dos bombeiros e colaboradores de serviço, a que se associou, o antigo comandante António Lousada, e o presidente da Câmara Municipal da Mealhada, o vice-presidente Guilherme Duarte e a vereadora Arminda Martins .A jornalista Mónica Sofia Lopes, do Jornal da Mealhada, assistiu para contar.

Legenda: Esta foto foi tirada ao pé da 'Internacional', uma viatura que em 26.07.1978 recebeu o nome de Xaru, em sua homenagem... Nesta data eu ainda nem concebido tinha sido...

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

[1740.] De quem é a culpa?


O país está chocado com a terceira morte de bombeiros, em combate, em quinze dias. Perante o primeiro morto, em 4 de agosto, António Nuno Ferreira, quarenta e quatro anos, filhos menores, ouviu-se solidariedade, falou-se em acidente, compreendeu-se que há um risco que os bombeiros aceitam correr quando, voluntariamente, abraçam esta causa. Um risco que nem sempre corre bem. Quando, a 15 de agosto, se soube da morte de Pedro Rodrigues, solteiro, sentiu-se a angústia, acentuou-se a perda. Ontem, a morte de uma bombeira de 22 anos, com uma filha de quatro anos, instalou-se o choque e a revolta. Compreende-se.

Hoje a pergunta impõe-se:  
De quem é a culpa de tantos fogos e de tantas mortes?

Fizeram-me a pergunta várias vezes hoje. Até de um jornal. A resposta que dei foi simples:
A culpa é minha!

Poderia responder que a culpa é da falta de meios. Podia, mas a verdade é que, apesar do completo desinvestimento do Estado, as associações de bombeiros voluntários, com o apoio das autarquias, o sacrifício dos próprios bombeiros e a solidariedade das populações, têm conseguido, de uma forma geral, adquirir viaturas e materiais no sentido do combate aos incêndios florestais em Portugal ser eficiente.

Poderia responder que a culpa é da falta de condições dos bombeiros. Podia, mas a verdade é que, apesar de por exemplo estar a decorrer um concurso público para a compra de equipamentos de protecção individual desde janeiro, com financiamento comunitário e de esse concurso ter sido anulado várias vezes porque foi mal feito pelo Governo, tem sido possível dar à maior parte dos bombeiros protecção condigna, especialmente para os mais operacionais.

Poderia dizer-se que a culpa é da falta de conhecimentos ou preparação dos bombeiros. Podia, mas a verdade é que apesar de a Escola Nacional de Bombeiros não estar a dar a formação necessária e na quantidade que as corporações precisam, e de até as promoções estarem todas paradas porque não há respostas, os bombeiros portugueses - muitas vezes com um saber de experiência feito -, de uma forma geral, não estão impreparados.

Poderia dizer-se que a culpa é da falta de legislação regulamentar sobre a floresta. Podia, mas a verdade é que, apesar de o Estado ser o proprietário florestal mais negligente que existe e de as suas matas estarem ao abandono, a legislação existe - quanto a perimetros de segurança, por exemplo, não há é quem a cumpra e quem a faça cumprir. A GNR, nesse dominio é perfeitamente incompetente e os tribunais perfeitamente irresponsáveis e desajustados da situação do país.

Poderia dizer-se que a culpa é da falta de legislação penal. Podia, mas a verdade é que, apesar de o regime de prisão preventiva e da aplicação de outras medidas de segurança aos incendiários não ser suficientemente persuasora, muitos dos incendiários são pessoas doentes e o problema não está em prende-los, está em tê-los internados ou debaixo de olho, especialmente nesta altura do ano.

No fundo,
A culpa é minha, que herdei pinhais e que há anos que não vou lá. Pinhais que não mando limpar, cujas extremas nem sequer conheço. Pinhais com árvores que crescem, caem, apodrecem e ardem e eu nem disso tenho reflexo.

Os juízes são fracos, os GNR são moles, há pessoas doentes em liberdade a meter fogos por vingança, por diversão - para verem o movimento, a adrenalina e o espectáculo de carros e aviões -, há governantes e políticos irresponsáveis, há bombeiros aventureiros, há isso tudo.

Mas só quando eu tiver consciência de que a floresta arde porque eu, como proprietário, nada faço, é que o problemas dos fogos florestais em Portugal deixa de ser letal.

Em Portugal mata-se por causa de uma extrema de um terreno. Há tribunais completamente entupidos por causa de partilhas de terras. Mas os portugueses querem os terrenos para fingir que são proprietários. Mas a verdade é que não são, porque não cuidam, não tratam e ainda acham injusto serem multados por serem irresponsáveis.

A Ana Rita morreu, o António morreu, o Pedro morreu. E o culpado sou eu!

[1739.] Já há demasiados heróis nos cemitérios.

Ana Rita Abreu Pereira
Bombeira de 2.ª - BV Alcabideche
(1989-2013)

Há um número crescente de mulheres bombeiras em Portugal. Há quem concorde, há quem discorde, há quem não se aperceba, há não se queira aperceber. Há quarteis novos sem camaratas femininas, há corporações com grupos de mulheres organizadas e associadas. A bombeira que morreu ontem era uma das muitas mulheres bombeiras em Portugal.

Terá ido com a mesma vontade com que as bombeiras (e os bombeiros também) da Mealhada pedem para ir para fogos e incorporar Grupos de Reforço noutras paragens. Terá tido o sentimento de boa adrenalina que todos os bombeiros sentem e terá ido, disponível, voluntária, de Alcabideche para Tondela, como foram os Bombeiros da Mealhada. A Ana Rita terá subido de Alcabideche para Tondela, os bombeiros da Mealhada, que estavam em Castro Daire, desceram até ao Caramulo. 

Mas o pior aconteceu. Não se sabe porquê. Para já. Não se sabe se há mais culpados - para além dos animais que, ao que tudo indica, atearam os fogos que lavram naquela serra há mais de cinquenta horas. Mas a Ana Rita junta-se à lista onde já se encontrava António Nuno Ferreira e Pedro Rodrigues. Deixa uma filha de quatro anos que daqui a dez já não se lembrará da mãe. Deixa uma corporação em sofrimento. Deixa uma comunidade em dor. Deixa um país de luto. Infelizmente, não deixa os estupores que atearam os fogos na prisão, nem sequer os deixará incomodados.

Foram os bombeiros da Mealhada que foram recolher o cadáver da Ana Rita no sítio onde pereceu. Um cadáver "que parecia um tronco queimado", nas palavras dos nossos homens. Um cadáver, irreconhecível, de alguém que morreu no campo de batalha. Os que ficam, os que sofrem, os queimados, os que estiveram lá, guardarão a memória de um modo de vida arriscado ao serviço dos outros. 

Para mim, fica a convicção: Já há demasiados heróis nos cemitérios. 

sábado, 27 de julho de 2013

[1712.] Palavras ditas


 DISCURSO DO 86.º ANIVERSÁRIO 
DA ASSOCIAÇÃO DOS BOMBEIROS VOLUNTÁRIOS DA MEALHADA


Saudações

Ontem, 26 de julho, celebrámos o 86.º aniversário da nossa associação. Hoje, aqui, entre amigos, festejamos esse aniversário, em fraternidade e unidade. Obrigado por se terem unido a nós neste dia que até por isso é especial – obrigado aos sócios e antigos diretores, aos autarcas (os presentes e os futuros), aos antigos e aos actuais bombeiros, ao comando, aos nossos familiares e aos amigos de outras associações.

Ontem, 26 de julho, foi dia de Sant'Ana, padroeira da Mealhada. Não terá sido por acaso que os fundadores escolheram o seu dia para criar esta associação. Estabeleceram, assim, uma ligação fortíssima entre a população, que evoca a sua padroeira, e uma associação tão carecida de apoio da população e da sua estima. Como ontem se ouvia na liturgia da solenidade, do Livro de Ben-Sirá: “Celebremos os louvores dos homens ilustres, dos nossos antepassados através das gerações. Foram homens virtuosos e as suas obras não foram esquecidas”.

Lembremos, por isso, hoje, os que tiveram o rasgo de criar uma associação de Bombeiros com o intimo desígnio de prestar às pessoas um bem tão simples, mas tão essencial que é o da segurança e da assistência na catástrofe e na doença. Nomes como João Saraiva, Augusto Ramalheira e Bernardino Felgueiras não podem deixar de ser referências de altruísmo e abnegação. A história da Mealhada conta-nos que é possível que já em 1916 (ou seja há 96 anos) houvesse bombeiros na Mealhada. Mas festejamos hoje um história de associativismo, de unidade, de congregação de esforços daquela que é a maior associação do concelho da Mealhada, com quase 2700 sócios pagantes e colaborantes. Uma história que se fez de construção de homens e mulheres, mas também de equipamentos, como este quartel, o quinto da associação, que neste ano, em outubro, comemora duas décadas sobre a data da sua inauguração. E na pessoa do Dr. Mário Saraiva, aqui presente, agradecemos a todos os diretores e dirigentes da nossa associação.
Inaugurámos ontem as galerias de fotografias dos presidentes da associação, na sala da direcção, dos comandantes, segundos comandantes e adjuntos de comando, nos respectivos gabinetes, e que convidamos todos a visitar. Preservamos, assim, a memória histórica da associação que é, também, a sua identidade.

Agradecimento é a tónica que eu e a direcção a que presido gostariamos de vos dirigir hoje, nesta ocasião.

Um agradecimento aos sócios – quase três milhares – que cumprem as suas obrigações estatutárias, mas que, muitos deles, vão muito além disso, com donativos, com gestos bonitos como, e perdoem-me o exemplo, do casal que, em vez de dar aos convidados uma lembrança do dia do casamento, entendeu dar aos bombeiros o dinheiro que para isso gastaria.

Um agradecimento, também, às associações do concelho que têm dado mostras de grande solidariedade e que nesta casa têm tido sempre um porto de abrigo e de ajuda. Agradeço, particularmente, à Associação de Aposentados da Bairrada que entendeu entregar-nos a receita do sarau do seu aniversário, e que resultou numa assinalável maquia que será destinada para a compra de uma ambulância de socorro.

Agradecemos, de uma forma muito especial aos amigos voluntários que nos têm ajudado na Tasquinha na Feira de Artesanato e Gastronomia. Obrigado aos bombeiros que deram mostras da sua boa-vontade, aos bombeiros do quadro de honra e do quadro de reserva que demonstraram que continuam a ser peças importantes dentro da associação – e de quem precisamos tanto – e obrigado a todas as pessoas que não sendo bombeiras nem nunca o tendo sido foram incansáveis e solidárias. Obrigado ao senhor Joaquim Ricardo, à dona São, à Dona Lúcia, à Dona Corina, à Dona Dora, à Dona Cila, à Ana Lousada, à Dona Dina Lousada, ao Chefe Peu, ao senhor Carlos Melo, ao comandante Lousada, ao Caló e a todos os bombeiros do quadro activo e funcionários que ajudaram. 


Agradecemos aos empresários que têm sido sempre solidários, que nos ajudaram hoje nesta festa, com o lanche que se segue, mas também em tantos outros momentos de partilha e colaboração. E nesse agradecimento, dirijo-me ao Sr. Fernando Duarte, da Fernando Duarte e Filhos, Lda, que é bom exemplo da responsabilidade social que uma empresa pode ter.

Agradecemos aos autarcas, aos presidentes de Junta de Freguesia – não só à Junta da Mealhada, que aqui saúdo através do meu querido amigo comandante do quadro de Honra José Felgueiras, mas a todas elas, que têm dado à nossa associação o carinho e a dimensão do seu alcance e importância. Agradecimento importante que se estende ao municipio da Mealhada, e ao presidente da Câmara Municipal da Mealhada, professor Carlos Cabral, que talvez pelo facto de já ter sido dirigente de uma associação de bombeiros, compreende o nosso trabalho, compreende perfeitamente a nossa missão, e por isso tem sido solidário e colaborante.

Aproveito a oportunidade para me dirigir aos candidatos às próximas eleições autárquicas, a todos eles, e saudo-os através do Dr. Rui Marqueiro e do Sr. António Breda aqui presentes, para lhes dizer que nesta fase da nossa vida colectiva, o esforço de serviço que demonstraram ao candidatar-se, aliado às necessidades da nossa comunidade, são o tempo ideal para construirmos um concelho que se quer sempre mais próspero e fraterno. Os Bombeiros da Mealhada, na promoção do sentimento e garantia de segurança na catástrofe e na doença, estão disponíveis para ajudar, assim o queiram os eleitos, que têm no passado um referencial de colaboração saudável.

Agradeço a colaboração dos órgãos sociais, especialmente do Conselho Fiscal e do seu presidente, o Dr. Bruno Peres, que tem dado um contributo muito importante na continuidade da boa saúde financeira desta casa.

Tenho muita pena, mas não tenho razões para hoje vos deixar palavras de pessimismo ou de grande angústia. Bem sei que nem um discurso é discurso em Portugal se não tiver lamúrias e queixumes, e lamentos e choradinhos. Mas nós não somos assim. Temos as nossas preocupações – que são muitas – mas hoje não é dia de as referir. Herdámos uma associação equilibrada financeiramente. Temos lutado contra os lobis nacionais de transporte de doentes. Temos combatido a crise económica e o desinvestimento nacional nas associações de Bombeiros. Temos procurado combater sensibilidades e defeitos internos, melhorando serviços e construindo melhores soluções. Procuramos compreender os desafios do novo voluntariado nacional – o que vai superar o actualmente vigente que está esgotado e apodrecido.

Poucos meses depois de termos tomado posse, renovamos o nosso compromisso de Serviço. Comprámos um gerador que nos dará autonomia energética no quartel – que era uma lacuna operacional grave e séria – das nossas instalações. Comprámos uma nova central telefónica – que será instalada nas próximas semanas – e que trará melhorias no atendimento, no serviço e no trabalho, nomeadamente burocrático, dos nossos bombeiros. Começámos os trabalhos de beneficiação do nosso quartel pelas zonas que estão mais degradadas e menos poupadas por 20 anos de desgaste natural. Prosseguimos um esforço de angariação de fundos para a aquisição de uma Ambulância de Socorro, ainda este ano, que melhorará significativamente o nosso trabalho na área da Saúde e do socorro.

Nos próximos meses, depois de terminada a época crítica de incêndios florestais, tomaremos medidas de restruturação ampla de serviços, que, assim acreditamos, trarão grandes beneficios à associação e às pessoas que nela trabalham.  

A palavra final que vos quero deixar é de esperança. Somos uma associação que apesar dos quase 90 anos é jovem, com muita vontade de combater os fogos da vida de frente, com uma vontade grande de Servir com abnegação e altruísmo, com uma enorme vontade de estar ao lado das pessoas que precisam de nós e de quem gostamos tanto!

Vivam os Bombeiros da Mealhada,
Viva o concelho da Mealhada.

quinta-feira, 14 de março de 2013

[1586.] Vens ajudar ou vais ficar a olhar?

O comando e a direcção dos Bombeiros Voluntários da Mealhada abrem uma Escola de Estagiários, para admissão de novos bombeiros. Inscrições abertas até 15 de abril de 2013.

VENS AJUDAR OU VAIS FICAR A OLHAR? 


sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

[1548.] Dia vencido - 20 de dezembro de 2012

Fomos a votos e estamos eleitos. Apesar de apresentar-se a sufrágio apenas uma lista, a adesão dos sócios foi simpática - superior à de situações análogas - e sentimo-nos mandatados e legitimados para um mandato que se exige de esforço, empenho, dificuldades, no fundo, e em síntese, de Serviço.
Tomaremos posse no dia 10 de janeiro de 2013, e alguns dias depois, ainda no mês de janeiro, pretendemos levar aos sócios uma proposta de plano de actividades e orçamento para o ano de 2013.

O caminho ainda mal começou e sentimo-nos cheios de vontade para um desafio que quase todos dizem ser dificil e penoso. Não há medo, apenas vontade, disponibilidade e muita Esperança.

Esperamos estar à altura.
Obrigado aos que acreditam e aos que confiaram.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

[1544.] O desafio de Servir os que Servem

Amanhã, 20 de dezembro, entre as 18h e as 22 horas, realizam-se as eleições para os corpos sociais da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Mealhada. Encabeço a unica lista candidata à direção da associação, para o triénio 2013/2015.

Confirmada a intenção de não recandidatura do actual presidente da direção, o senhor Abílio Semedo - que ocupa o cargo desde 2007 -, recebi da parte de alguns consócios e amigos a sugestão para me candidatar, em forma de desafio. Trata-se de uma responsabilidade de grande exigência e disponibilidade - ou não fosse esta a maior associação do concelho da Mealhada, responsável pela gestão e apoio a um prestigiado corpo de bombeiros com 85 anos de existência. Ainda antes de dar uma resposta, procurei constituir uma equipa que me acompanhasse. A tarefa de constituição da equipa correu muitissimo bem, provando a grande vontade em servir da parte das pessoas que convidei e isso deu-me um alento ainda maior para, a partir desse momento, liderar uma equipa.

Há, naturalmente, muito a fazer, até porque se trata de uma área social e comunitária (o apoio na Saúde e na Protecção Civil) que carece de muito investimento - o que não se revela facilitado nos dias de hoje - e que tem sofrido avanços e recuos (nomeadamente legislativos), que ainda não lhe dão uma completa estabilidade. Faremos o melhor que pudermos, certamente com o apoio dos sócios, dos bombeiros, dos anteriores diretores e de toda a comunidade que desde sempre tem acarinhado esta associação e o seu corpo de bombeiros.



Preocupar-nos-emos, em primeiro lugar, em dar ao corpo de bombeiros todas as condições para que possam cumprir a sua missão da melhor forma possível. Tal como eles, somos voluntários, que se oferecem para Servir os que Servem, para estar na retaguarda, garantindo que nada lhes faltará que ponha em risco o cumprimento da sua missão. Para isso teremos de trabalhar na angariação de fundos de financiamento, teremos de ir ao encontro das suas aspirações, teremos de servir de intermediário entre uma comunidade que precisa dos bombeiros, e que por isso precisa de conhecer o seu trabalho, as suas necessidades e os seus méritos.
A equipa da direção é constituída, ainda, por Nuno Semedo, que é candidato a vice-presidente, por Paulo Júlio Costa, Carlos Castela, Manuel Andrade Vicente, Filipe Rosmaninho Costa, Nuno Timóteo, Filipe Cruz e Frederico Marques Santos. Trata-se de uma equipa jovem e que conta com algumas pessoas que integram já uma segunda geração de mealhadenses servidores nos órgãos sociais da direção da AHBVM.Esta é a única lista candidata à direção. Nuno Silva Salgado recandidata-se a presidente da mesa da assembleia-geral - acompanhado por João Pega, Manuel Teixeira e João Peres. Bruno Peres recandidata-se ao Conselho Fiscal, acomapanhado por Manuel Filipe e Delfim Pereira. Abílio Semedo, ainda presidente da direção, integra a lista candidata ao Conselho Fiscal.


A todos os sócios dos Bombeiros lançamos o apelo para que não deixem de participar na votação, apesar de ser uma lista única. O apoio de todos será, com certeza, um alento importante para os bombeiros, acima de tudo, do interesse que a sua ação tem na comunidade.





AMANHÃ, CONTAMOS CONSIGO.