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quinta-feira, 19 de março de 2015

[2024.] Dia vencido – 19MAR2015

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81
– O Padre José Almeida Gonçalves completou hoje 81 anos. O pároco da Mealhada, da Vacariça e de Casal Comba, desde 7 de outubro de 2007, é um homem fiel. Fidelidade é uma, se não a mais elogiosa das características que se pode atribuir a um clérigo. Essa fidelidade faz dele um homem resistente. Uma fidelidade ao sentido de obediência, que foi um dos seus votos, ao legado que apreendeu de uma Igreja antes do concílio e depois do concílio. Uma fidelidade que o fez, sempre, uma pessoa de confiança, 'trustful', como dizem os ingleses, que é mais do que confiável, é digno de confiança. Numa primeira fase da sua vida como padre, chegou a ser o preceptor dos seminaristas. Pároco, cura, assume o legado do pastor, com rebanho, com fidelidade. Fiel ao caminho, à santidade e santificação pelo trabalho como caminho ao alcance de todos, mas reservado aos verdadeiramente fieis.
É essa fidelidade que o faz aceitar com dedicação, aos 81 anos, a missão de ser pároco não de uma - como seria normal -, nem de duas - como seria tolerável -, mas de três paróquias, uma delas uma sede de concelho e cabeça de arciprestado. Um professor pode reformar-se aos 60 anos, no máximo aos 65 anos. Um político pode até reformar-se aos 42 anos. Um bispo pode resignar aos 75 anos, e nenhum se coíbe de o fazer. Mas um padre tem de aguentar as suas responsabilidades até ao fim. Neste caso já vai nos 81 anos, e mantém-se fiel.
O Padre José Gonçalves é um homem honesto, e fiel, leal. Fiel ao seu tempo, ao nosso tempo, à sua concepção do mundo. Não é fácil compreender esta concepção, mas é digna do nosso maior respeito.
Obrigado Senhor Padre Zé. E parabéns!

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ENTRE A LISTA VIP E A PIDE?
– Confesso que prefiro viver num país onde os funcionários das finanças não ganham dinheiro dos jornalistas para fazerem printscreens do sistema a que têm acesso com os valores e os pormenores da situação contributiva de figuras mediáticas (porque dos outros ninguém lhes dá dinheiro).
Confesso que prefiro viver num país onde os funcionários das finanças não ganham dinheiro dos advogados para fazerem printscreens do sistema a que têm acesso com os valores e os pormenores da situação contributiva e bens de clientes ou de pessoas a quem esses advogados querem lançar penhoras ou coisas do tipo.
Confesso que prefiro viver num país onde os funcionários das finanças não ganham dinheiro de ninguém para fazerem printscreens do sistema a que têm acesso com os valores e os pormenores da situação contributiva de outras pessoas, para satisfazer a curiosidade ou alguma maldade para um amigalhaço.
Sinto-me mais seguro num país onde há informação que não está à disposição de qualquer espécie de sacerdote.

Já agora, concordo com a Helena Matos.

γ
DÍVIDAS 
– Há um sentimento mais ou menos generalizado de que a Alemanha deve dinheiro à Grécia por causa da II Guerra Mundial e da indemnização que devia ter sido paga e não foi... Mas por essa ordem de ideias, não será legitimo pedir ao Reino Unido que pague o que deve aos gregos pelo que lhes roubou de arte que transferiu de Atenas para o Museu Britânico? E já que estamos a falar de históricas dividas será que teremos de devolver o ouro ao Brasil? Ou será que devemos esperar que os espanhois nos paguem por terem ficado com Ceuta em 1640 quando deviam ter devolvido o que era de Portugal e ficaram com a cidade do lado de lá do estreito?

Dívidas são dívidas, ou não? 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

[2008.] Dia vencido – 26.II.2015

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FESTAME – Dezassete anos depois, a Feira das Tasquinhas da Mealhada mudou de nome. A necessidade justifica-se pela lógica... A Feira de Artesanato e Gastronomia do Município da Mealhada (no ano passado também da Agricultura) nunca conseguiu impor essa sua longa albarda. E na populaça sempre foi a das Tasquinhas. A XVII realização vai passar a chamar-se FESTAME. Não há grande ciência na descodificação do acrónimo... Alguém sabe o que quer dizer EXPOFACIC ou FATACIL? E o que é que isso interessa? Tem novo nome, depois de há dois anos ter mudado de sítio. Continua a ser o que grande foi a Festa da Unidade e da Identidade dessa coisa abstrata a que desde 1876 chamam Concelho da Mealhada.

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SENTIDO DA VIDA – O 13121.º dia da minha vida é um dia tão bom como outro qualquer para fazer a pergunta: Qual o sentido da (minha) vida? Faz sentido fazer a pergunta regularmente... não vá eu perder-me a olhar para o espelho.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

[2007.] Dia vencido – 25.II.2015

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MANIA 1
– Tenho o iPad e o iPhone carregadinho de app's de GTD e de organização de tarefas para fazer - trello, asana, 'ene' ceninhas para não me esquecer de nada, para aproveitar todos os momentos para ter o máximo de eficiência em cada dia. No entanto nada resulta tanto como o meu mega dossiê/agenda que carrego de casa para a escola e de escola para casa e as mil cores para assinalar o que está feito, o que não está e devia estar, do que não me posso esquecer. É arcaico? É... É eficaz? Ainda não encontrei nada melhor. O meu amigo Amadeu Albergaria, quando via os meus apontamentos diários e os meus trabalhos dizia sempre: "És mesmo de Direito! Tudo cheio de cores e corezinhas... Que mania a nossa!" 

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MANIA 2
– Desde os 6 anos que escrevo diários. Uma mania que a minha mãe e o meu padrinho Rui me incentivaram desde o inicio. Desde as "Minha Agenda" da RTP, com um espaço minúsculo para escrever a narrativa dos dias, até aos cadernos feitos por mim, até ao blogue O fio dos dias. Desde sempre procurei combater o esquecimento e cultivar a memória, a minha própria memória, negar-me no meu próprio esquecimento.
Na verdade, muitas vezes preciso de escrever para me concentrar, naquelas aborrecidissimas reuniões políticas, com vinte pessoas a repetirem-se procurando dar a sua opinião para cada coisinha, precisava de ir escrevendo para me concentrar... e isso nem sempre era bem entendido. Alguns pensavam que estava a escrever o relatório para fazer eco na rua do que se passava dentro da reunião. 
Manias... Canilhadas ou canilhices?...

γ
NO CENTRO DA SUA VIDA
– Hoje começou a BTL - Bolsa de Turismo de Lisboa. E do que se nota do facebook, parece que meio concelho da Mealhada esteve hoje em Lisboa (eu também... confesso). 
O Município da Mealhada e as 4 Maravilhas da Mesa da Mealhada apresentam-se em grande estilo, com um slogan que me parece com grande potencial: Mealhada: No Centro da Sua Vida! E com margem de desenvolvimento.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

[1989.] Dia vencido – 17.II.2015

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Evidências – Para quem acredita (apesar de tudo demonstrar o contrário) que as pessoas vêm ao Carnaval da Mealhada para ver o rei, tenho a informar que hoje vieram 8000 pessoas para ver um porco e três leitões! A maior enchente dos últimos anos!


domingo, 15 de fevereiro de 2015

[1985.] Dia vencido – 15.II.2015

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Carnaval I – Entrei neste desafio de integrar a direcção da Associação do Carnaval da Bairrada por dois motivos: Coerência e Solidariedade. Por Coerência com o que tinha dito, escrito, criticado, suspirado e elogiado relativamente a um evento central na cultura e na identidade da comunidade onde habito. E por Solidariedade com um conjunto de amigos que foram solidários comigo noutras guerras, com quem gosto de trabalhar e por quem nutro grande amizade. Em dias como hoje, especialmente antes de as coisas correrem (bem ou mal) pergunto-me porquê dar-me ao trabalho de perder energias, tempo e paciência com isto, podendo estar de fora e continuar a criticar a meu bel-prazer. Lembro-me, logo a seguir, que devo.

β
Carnaval II
– Não é fácil decidir. Também não é fácil ser mandado. Especialmente quando se passa anos e anos a ser mal-mandado. Não acreditamos, naturalmente, na voz do comando. Se ele diz 'sim', pode ser 'sim', mas também pode vir a ser 'talvez', 'não' ou 'se calhar'... “Se soubesses o que custa mandar, obedecias toda a vida”... O meu padrinho Rui diz que eu não sei ser mandado... Talvez seja verdade, por muito que me custe reconhecê-lo... E hoje reconheço, também, que me custa muito lidar com quem não sabe ser mandado...

γ
Carnaval III – O pano cai e o público ovaciona. Há elogios. Serão verdadeiros? Nos lábios persiste a adrenalina, vale a doce fartura – o melhor do Carnaval na Mealhada – para esconder o ácido... O trabalho está feito, venham as críticas... Sim, as criticas: Só essas é que nos fazem crescer!

sábado, 7 de fevereiro de 2015

[1969.] União das Freguesias é Terra Viva

Não sou grande fã do projecto da União das freguesias de Mealhada, Antes e Ventosa do Bairro. Por respeito aos autarcas eleitos, participei, como presidente da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários da Mealhada, na sexta-feira, dia 6 de fevereiro, na sede, na Mealhada.





segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

[1958.] Ei-los que crescem




Imagem do Agrupamento de escuteiros Sant'Ana - Mealhada, o 1037 do CNE, no sábado, 31 de janeiro de 2015, no dia da comemoração do 23.º aniversário, e no dia das VIII Promessas de Dirigentes e XXV Promessas de Escuteiros.



«Ei-los que "crescem", novos e velhos»
(...) 
«Virão um dia, ricos ou não, contando histórias, de lá de longe, onde o suor se fez em pão.
Virão um dia... ou não»

Adaptação livre do poema "Ei-los que partem", de Manuel Freire

segunda-feira, 3 de março de 2014

[1840.] "Isto sim é tradição"


"Isto sim é tradição"... Não falo do slogan de uma escola de samba da Mealhada. Não falo do facto de haver desfile no centro da Mealhada - lembro-me das razões que levaram os dirigentes a mudar de localização e ainda as acho razoáveis sem falsas memórias de passadismos bacocos e muitas vezes fáceis de explicar...

Falo de uma coisa que já há muitos anos identifiquei como sendo fundamental para o Carnaval na Mealhada, que os actuais dirigentes sempre desvalorizaram (E desvalorizavam, publicamente, até alguém ter tido a coragem de demonstrar a imbecilidade desse pensamento). O carnaval da criança é fundamental para o futuro do carnaval na Mealhada. Disse-o e escrevi-o dezenas de vezes. Claro que não é usando o modelo de há trinta anos (onde as escolas do primeiro ciclo eram as protagonistas) que morreu naturalmente. É através de um modelo onde as IPSS com valência de infância - e que têm  a cobertura de quase todas as crianças dos 0 aos 10 anos - são as parceiras fundamentais.

Os tempos mudaram e quem esteve tempo demais no sarcófago não percebe isso, e diz publicamente alarvidades como a dos professores que não querem trabalhar... E fazer carnaval...

Hoje ficou demonstrado que é possível, é viável, é necessário, é o futuro. Com diplomacia, com audácia, com alguma coragem e muita confiança. Está de parabéns o executivo municipal e especialmente a vereadora Arminda Martins pela audácia. 

 
Como dizem os matemáticos: "QED" "quod erat demonstrandum"

sábado, 8 de fevereiro de 2014

[1829.] Mealhada Terra Viva


Participar num fórum de discussão onde o moderador do debate dá a entender que está ali reunida a 'fina flor'... não pode deixar de ser para um cachopo como uma honra imensa. Poder estar à mesa com pessoas que são, de facto, uma referência e parte integrante da história viva de uma comunidade é um privilégio.

Assim foi, a 7 de fevereiro, durante duas horas, no Paço do Concelho, em direto para a Rádio Província no programa Terra Viva, moderado por João Paulo Teles.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

[1711.] Hoje...


... É DIA DE SANTA ANA. Padroeira dos avós, da Santa Casa da Misericórdia da Mealhada, dos Bombeiros da Mealhada, dos Escuteiros da Mealhada. Faz hoje anos que foi inaugurada a luz eléctrica na Mealhada (1925) e fundados os bombeiros (1927). O dia de todas as festas.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

[1527.] Mercurii dies tomando posição pública

Opinião sobre a Reforma da Administração Autárquica
 
A inevitabilidade de um "nem pensar!"
 

Portugal precisa, urgentemente, de uma Reforma da Administração Autárquica. Não o dizemos por questões meramente economicistas, ou por qualquer espécie de preconceito. As autarquias portuguesas precisam de um novo enquadramento legal, no âmbito das suas atribuições e competências, da clareza do seu exercício, da sua forma de eleição, das relações entre os vários níveis da administração local. Precisam, também, de uma revisão do seu mapa territorial e, ainda, do completar do edificio jurídico, com a criação das regiões administrativas, prevista na Constituição democrática.

O XIX Governo Constitucional decidiu - e bem - abalançar-se nesta demanda. No entanto, optou pelo caminho errado, cedeu onde não se admitiria que o fizesse e, portanto, falhou redonda e categoricamente nesse imperioso desígnio nacional.

A poucos dias de terminar o prazo para a pronúncia dos municípios relativamente ao primeiro eixo da alegada Reforma - o da reformulação do mapa territorial - e quando se sabe que os partidos do Governo não se entenderam quanto à elaboração de um projecto de Lei Eleitoral - que seria o segundo eixo da reforma -, é inevitável uma recusa veemente da alegada Reforma Administrativa e a exigência da interrupção imediata do processo legislativo, sob pena da implementação de um sistema perfeitamente atentatório dos preceitos mais importantes do Poder Local Democrático.
 
1 - O processo de elaboração desta alegada reforma começou de forma salutar, com a elaboração de um documento - "verde" - submetido a uma discussão pública. Nesse documento - mal ou bem - era defendida uma categorização das freguesias e definido um limite populacional mínimo por tipo de freguesias. Na nossa opinião, falhava nesse enquadramento inicial a visão reformista global que deveria analisar - a extinção, mas também a criação de - freguesias, mas também de municípios e círculos eleitorais uninominais. Faltava, ainda, uma definição concreta do conceito de freguesia - com a inevitável fixação de um limite populacional máximo -.

2 - O Governo ficou completamente aterrorizado com a vozearia que se fez sentir por parte de alguns autarcas e, em vez de melhorar o "documento verde", decidiu correr para a frente. Numa suposta posição de força meteu o "documento verde" na gaveta (antes mesmo de terminar o período de discussão pública) e construiu uma reforma completamente diferente. Para que não se verificasse mais gritaria, alegando falta de tempo, o projeto da reforma não chegou a ser discutido e só foi conhecido depois de aprovado pelo Conselho de Ministros, com o nome de Lei n.º22/2012 de 30 de maio.

3 - Esta reforma, entre outros absurdos, determina, então, que todos os municípios – a bem ou a mal - diminuam o número de freguesias (excepto para os que tiverem menos de quatro), independentemente seja do que for. Esta universalidade - qual solidariedade do "comem todos" - acaba por ser, então, um exemplo magnífico do absurdo que é a chamada igualdade formal, que não olha ao que é diferente para um tratamento comum, mas cego e nefasto.
Em hipótese académica, o município perfeito, com sete ou oito freguesias de população equilibrada e com características semelhantes é obrigado a agregar freguesias, criando, então, inevitavelmente, um desequilíbrio completo na organização destas comunidades.

4 - Se nalguns municípios bem próximos - como os de Mortágua e Penacova, por exemplo - poderá advir desta reforma alguns aspectos positivos (como o da agregação de freguesias com um número diminuto de pessoas), noutros, também próximos, persistem outros problemas (como o da freguesia de Santo António dos Olivais, em Coimbra, que tem muito mais pessoas do que todo o concelho da Mealhada).

5 - No caso concreto do concelho da Mealhada não se vislumbra qualquer benefício ou resolução de problemas, antes pelo contrário.
No concelho não há nenhuma freguesia com menos de mil habitantes - que era critério no "documento verde" -, ou seja, segundo a primeira fase desta alegada reforma, não careceria de qualquer "intervenção reformadora".  Com a nova lei do "comem todos", o concelho tem de reduzir de 8 para 6 as suas freguesias. Não pode unir a Mealhada com a Pampilhosa e as novas freguesias agregadas terão de ter continuidade territorial. São estes, à partida, os únicos critérios.
Se, de certa forma, seria entendível voltar a juntar Ventosa do Bairro e Antes - que até 1963 era uma só freguesia e são, ainda hoje, uma só paróquia religiosa -, dado que são as duas freguesias menos populosas (2003 habitantes) e com uma contiguidade quase perfeita (em 1104 ha), tudo o que vá para além disso já é praticamente impossível. Unir Ventosa do Bairro e Antes - mesmo que as duas freguesias, com um governo conjunto, mantivessem a identidade e fossem tratadas como duas freguesias conjunturalmente unidas - não seria fácil gerir as suas populações e criar-se-iam problemas sociais completamente desnecessários. Mas proceder à agregação de qualquer outro par de freguesias no concelho é uma asneira.
Agregar Antes e Casal Comba (uma das maiores freguesias em extensão territorial) e deixar Ventosa do Bairro isolada seria acentuar as desigualdades. Juntar Antes, Ventosa do Bairro e Casal Comba seria criar uma desmesurada extensão territorial que ia da Póvoa do Garção a Santa Luzia (seriam 3024 ha, quase trinta por cento do território). Juntar Casal Comba e Barcouço, ou Casal Comba e Pampilhosa, ou ainda Mealhada e Casal Comba seria criar uma freguesia populosa de mais, face às restantes. Por outro lado, juntar Vacariça e Luso, ou Vacariça e Pampilhosa, ou Vacariça e Mealhada (que foram uma mesma freguesia até 1944 e uma mesma paróquia até 1992), ou, até mesmo que artificialmente, Luso e Mealhada, seria criar extensões de território descomensuradamente ingovernáveis do ponto de vista da gestão dos recursos.

6 - Poderia restar uma solução menos má, a de agregar Ventosa do Bairro, Antes e Mealhada. Uniam-se, assim, as duas mais pequenas freguesias à maior, mas, por outro lado, àquela que na opinião de muitos, por ser a da sede do concelho e a mais urbana, é a que menos se justifica. Não é essa a nossa opinião, mas respeitamos o argumento.
Agregar estas três freguesias seria criar uma entidade que ficaria com, aproximadamente, um terço da população do concelho - cerca de 6500 habitantes - e uma extensão territorial assinalável - 2132 ha, ainda assim menor que a freguesia de Barcouço -. A questão é que a sede teria de ser recomendavelmente na freguesia urbana - por imperativo legal -, ou seja na Mealhada, pelo que só uma estratégia de desconcentração de serviços evitaria que estas populações perdessem, de facto, proximidade com a autarquia.

7 - Resulta claro - assim nos parece - que um novo mapa administrativo no concelho da Mealhada, com a obrigatória redução para seis freguesias só trará novos problemas e não resolverá nenhum dos existentes. Porque também há problemas.
Diferente seria se, de facto, houvesse uma verdadeira reforma administrativa, com a alteração, de facto, das freguesias e a resolução de problemas - como o de parte de Santa Luzia ser da freguesia de Casal Comba e de Souselas, ou as Lameiras - de São Pedro e São Geraldo, que têm contiguidade - serem ambas de Luso ou ambas da Vacariça - e nessa solução juntar, também, a Lameira de Santa Eufémia a esse consenso, ou colocar a Quinta do Valongo e Santa Cristina na freguesia da Pampilhosa, ou resolver os imbróglios administrativos de Adões e Sargento-Mor, entre muitas outras soluções que carecem de uma resposta verdadeira. Resposta que esta alegada reforma nem sequer tenta dar.

8 - Vimo-nos obrigados, então, a considerar que esta reforma, em vez de resolver os problemas da administração autárquica visa, única e exclusivamente, diminuir cegamente o número de freguesias. Pode dizer-se que é uma imposição do memorando da troika. No entanto, da leitura do referido memorando, resulta o compromisso de "reduzir significativamente o número de autarquias locais". Mas o que é, afinal, "significativamente"? Dez por cento é significativamente? Metade é significativamente? Em lado nenhum se determina o que se entende por "significativamente", e essa apreciação ficou ao critério zeloso de um qualquer funcionário, armado em legislador que entendeu ordenar a redução percentual de freguesias, e ignorando o conceito do que são autarquias locais (onde estão, também os municípios).

9 - Distanciamo-nos da ideia de que esta reforma sofre de inconstitucionalidade pelo facto de ser a Assembleia Municipal a determinar o mapa administrativo local, quando essa é uma competência exclusiva do Parlamento. A decisão final caberá, sempre, ao Parlamento que, para aferir da regularidade e decidir quando houver abstinência municipal, nomeou uma comissão técnica - presidida pelo académico coimbrão Lopes Porto. Recorde-se que, essa ideia de ser a assembleia municipal a definir que freguesias vai agregar, foi uma cedência do Governo à acusação de que os municípios estavam a ser desrespeitados por não terem "voto na matéria". A haver inconstitucionalidade esta seria, então, por excesso de participação, por excesso de democracia, o que não nos parece ser defeito.

10 - O Governo - nomeadamente quando confrontado pelo principal partido da oposição (que teve um comportamento perfeitamente deplorável em todo este processo) - sempre afirmou que a par desta reforma territorial apresentaria uma reforma da lei eleitoral autárquica e do quadro de competências das autarquias. Soube-se, há poucos dias, que os partidos que sustentam o Governo não conseguiram chegar a acordo quanto a uma proposta a negociar com o PS. Ou seja, não há lei. Usando o raciocínio do próprio Governo, se não há nova lei, não há reforma completa e, sem isso, um novo mapa autárquico é uma excreção.

Em suma, a reforma publicada na Lei n.º22/2012 de 30 de maio não é uma reforma, não resolve problemas, cria novos problemas, não é uma obrigação da troika e não há condições para ser completada - porque falta de consenso para a lei eleitoral. Ou seja, não resta outra alternativa ao Governo e aos partidos que o sustentam senão a sua suspensão imediata e de todos os seus procedimentos acessórios.
Os municípios que entendam ser benéfica uma alteração do seu mapa autárquico - se para isso chegaram a consenso e encontraram boas soluções - que a implementem, mas não há condições para ir além disso. Preocupe-se o Governo em regressar ao debate do Documento Verde - e melhore-o - e em fazer uma verdadeira e inteligente reforma administrativa do país. Indiferente ao desejo de ficar, na História de Portugal, ao lado de reformadores como Rodrigo da Fonseca ou Mouzinho da Silveira. Indiferente a vozearias que vão sempre ouvir-se da parte de quem quer que tudo fique na mesma - mesmo que esteja sempre a criticar o que está e passe a vida a desrespeitar as autarquias mais pequenas. Porque a reforma da administração local é imprescindível para o futuro de Portugal.
Entretanto a solução, na Assembleia Municipal da Mealhada, é, assim nos parece, aprovar, por unanimidade e aclamação, um rotundo "Nem pensar!". Mas não deve deixar de dar a sua opinião e de emitir parecer de forma a, em todas as fases de discussão, ter autoridade para se fazer ouvir sobre o que é melhor para a sua população.
 
Artigo publicado na página 20 da edição de 12 de setembro de 2012 do Jornal da Mealhada. Escrevi este texto na qualidade de cidadão que não quer ficar com o peso de consciência de que não fez nada, só porque o que podia fazer era pouco". Assinei-o, como licenciado em Direito, mestrando em Administração Pública e antigo autarca de freguesia e municipio de 2002 a 2005, eleito pelas listas do PSD.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

[1521.] Nove anos

No passado domingo, 26 de agosto, passaram nove anos sobre a publicação, em Diário da República, da Lei que elevou a, até essa altura, vila da Mealhada à categoria de cidade. A decisão havia sido aprovada pelo plenário da Assembleia da República em 1 de julho e com a publicação tornava-se definitiva. No mesmo dia, idêntica decisão e publicação em relação a Oliveira do Bairro deu direito - durante breve trecho, é certo -, a Feriado Municipal nesse dia de solenidade. Mas na Mealhada não. Aliás, tirando meia dúzia de foguetes lançados pelo executivo da Junta de Freguesia da novel cidade, nesse dia 1 de julho, nunca houve sequer um simples assinalar da data.
 
Não fosse a tradicional aversão dos órgãos autárquicos às comemorações civis da nossa comunidade - de que é exemplo o Feriado Municipal, anual, (nunca assinalado) ou o 175.º aniversário da elevação a concelho, que aconteceu em novembro de 2011 - e poderia dizer-se que há uma espécie de vergonha em festejar a elevação à categoria de cidade. Não há vergonha nenhuma, reconheçamos isso. Há, pelo contrário, uma tradicional negligência neste domínio. E é pena, pensamos nós (naturalmente), que até nem somos muito festeiros... Justificava-se a comemoração - qualquer uma das três referidas - como se justifica o assinalar (por mais simples que seja) da Batalha do Bussaco, ou do 25 de Abril. São datas que fazem parte do nosso património coletivo e que nos distinguem como comunidade.
 
O processo de elevação da Mealhada a cidade foi doloroso, mas, nove anos passados, as feridas deveriam estar saradas. Será cedo para fazer um balanço de nove anos de cidade? Será que essa decisão influenciou alguma coisa o desenvolvimento do concelho? Estas e outras perguntas não precisariam de ser nesta altura respondidas, assim pudessemos nós, como comunidade, ter a maturidade suficiente para as fazer.

Talvez para o ano... Não será, certamente, tarde de mais.

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Às vezes, somos enganados pelo nosso cérebro (ou será pelos nossos medos) e, perante palavras escritas, não lemos o que elas encarreiradas dizem, mas pomo-nos a congeminar sobre as intenções escondidas de quem as terá escrito, recusando-nos a ler, de facto, e caindo na especulação pura. Diz o sábio povo que "bom julgador a si se julga". Pelo que quase sempre vemos no maquiavelismo dos outros o nosso próprio reflexo. Manda a honestidade que cada um seja julgado pelo que fez (ou escreveu) e não pelo que o que os outros teriam querido ler...

quarta-feira, 13 de abril de 2011

[1338.] Mercurii dies... da teimosia?

«Agora, e segundo Filomena Pinheiro, vice-presidente da Câmara da Mealhada, “estamos aguardar uma reunião, promovida pelo Turismo Centro de Portugal, onde estarão os três promotores da candidatura do leitão - Autarquia da Mealhada, Confraria Gastronómica do Leitão da Bairrada e Confraria das Almas da Areosa e do Leitão à Bairrada, de Águeda – a fim de se fundirem ou escolherem um representante para esta candidatura”.»

in Jornal da Mealhada de 13.04.11


Não teria sido mais fácil fazer este esforço de concertação antes de fazer as candidaturas (como aliás sugerimos em 9 de fevereiro de 2011)?

A Câmara da Mealhada decidiu candidatar o Pão da Mealhada! Fez muito bem!
A Câmara da Mealhada decidiu candidatar o Leitão da Mealhada! Asneira!

Porque a marca Leitão - embora seja na Mealhada que se come o melhor do mundo - está acoplada à palavra à Bairrada! É asneira separá-la por teimosia bairrista que passa a ser interpretada por muitos setores como ignorância ou pequenez de espírito!

Por causa da eventual certificação do produto - que pode trazer exigências que nem se imaginam, como tantas vezes acontece - levou alguns restaurantes a batizarem os seus pratos com nomes especificos, como "Leitão à Pedro dos Leitões". Mas isso são produtos comerciais, porque também se diz que o Leitão do Pedro ou o Leitão do Rocha é melhor do que o de não sei de onde. E aí, nos menu, é legitimo que tenham uma denominação própria - até porque foi uma precaução. Mas é tudo Leitão à Bairrada.

Peço muita desculpa, mas candidatar - dar visibilidade a um produto que não existe - o Leitão da Mealhada foi um péssimo serviço à ideia que queremos difundir de que o melhor leitão come-se na Mealhada e é à Bairrada! Foi um tiro no pé!

O resultado foi o que se viu! E pese embora agora dêem cambalhotas para se desdizerem, a verdade é que vão ser obrigados a dialogar com as confrarias com quem não se quiseram concertar por orgulho, e vamos lá ver se não ficam com a conta para pagar! Cheira-me que isto ainda vai dar que falar!

Aborrece-me que não haja - para alguns assuntos - a inteligência suficiente para pensar racionalmente! Custa-me!

Não se queixarão de falta de aviso! Eu disse-o em 9 de fevereiro!

«Conhecendo a região como se conhece, não temos, também, dúvidas de que, não havendo uma entidade – administrativa, associativa, pública ou privada – Bairrada, a Mealhada não será o único concelho a procurar candidatar o Leitão assado (da Bairrada, ou da Mealhada) a maravilha gastronómica. E é aqui que surge o problema ou – como otimistas que procuramos ser – a oportunidade.
Diga-se o que se disser, o nome da Mealhada está intimamente ligado ao produto Leitão. Em termos de notoriedade, o produto ganha em ter o nome da Mealhada associado ao seu nome. Trata-se de um facto, custe a quem custar. No entanto, sabemos que há um conjunto vasto de iniciativas e de grupos que – desvalorizando este facto, e muitas vezes sem qualquer tentativa de ligação ao nosso concelho – têm procurado deslocalizar o centro nevrálgico da notoriedade do produto para outras proveniências.

Resulta, então, que há necessidade de ‘enterrar o machado de guerra’, e procurar criar uma plataforma regional – com as câmaras municipais, as confrarias gastronómicas e, acima de tudo com os produtores de leitão e empresários da restauração – que permita a candidatura do Leitão assado como ‘Maravilha Gastronómica’ capaz de, na categoria Carne, e na região centro, assumir a sua preponderância natural.

Este esforço de concertação – que é, acima de tudo politico – deve procurar ser célere e eficaz. Será admitida a primeira candidatura que chegar a Lisboa, sendo certo que uma candidatura do Leitão da Bairrada feita sem o apoio da Câmara da Mealhada e dos 58 restaurantes do município estará morta à partida, do mesmo modo que candidaturas de Leitão à Bairrada e de Leitão da Mealhada se anularão mutuamente.» AQUI

A organização - que até usou uma imagem de Leitão à Bairrada para divulgar o concurso - mandou para trás o "Leitão da Mealhada". Foi a nossa sorte, porque senão acontecia como a Lampreia do Mondego, que com tantas candidaturas emigrou para o Douro!

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quinta-feira, 7 de abril de 2011

[1329.] 7 Maravilhas da Gastronomia

Pão e Leitão da Mealhada ficaram de fora das 70 maravilhas da Gastronomia de Portugal



Leitão da Bairrada está no lote das candidatas à fase seguinte.




Pelo caminho ficaram, também, as quatro candidaturas apresentadas pela Câmara Municipal de Penacova - a Lampreia, nos Peixes, os Peixinhos do Rio, nas entradas, e os pasteis de Lorvão e as Nevadas, na categoria dos doces.






Mais informações em








Eu nem costumo fazer isso... mas desta vez não resisto a declarar: Em relação à candidatura do Leitão da Mealhada... EU AVISEI!


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quarta-feira, 16 de março de 2011

[1295.] Mercurii dies

Avaliando o Carnaval da Bairrada de 2011

O Carnaval Luso-Brasileiro da Bairrada de 2011 poderá ter sido o melhor de que há memória no sambódromo Luís Marques, na zona desportiva da Mealhada. Felizmente, já no ano passado tivemos a mesma afirmação, o que revela que o progresso qualitativo no maior evento cultural do concelho da Mealhada está em crescendo. As ameaças de mau tempo, de algum frio – especialmente na terça-feira – poderão, em parte, justificar a fraca participação de público, a que acrescentamos um patente desinvestimento na promoção externa do evento, por parte da organização.
De qualquer forma, a verdade é que as escolas se apresentaram melhor e de forma relativamente homogénea – como se viu nos resultados do Concurso de Escolas de Samba do Jornal da Mealhada –, na qualidade das fantasias, na exuberância da apresentação dos enredos, no cuidado com coreografias e musicalidade.
O Carnaval na Mealhada está cada vez melhor, é certo, e afirma-se como a referência nacional relativamente à vertente brasileira do carnaval português. Num tempo de crise financeira, em que aos promotores de marcas fortes se exige que primem pela diferenciação, através de uma especialização de alta qualidade, o Carnaval Luso-brasileiro da Bairrada é, de facto, o mais brasileiro de Portugal.
Tal como temos feito em anos anteriores, investimo-nos do direito de chamar a nós, também, de emitir a nossa opinião sobre a organização do cortejo.
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O percurso do sambódromo
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O percurso do desfile no sambódromo continua a ser um factor negativo no carnaval mealhadense. No final do Carnaval de 2009, apelámos à necessidade de serem tomadas medidas no sentido de ser alterado o percurso – eventualmente mudada a localização, e os dirigentes da Associação do Carnaval da Bairrada foram sensíveis ao apelo e à necessidade, e o percurso em 2010 teve um novo local de dispersão, o que se revelou como um aspecto positivo.
Em 2011 manteve-se o percurso, mas o esforço de melhoria deve continuar a ser implementado. Seria interessante que os organizadores do desfile e as escolas de samba ponderassem a possibilidade de encurtar o percurso, de o limitar a uma das retas do complexo – com notórias melhorias ao nível da propagação do som – e experimentassem fazer um “recuo da bateria”. Este sistema – possível no sambódromo mealhadense –, usado no Rio de Janeiro, permite que a bateria, a componente musical da escola, que lhe dá mais alegria, possa apresentar-se no primeiro quarto da escola, estacione numa reentrância do percurso, faça passar à sua frente toda a escola e se reintegre no cortejo à frente da alegoria.
Fica o contributo.
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O som e o atraso
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Em 2011, voltaram a não ser significativos os problemas com o som e com o atraso no início do desfile. Já havíamos verificado esta situação em 2009 e em 2010, e registámo-lo também este ano. Fazemos referência a este aspecto porque entendemos que, no que respeita à hora de início dos cortejos, se tratou, durante muitos e muitos anos, de um defeito crónico do Carnaval na Mealhada.
No domingo, no entanto, voltou a registar-se um longo tempo de intervalo entre a quarta e a quinta escola a desfilar, especialmente, na parte final do percurso. O problema poderá ter resultado da aliança de questões técnicas com a evolução da própria escola. A forma como cada escola se apresenta no desfile, e progride na avenida é uma questão técnica e é uma componente do espetáculo. Mas a espera não beneficia a apreciação do espetador, pelo que acreditamos que uma mudança nas características do próprio percurso – com a limitação a uma reta – beneficiaria, também, esta componente.
De qualquer forma, e sublinhamos, reconheça-se a capacidade de eliminar – esperamos que de vez – o problema do atraso no inicio do cortejo.
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Revista Abre-alas
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Enriqueceu, de sobremaneira, o espectáculo apresentado pelas escolas de samba – assim o garante o público espetador – o facto de existir um roteiro, um libretto, se se preferir, com a explicação do enredo e com uma breve apresentação do significado de cada uma das alas, destaques e diferentes figurantes de cada uma das escolas que desfilou. Essa publicação foi editada pelo Jornal da Mealhada, com o Alto Patrocínio da Associação de Carnaval da Bairrada e com a ajuda preciosa de todas as escolas de samba. O espectador teve uma melhor percepção do que estava a ver, valorizou o trabalho das escolas, e criou-se uma publicação que servirá de acervo histórico para a posteridade.
A revista Abre-alas é mais uma publicação da JM – Jornal da Mealhada, Lda, que procuraremos ir melhorando e desenvolvendo nas próximas edições do carnaval.
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A avaliação das escolas de samba
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A avaliação feita pelo Jornal da Mealhada continua como um dado adquirido. E ainda bem – assim pensamos. Uma vez mais, todas as escolas colaboraram, com a entrega de todas as informações relativas ao que iam apresentar no sambódromo, mas, também, com contributos relativos à própria organização da avaliação. Colaborações que se revelaram, uma vez mais, muito positivas. Em 2011 os resultados globais das escolas foram muito superiores aos de 2010, já assim tinha sido no ano passado. Fica demonstrada a preocupação das escolas em melhorar e em procurar superar deficiências. Essa é a grande vitória da avaliação.
As justificações dos jurados estão publicadas no sítio oficial da Internet do Jornal da Mealhada – uma inovação de 2011 –, em nome do esforço de melhoria coletiva do espetáculo e do concurso.
Ao nível da organização do concurso registaram-se dificuldades este ano, imponderáveis, que com a compreensão de todos, com a colaboração de todos e com os sacrifícios de alguns foram ultrapassados. A JM – Jornal da Mealhada, Lda agradece, de forma penhorada, a disponibilidade e colaboração muito empenhada de Ana Filipa Pereira, de Nuno Semedo, que, com Carla Carvalheira, compuseram a Comissão Técnica do Concurso.
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O Carnaval e as crianças
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No final do Carnaval de 2009, lembrámos que nesse mesmo ano se havia completado trinta anos desde o primeiro Carnaval da Criança, festa infantil que, durante duas décadas se realizou no Domingo Magro. Na altura interpelámos a Associação do Carnaval da Bairrada e, até, a Câmara Municipal da Mealhada – entidade que de ano para ano ganhou preponderância em termos de politica educativa – sobre o assunto. Não obtivemos respostas.
O Carnaval da Criança acabou porque, de certa forma, a organização de um desfile infantil escolar implica um trabalho suplementar da parte de professores, que sobrecarregava os docentes de sobremaneira. A verdade é que nos últimos anos – especialmente na Mealhada e em Luso – os desfiles infantis de Carnaval estão a reaparecer, o que revela que está a ser recuperada a dimensão e a oportunidade pedagógica que o Carnaval pode proporcionar às crianças. Ora se os desfiles estão a regressar, porque não voltar a organizar um desfile grande – com dimensão e notoriedade – ao nível concelhio? Deixámos este desafio em 2009, em 2010, e atrevemo-nos a repeti-lo agora, uma vez que consideramos que estão mais que reunidas as condições para fazer renascer o Carnaval Infantil da Bairrada.
“Trata-se, afinal, do futuro”, repetimos.
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O Carnaval e o orçamento
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O Carnaval na Mealhada é o maior evento cultural do município. Dizemo-lo sem pudor. É um disparate pensar que se trata de um fenómeno exclusivo das freguesias da Mealhada e de Casal Comba. Abarca energias de pessoas de todo o concelho e de freguesias limítrofes no concelho de Cantanhede. É um disparate afirmar que se trata de um evento que dura algumas horas durante dois dias num ano. O Carnaval é um espetáculo efémero, é certo, mas que envolve pessoas durante quase todo o ano.
O Carnaval é cultura, e requer um investimento considerável. Trata-se de um espetáculo efémero e dispendioso – há que reconhecê-lo sem complexos. O investimento em Cultura – assim como em Educação – é contabilisticamente complexo, especialmente quando estamos a falar de artes efémeras, mas nem por isso deixa de ser importante numa sociedade que se quer cada vez mais evoluída e desenvolvida.
O Carnaval Luso-brasileiro terá tido em 2011 – dados nunca facilmente acessíveis – um orçamento de 180 mil euros. A Câmara da Mealhada proporciona um apoio financeiro de 90 mil euros (menos dez por cento do que em 2010) e um apoio logístico muito considerável e – pelo menos para nós – dificilmente contabilizável. A entidade promotora – a Associação do Carnaval da Bairrada – terá ainda outras receitas, nomeadamente, de bilheteira, de exploração da tenda gigante e de patrocinadores.
Para muitos pode considerar-se um investimento supérfluo, e a opinião pública concelhia facilmente determinaria que seria uma despesa a abolir no orçamento municipal. Não integramos esse grupo. Ao contrário, pensamos que o orçamento do Carnaval da Bairrada deve ser aumentado com o incremento de receitas próprias, e que, gradualmente, fará sentido aumentar o investimento público (não só municipal).
A análise comparativa com outros carnavais portugueses – muitos deles de qualidade muito inferior ao da Mealhada – deve servir-nos de referência neste exercício.
Se é certo que carnavais como o de Estarreja, da Figueira da Foz e de Sines têm orçamentos próximos do da Mealhada – na maior parte com menos investimento municipal –, a verdade é que há cortejos em que o investimento é multiplicado por dois ou por três. Os carnavais de Torres Vedras e de Ovar, por exemplo, têm orçamentos na casa do meio milhão de euros – com a Câmara a pagar quase tudo. Os carnavais de Loulé e da Madeira custam 350 mil euros, e o da Nazaré 210 mil euros.
É certo que, na nossa óptica são gastos que consideramos exagerados, mas fará sentido pensar que sem investimento – nomeadamente na promoção do evento enquanto marca nacional da cultura e do turismo – dificilmente haverá retorno.
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Editorial do Jornal da Mealhada de 16 de março de 2011
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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

[1287.] Mercurii dies

Leitão maravilha, ou a grande oportunidade?



Foi apresentada na segunda-feira, 7 de fevereiro, mais uma iniciativa da empresa “7 Maravilhas” – damos conta do assunto na página 7 da presente edição. Depois das escolhas do património histórico e do património natural chegou a vez, agora, de os portugueses escolherem as 7 Maravilhas Gastronómicas de Portugal.
Independentemente do facto de podermos já estar cansados de tanta escolha – tem sido ao ritmo de um concurso por ano – não deixa de ser mais uma oportunidade que se abre para quem, como nós, defende a promoção e a defesa intransigente do património da nossa região. Uma região com um património gastronómico que justifica o epíteto de ‘Sala de Jantar da Europa’.
O concelho da Mealhada é o território das ‘4 Maravilhas’ – Pão, Vinho, Água e Leitão – parece-nos que a candidatura às ‘7 Maravilhas Gastronómicas’ de Portugal, mais do que uma obrigação – da Câmara Municipal ou da Associação das 4 Maravilhas – será uma inevitabilidade. No entanto, pode revelar-se, também, um problema… ou uma oportunidade.
A forma como o concurso está organizado – e há no concelho quem tenha a experiência de ter coordenado a candidatura do Bussaco nas Maravilhas Naturais – faz com que não seja viável a candidatura, una ou conjunta, das nossas ‘4 Maravilhas’. Ou seja, da ‘Mesa da Mealhada’ vamos ter de escolher apenas uma Maravilha. Não nos parece que possamos deixar de escolher o Leitão.


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Conhecendo a região como se conhece, não temos, também, dúvidas de que, não havendo uma entidade – administrativa, associativa, pública ou privada – Bairrada, a Mealhada não será o único concelho a procurar candidatar o Leitão assado (da Bairrada, ou da Mealhada) a maravilha gastronómica. E é aqui que surge o problema ou – como otimistas que procuramos ser – a oportunidade.
Diga-se o que se disser, o nome da Mealhada está intimamente ligado ao produto Leitão. Em termos de notoriedade, o produto ganha em ter o nome da Mealhada associado ao seu nome. Trata-se de um facto, custe a quem custar. No entanto, sabemos que há um conjunto vasto de iniciativas e de grupos que – desvalorizando este facto, e muitas vezes sem qualquer tentativa de ligação ao nosso concelho – têm procurado deslocalizar o centro nevrálgico da notoriedade do produto para outras proveniências.
Resulta, então, que há necessidade de ‘enterrar o machado de guerra’, e procurar criar uma plataforma regional – com as câmaras municipais, as confrarias gastronómicas e, acima de tudo com os produtores de leitão e empresários da restauração – que permita a candidatura do Leitão assado como ‘Maravilha Gastronómica’ capaz de, na categoria Carne, e na região centro, assumir a sua preponderância natural.
Este esforço de concertação – que é, acima de tudo politico – deve procurar ser célere e eficaz. Será admitida a primeira candidatura que chegar a Lisboa, sendo certo que uma candidatura do Leitão da Bairrada feita sem o apoio da Câmara da Mealhada e dos 58 restaurantes do município estará morta à partida, do mesmo modo que candidaturas de Leitão à Bairrada e de Leitão da Mealhada se anularão mutuamente.
Esta pode ser a grande oportunidade para acabar com uma guerra que não sendo antiga tem se feito sentir.
“A importância deste concurso está muito mais na campanha, no burburinho e na divulgação que permite às candidaturas, do que no valor intrínseco da distinção no futuro. Também neste caso – e esta é apenas a nossa opinião – o caminho é mais importante do que o acto de chegar ou de ser o primeiro”. Dissemo-lo a propósito da candidatura do Bussaco a Maravilha Natural, repetimo-lo agora para as Maravilhas Gastronómicas.


Editorial do Jornal da Mealhada de 9 de fevereiro de 2011


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sexta-feira, 5 de novembro de 2010

[1205.] Veneris dies

Ecce mulier

Odete Isabel

Amanhã, 6 de Novembro, passam 174 anos sobre a criação, por decreto de Mouzinho de Albuquerque, assinado pela Rainha D.Maria II de Portugal, do concelho da Mealhada. Ao longo destes quase dois séculos, e acompanhando os rebuliços da história de Portugal foram alguns os homens que dirigiram os destinos deste Município, certamente sempre imbuídos do espírito de serviço público, de promoção da qualidade de vida e de bem-estar dos seus concidadãos. Não são do domínio público generalizado o nome de todos eles uma vez que, em 8 de Novembro de 1880 um incêndio na Câmara destruiu 44 anos de registos históricos municipais.

A primeira vez em que todos os mealhadenses puderam votar e escolher um presidente da Câmara, nas primeiras eleições democráticas para o poder local, em 1976, escolheram uma mulher, a lista mais votada foi a do Partido Socialista, encabeçada por Maria Odete dos Santos da Isabel.

Odete Isabel, mealhadense da Póvoa, licenciada em Ciências Farmacêuticas e a trabalhar nos Hospitais da Universidade de Coimbra, foi a primeira presidente da Câmara da Mealhada eleita democraticamente. Foi, também, a única. Cumpriu apenas um mandato e só mais tarde, em 1999, é que outra mulher tomaria o lugar de vereadora na Câmara da Mealhada.

Reza a lenda que dirigiu a autarquia numa altura conturbada. Para além do Processo Revolucionário Em Curso ela e a sua equipa acabaram por ensaiar um modelo de gestão descentralizada do Estado que até essa altura era completamente incipiente. Terão tomado nas mãos um concelho – como quase todos os do país, nessa altura – onde a luz eléctrica não estava generalizada, com uma rede viária municipal precária, com problemas de coesão, entre muitos outros que pessoalmente não consigo já identificar.

Uma grande senhora da Democracia, que hoje saudamos e homenageamos!

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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

[1174.] Mercurii dies

Da urbanidade

A deposição e tratamento dos resíduos sólidos domésticos são problemas sérios das sociedades contemporâneas. As famílias hodiernas produzem quantidades enormes de lixo. Resíduos – em grande parte orgânicos – de que as famílias se querem ver livre, rapidamente. Para isso, tantas e tantas vezes, perante um caixote de lixo cheio – e muitas vezes cheio de caixas de papelão não espalmadas e de outros resíduos que deviam estar noutros locais – chegam a deixar os sacos com restos de comida na via pública, ou a arremessar os referidos sacos com esse material para terrenos baldios.


É fácil atribuir à Câmara Municipal a responsabilidade de, aos domingos à noite, nas ruas da cidade da Mealhada, os espaços que circundam os contentores de lixo doméstico serem autênticas lixeiras a céu aberto. Perante tal evidência, qualquer um seria capaz de decretar que o número de contentores é insuficiente. Então, o problema resolver-se-ia com mais contentores? Não cremos. Poderia também dizer-se que o problema é a falta de recolha de lixo doméstico ao domingo. Mas o problema vai muito para além disso.
Nalgumas regiões da Europa, em França por exemplo, não se vêem caixotes de lixo doméstico nas ruas. Prática que nos parece de aplaudir – os contentores de lixo doméstico são feios e custam dinheiro. Os moradores têm – em casa ou no prédio – um contentor, onde depositam o lixo doméstico, que só é colocado na rua a uma determinada hora – geralmente à noite – e posteriormente retirado, depois da passagem dos camiões de recolha, à hora marcada. Os contentores estão identificados e quem não os retirar é multado. As ruas mantêm-se limpas e, de certa forma, fica salvaguardada a saúde pública.
Se os franceses são capazes de ter o lixo em casa durante um dia inteiro, não são capazes os mealhadenses? O problema é de falta de educação cívica e, acima de tudo, de falta de urbanidade – característica de quem sabe viver em sociedade e em comunidades populacionais de tamanho significativo. E se ensinar os adultos a reciclar foi uma conquista, que surgiu como uma moda, e resultou de uma forte pressão na escola dos filhos, ensinar as famílias a gerir melhor os lixos domésticos vai ter de seguir o mesmo método. E rapidamente.
A rua, o espaço público, não é espaço de ninguém. É espaço de todos, é comum. Também não é espaço da Câmara ou da Junta de Freguesia. É espaço de todos, porque todos o utilizamos e (ainda) não pagamos impostos para isso. Não podemos todos ser prejudicados, na nossa saúde pública, com a falta de urbanidade de alguns (poucos, mas salientes).
Assim, se a situação não se resolver com a educação, resolve-se com a repressão e não se vê outra alternativa senão as entidades autárquicas aprovarem um regulamento através do qual sejam punidas, com multas e contra-ordenações, as pessoas que depositam lixo doméstico no chão, mesmo que ao lado dos caixotes de lixo, as pessoas que não depositarem o lixo doméstico devidamente ensacado, as empresas e estabelecimentos que não colocarem os caixotes de papelão, espalmados, no eco-pontos respectivos, entre outras. É de elementar urbanidade!

Editorial do Jornal da Mealhada de 13 de Outubro de 2010

domingo, 10 de outubro de 2010

[1171.] Mealhada, há 100 anos_III

Mealhada, 10 de Outubro de 1910

«Porém só em 10 de Outubro às duas da tarde, a Comissão Municipal Republicana vai de novo aos Paços do Concelho onde, na presença do Administrador do Concelho, Manuel de Oliveira Rocha, se reúne sob a presidência de Manuel Ruivo de Figueiredo, não por ser o presidente da Comissão Republicana, mas por ser o cidadão mais velho, tal como a Lei (Código Administrativo de 1896) definia, procedeu à eleição dos cargos que iriam ser ocupados na Comissão Executiva da Câmara Municipal Republicana. Por escrutínio secreto foram eleitos cargo a cargo. "Para presidente foram votados o cidadão Joaquim da Cruz com quatro votos e o cidadão Manuel Ruivo de Figueiredo com quatro votos" e "para vice-presidente foram votados o cidadão Manuel Ruivo de Figueiredo, com quatro votos, e o cidadão José Ferreira de Carvalho, com um voto".

JOAQUIM DA CRUZ

Face a esta votação, Joaquim da Cruz passou a desempenhar o cargo tornando-se o primeiro Presidente Republicano da Câmara Municipal da Mealhada, sucedendo ao conselheiro Augusto Simões d'Abreu, monárquico, que, apesar de ter sido eleito nas eleições de 1908 e de ter sido destituído, fez questão de estar presente na posse do seu sucessor republicano.»

Carlos Cabral, in Pampilhosa Uma Terra e Um Povo, Revista do GEDEPA, n.º 16 - Julho de 1997, pp.71 ss.